quarta-feira, 10 de junho de 2015

ECOS DO 1º GRUPO DE CAÇA NA ITÁLIA

P-47D-28-RE "D5", pilotado pelo então 2º Tenente José Rebelo Meira de Vasconcelos, do 1º Grupo de Caça da Força Aérea Brasileira, na Campanha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial...

Em 1941, quando a FAB foi criada com o acervo das aviações do Exército e da Marinha, então extintas, os aviões herdados eram velhos, não havia doutrina de emprego e as atenções se voltavam para a aviação civil, administrada pelo recém organizado Ministério da Aeronáutica, herança do Ministério da Viação e Obras Públicas. A FAB tinha pouco mais de um ano quando, em 17/8/1942, começou o torpedeamento de navios brasileiros nas costas de Sergipe, obrigando o governo a declarar guerra às potências do Eixo. O americano forneceu as primeiras aeronaves de treinamento, transporte e bombardeio, para as poucas bases aéreas existentes, enquanto levava para a América o treinamento do Primeiro Grupo de Caça, colocando a FAB na era do combate aéreo e fazendo crescer exponencialmente a necessidade de pilotos e especialistas.

Baependi, afundado na noite do dia 15 de agosto de 1942, pelo submarino alemão U-507, que resultou na morte de 270 pessoas.
        A Escola de Aeronáutica (EAer), atual AFA, fruto da fusão das escolas de aviação naval (Galeão) e militar (Afonsos), bem como a Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAer, Galeão), também fruto da unificação das escolas de graduados das aviações naval e militar, não conseguiriam, no curto prazo, formar tanta gente. Diante disso, foi criado o CPOR da Aeronáutica, para a formação de pilotos, enquanto a escola de formação de graduados recebia o reforço de uma segunda escola, a Escola Técnica de Aviação (ETAv, São Paulo) para a formação de sargentos das mais variadas especialidades, pois a EEAer só formava sargentos de voo (mecânico, armamento, radiotelegrafista de voo e reconhecimento foto), radiotelegrafista de terra e escrevente. Por contrato, a ETAv foi implantada e administrada por civis americanos donos da Embry-Riddle Aviation School, de Miami, escola modelo à qual a FAB deve muito. Em 1950, a EEAer e a ETAv fundiram-se na atual EEAR (Guaratinguetá, São Paulo).
Os primeiros alunos do CPOR foram para os EUA cursar pilotagem nas aviações americanas da Marinha e do Exército, e tanto os formados no CPOR, como os formados na ETAv, saiam dessas escolas, respectivamente, oficiais e sargentos da reserva convocados. Os aviadores da reserva eram conhecidos como  “asa branca”, insígnia bordada de branco, enquanto os da ativa tinham-na bordada de preto, sobre o primitivo uniforme cáqui. Os oficiais do CPOR inadaptados para o voo eram formados pelos americanos em outras especialidades, as chamadas básicas: navegação, comunicações, suprimento, controle de voo, armamento e meteorologia, não existentes na FAB, e foram efetivados na ativa no Quadro de Oficiais Mecânicos, então Quadro único dos especialistas, logo, para marcá-lo como desimportante, fracionado em sete (sic) pequenos quadros, situação atual. Por conta disso, quanto talento a FAB perdeu! Os oficiais aviadores do CPOR, embora efetivados, não iam além do posto de tenente. Muito depois, conseguiram validar na Escola de Aeronáutica o curso feito nos EUA, e passaram a integrar o Quadro de Aviadores da ativa. Em cada turma, mesmo tendo anos de oficialato, eram numerados depois do último aspirante formado com eles, enquanto os seus colegas, que se formaram especialistas, ao se aposentar, passavam maciçamente para a reserva no posto de capitão.

É o símbolo e grito de guerra do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, tendo suas origens na Segunda Guerra Mundial.

Com a organização do 1º Grupo de Caça para lutar na Itália engajado à força aérea do Exército americano (a USAF – US Air Force, só foi criada em 18 Set 1947), oficiais, graduados e praças foram para os EUA fazer os respectivos cursos. Para os oficiais, a prioridade era o fighter pilot; os desligados da caça faziam os seguintes cursos: especialista em avião, engineering officer; especialista em armamento,  armament officer; especialista em suprimento técnico, supply officer; especialista em comunicação, radio officer, especialidades do apoio direto ao combate. O SO mecânico fez o curso de line chief e os demais mecânicos, o de flight chief, e assim por diante. Os primeiros oficiais de tráfego aéreo, suprimento, meteorologia e navegação, assim como vários de comunicações e armamento, foram esses pilotos brasileiros desligados da caça pelos americanos e formados por eles, americanos, nessas especialidades, que até hoje não vingaram no Brasil, e enviados para a guerra na Europa.

Jorge da Silva PRADO (quando aspirante)
Tenente-Coronel Especialista em Armamento (in memoriam)
Patrono do Material Bélico da Força Aérea Brasileira.

Recentemente declarado Patrono do Material Bélico da FAB (21/5/2015), o Tenente-Coronel Especialista em Armamento Jorge da Silva Prado (in memoriam), nascido em São Paulo (9/2/1921), aspirante do 1º Grupo de Caça, foi um deles. Tinha apenas vinte e dois anos quando, desligado do voo, e sem nenhuma prática anterior na especialidade, como ainda se exige do candidato ao concurso de oficial especialista aqui  no  Brasil, fez  o  curso  de oficial de armamento na aviação do Exército americano  e  se  revelou  competentíssimo armament officer, à frente da Seção de Material Bélico do 1º Grupo de Aviação de Caça  na  Campanha  da
FAB na Itália, na 2ª Guerra Mundial. Além de controlar e fazer a manutenção do armamento, realizou diversas atividades como o remuniciamento dos aviões, harmonização das metralhadoras com o visor do tiro, conjugação de comando de disparo das metralhadoras com as câmeras cinematográficas para registro dos resultados das missões.
Ao regressar ao Brasil, Prado introduziu novos métodos de armazenagem de material bélico, modificou o Sistema de Ordens Técnicas e estabeleceu nomenclatura padrão, que foi adotada pelas Forças Armadas do Brasil. Prado também idealizou alguns tipos de bombas incendiárias e respectivas espoletas, produziu os primeiros foguetes de aviação fabricados no Brasil e desenvolveu explosivos, juntamente com oficiais do Exército brasileiro. Por suas qualidades – guerreiro, veterano de guerra, incansável, criativo, inovador – foi escolhido Patrono do Material Bélico da FAB.
Trecho da exposição de motivos sobre a criação Dia do Material Bélico: “Em 11/11/44, durante a campanha aliada na Itália, a Força Aérea Brasileira (FAB) fez história. Nesse dia, pilotos do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA) voaram como unidade independente pela primeira vez na Segunda Guerra Mundial, a bordo dos P-47 Thunderbolt. Por esse motivo, a data foi escolhida para celebrar, de agora em diante, o Dia do Material Bélico de Aeronáutica. Ao final da campanha em 1945, impressionavam os números obtidos pelos militares da FAB como integrantes do 350th Figther Group (US Arm Force), unidade americana à qual os brasileiros estavam subordinados. O segredo do sucesso? Os brasileiros eram conhecidos pela eficiência. Em combate, os pilotos apresentavam resultados expressivos e, em terra, os especialistas de diversas áreas eram capazes de colocar um avião em operação na metade do tempo das outras equipes aliadas. Criativos, os especialistas da FAB mudaram uma série de procedimentos, para aprimorar o apoio aos pilotos, e chegaram a resolver problemas de projeto nas aeronaves, como ocorreu na campanha em relação ao P-47 Thunderbolt.”  (Moreira Lima, Senta a Pua! 2ª ed. p. 378)
 Desde 1941, quando a FAB foi criada, o Especialista (que tanto voa, como faz voar) espera ocupar o seu lugar de protagonista do apoio ao combate. Parece estar a caminho, mesmo a conta-gotas, a marcha do especialista da periferia para o centro do apoio ao combate. Mas isso só será possível de fato com a sua formação na AFA, por se tratar de combatente. Quem faz a guerra aérea é o aviador da caça, o especialista e o aviador do apoio. E é aí que está a grandeza que se espera da Força Aérea Brasileira.

Fabianas saudações, Recife, 22/5/15. 

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