segunda-feira, 8 de junho de 2015

Concurso interno da PM é marcado por confusão, prisões e desmaios

Luana Freitas


O concurso para sargentos da PMERJ, realizado neste domingo, no Engenhão, Zona Norte do Rio, foi marcado por confusão e falta de organização.

A prova estava marcada para 13h. Os portões abriram às 10h e fecharam uma hora depois. Segundo relatos de PMs, a maioria não foi revistada na entrada e os celulares não foram recolhidos, como deveria ser. Os policiais tiveram que aguardar por cerca de duas horas, no sol, o início da prova. Alguns contaram que não puderam se deslocar para onde havia sombra enquanto aguardavam o início do teste. Com isso, muitos passaram mal e chegaram a desmaiar antes mesmo de a prova iniciar. Ambulâncias que estavam no estádio socorreram os PMs no local.

De acordo com informações, o major responsável pelo Setor Sul prendeu mais de 40 candidatos que quiseram desistir do concurso por se sentirem mal com o forte sol, e impediu que deixassem o local (ouça o áudio acima). Os militares seriam do 8º BPM e 36º BPM. 

Um PM que estava no local da prova, e pediu para não ser identificado, contou ao SRZD que não houve qualquer supervisão após o início do teste. Os policiais podiam conversar, usar o celular, sem qualquer impedimento. Segundo ele, um candidato chegou a levar o cartão de respostas da prova para o banheiro. Outro fotografou a primeira página do teste, como mostra a imagem.


Alguns contaram que vão entrar na justiça pedindo o anulamento da prova, já que, quem se preparou e estudou, saiu prejudicado.
O SRZD entrou em contato com a assessoria da PMERJ para confirmar os fatos e saber se é possível que o concurso interno seja cancelado. Leia a nota enviada:
A Polícia Militar realizou na tarde de hoje (07.06) o concurso interno para o curso de formação de sargentos, no Estádio do Engenhão. Cerca de 11 mil candidatos realizaram a prova. Alguns candidatos, alegando que estavam com calor em razão do sol, solicitaram desistência do concurso, o que foi garantido pela organização, desde que obedecida a regra de permanência mínima de uma hora após o início da prova. Todas as normas previstas no edital e amplamente divulgadas para os candidatos foram cumpridas. O comando da corporação publicou recomendações expressas aos candidatos, autorizando, inclusive, que levassem alimentação leve e bebida, em razão do tempo de duração da prova de quatro horas.
Desde 2006, a PM não organizava um concurso interno para sargentos, o que demandou grande mobilização de recursos humanos e materiais, representando o compromisso do comando com a meritocracia, um dos valores estratégicos da PM. Desde o início do processo de seleção, houve grande preocupação com a transparência e foram definidos critérios objetivos para garantir toda lisura no concurso. Como está previsto no edital, os candidatos têm direito a interpor recurso, caso se sintam prejudicados. O chefe do Centro de Recrutamento e Seleção de Praças (CRSP) encaminha essa semana ao comando da PM o relatório de avaliação do concurso para análise dos incidentes pontuais reportados.

De que meritocracia falam se há promoções por tempo serviço? 

O Decreto 22169 que fala das Promoções por Tempo de Serviço, editado no ano de 1996, no meu entender foi algo “jogado” na PMERJ de forma eleitoreira, com fins das cabalar votos... Este Decreto que proliferou uma onda promoções na PM de forma não muito regulamentar, pois não é efetiva através de concursos ou cursos regulares de formação... O que gerou? Uma grande insatisfação por parte da tropa que estudou, prestou concursos internos para subir em sua carreira, mas as promoções através do critério do Tempo de Serviço acarretaram quebra da precedência hierárquica, abalando um dos pilares institucionais vigentes na PMERJ: A HIERARQUIA. (Major Ref Helio)


"Sem água, sem estrutura, todos [candidatos] transitaram com as provas nas mãos e os policias gritavam pedindo socorro médico para os colegas de farda que estavam desmaiando", postou um dos candidatos em um um grupo fechado do Whatsapp, em que os integrantes se identificam como PMs. 
"Centenas de policias começaram a abandonar o local de prova sem mesmo iniciar, pois os portões fecharam às 11:00 e a prova começou 13:00. Os policias ficaram no sol escaldante por duas horas até começar a prova, sem água!", acrescenta outra postagem.

Os que ousassem desistir do sofrimento (tortura) imposto, foram ameaçados e/ou detidos. Como eu falo, quando o militar será também o cidadão? Com a faceta desses comandos que não medem esforços em submeter subordinados à sua vontade (política), tá dificil. Nem mesmo em áudio gravados, onde uma policial feminina solicitava o remanejamento dos que estavam no sol, houve sensibilização. Como resposta a solicitação, a policial ouviu que podiam desistir.




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