segunda-feira, 8 de junho de 2015

A farra continua! Placa de sinalização custa R$ 27.000,00 cada

Placas de sinalização para Olimpíadas 2016 custam 27 mil cada uma.


Rio - Você faz ideia de quanto custa cada placa de sinalização para pedestres? No Rio, o preço de cada uma se compara ao de um carro popular zerinho: R$ 27,4 mil. Até o fim do ano, serão espalhadas 500 delas pela cidade — ao todo, serão investidos R$ 13,7 milhões no projeto de instalação dessas placas, que ajudam a preparar a cidade para os turistas que vêm para os Jogos Olímpicos de 2016.

A Riotur e a Secretaria de Turismo informam que, até o fim do ano, serão espalhadas 500 placas com informações para pedestres no Rio
Foto:  João Laet / Agência O Dia

A ideia, segundo a Secretaria de Turismo, é inspirada na experiência de informação a pedestres de Londres, que conta, desde 2010, com um conjunto de sinalização feita por placas, painéis, indicações nas calçadas etc. Entretanto, de acordo com documentos públicos da agência de transporte da capital inglesa, o gasto médio por painéis instalados por lá representa 66% do que a Prefeitura do Rio investiu por aqui. Enquanto cada placa carioca está saindo por R$ 27,4 mil, em Londres o preço médio da unidade foi de R$ 18 mil.
Desde sábado, O DIA tenta contato por telefone com o consórcio Rio Inteligente, para saber o motivo da diferença de preços e de projeto em relação ao programa inglês, no qual o do Rio foi inspirado. Não houve resposta.
Outra diferença entre os dois projetos é que os painéis londrinos são muito mais completos. Por lá, o totem informa sobre locais onde há transporte público, identifica lojas, pontos turísticos e tudo o que houver disponível num raio de 15 minutos de caminhada. Além disso, os mapas exibem a cidade em 3D. E ainda é possível ver a lista das ruas em ordem alfabética, com sua localização num mapa em 2D. Sobre cada painel há uma placa de captação de energia solar para permitir a visualização também à noite.
No Rio, como O DIA mostrou com exclusividade no sábado, foram instaladas apenas placas comuns, bastante simples — e, ainda assim, parte delas traz informações incorretas sobre a direção ou o sobre tempo de caminhada até o destino indicado.
A experiência londrina é chamada de ‘wayfinding’ e baseada em um conjunto de informações e sinalizações de rua. No Rio, há apenas um único local com indicações parecidas às de Londres, que sediou os Jogos Olímpicos de 2012: um totem instalado na Av. Princesa Isabel, em Copacabana.
Em nota, a Secretaria de Turismo e a Riotur afirmaram ter “absoluta confiança na qualidade do projeto de sinalização turística para pedestres” e que a instalação está em “fase de implantação na cidade, tendo em vista a realização dos Jogos Olímpicos do ano que vem.”

Em Londres, parte do investimento é dos empresários
O ‘wayfinding’ de Londres permite que residentes e turistas se arrisquem pela cidade. Mais: que descubra lojas. Que consuma. Por isso, ao contrário da iniciativa carioca, parte dos custos de instalação do projeto foi bancada pela iniciativa privada.
A lógica é que, caminhando, as pessoas, principalmente turistas, gastem dinheiro. Assim, áreas consideradas fracas para o comércio podem tornar-se mais atraentes.
A experiência dificilmente se repetiria caso o principal fluxo de mobilidade se mantivesse apenas focado no metrô e nos ônibus, diz um estudo da Transport for London, agência que administra o transporte urbano na capital inglesa. Ainda segundo a agência, 87% do dinheiro movimentado no Centro de Londres foram gastos de pedestres no entorno dos locais onde foram instalados os totens.

Consórcio tem empresas do mesmo dono
Duas das cinco empresas do consórcio Rio Inteligente, responsável pela execução no Rio do projeto de ‘wayfinding’, pertencem ao mesmo Grupo CSM, que atua desde 2004 com marketing esportivo. O grupo é dono da CSM Brasil e da Icon, especializada em marketing urbano.
Outra empresa do consórcio, com participação menor, é a Applied, responsável pelo projeto em Londres. A Valéria London Design e a Etece Engenharia completam as empresas do consórcio. 
A CSM Brasil nasceu no Rio, em 2004, como Golden Goal, a partir do investimento de R$ 500 mil, com o qual alugou por cinco anos um camarote no Maracanã. Lá, realizava eventos, com presenças VIPs. Em 2011, os empresários Carlos Eduardo Ferreira, 42 anos, e Mauro Corrêa, 38, se tornaram sócios da britânica CSM Sports & Entertainment.
Atualmente, um dos negócios da CSM é administrar a carteira de sócio-torcedor de clubes de futebol. O Flamengo é um de seus clientes, e agora negocia com o Vasco.
Do mesmo grupo empresarial, a Icon atuou em Londres durante a Olimpíada de 2012, na instalação de sistemas de informações para turistas.
Pesou na escolha do consórcio a presença da Applied. Além de Londres, a empresa realizou projetos de ‘wayfinding’ em Vancouver, no Canadá, e Brighton, também na Inglaterra, em 2001.

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