sexta-feira, 26 de junho de 2015

Faça enquanto há tempo, amanhã pode ser tarde


Houve uma época que via embaçado, só reclamava e nada fazia. Um dia me acertaram, senti o metal quente dilacerando minha carne, seis projéteis acertaram meu corpo.

Cinco feriram, um foi pra matar. Fui caindo lentamente sentindo as forças me abandonarem, não era a força que me abandonava, era a vida.

Lembro ver meu corpo inerte caído ao chão. Como eu podia me ver desta maneira? Eu não mais estava no corpo, era agora energia que fluía.

Me vi dentro da ambulância e os profissionais do CBMERJ na tentativa de salvar vida, me cortando para suturar uma artéria. Depois nada mais vi.

Abri os olhos e estava no HCPMERJ, deitado numa maca fria de metal. Eu estava vivo. Foi um corre corre, rapidamente fui levado ao CTI e operado. 
Vivi? Não, sobrevivi! Ou será que voltei da morte? Não sei, mas ainda estou aqui.

O projétil que transfixou meu pescoço, além de destruir minhas cordas vocais e causar um pseudo aneurisma descoberto anos depois, ainda teve infecção hospitalar no local da cirurgia que foi realizada. Vi a cicatriz se transformar numa “couve flor” infestada de secreção. Mas não era a hora, a infecção se foi e reaprendi a falar sem cordas vocais completas e perfeitas. O meu grito, escrito ou falado hoje pode ser ouvido a distancia.


Isso foi a 27 anos, tudo podia ter acabado ali. Mas não acabou.

Dê uma, duas, três chances a vida. Não desista dela. O amanhã precisa de nós.


Nenhum comentário:

Postar um comentário