quarta-feira, 3 de junho de 2015

O MAIS PREJUDICIAL AUTOR ANTIMAÇÔNICO E O BODE NA MAÇONARIA

O impostor francês Gabriel Antoine Jogand Pagés (1854-1907) foi aluno expulso de colégios católicos e tornou-se jornalista e escritor anticlerical. Depois foi iniciado na Maçonaria e expulso de sua Loja, tornando-se escritor antimaçônico. Arrependeu-se publicamente de seu anticlericalismo e foi recebido, abençoado e absolvido das inúmeras excomunhões que sofrera, pelo próprio papa. Em seus escritos, fazia uso de diversos pseudônimos, entre os quais o de LEO TAXIL. Levando uma vida de falcatruas, enganou os Maçons, iludiu o clero, ludibriou os intelectuais e explorou a credulidade do público. Deve-se a ele, entre outras, a ideia de um Papa Maçônico, chefe mundial oculto e empenhado em destruir a Igreja Católica, a utilização de cadeiras de pregos onde os candidatos supunham que nelas iriam se sentar e a invenção de práticas satânicas. Seus escritos eram levados em alta conta pelas autoridades eclesiásticas, sendo traduzidos em diversos idiomas, geralmente por padres. A tradução para o português foi feita em 1892 pelo padre Francisco Correa Portocarreiro, autorizado pelo bispo do Porto. Embora suas imposturas fossem ridículas, o público de então, sob o beneplácito do clero, era extremamente crédulo. Alguns exemplos: (1) Com poderes logo abaixo do americano Albert Pike, grau 33 e Papa Maçônico, estava Sofia Walder, futura mãe do anticristo, fruto de seu conúbio com o demônio Bitru e que nasceria em 29 de setembro de 1896; (2) Sofia Walder, certa vez, vomitou labaredas ao beber um copo com água benta que um católico por subterfúgio lhe oferecera; (3) Durante uma sessão maçônica, Diana Vaughan, rival de Sofia Walder, tornou-se noiva do demônio Asmodeu; (4) Em outra sessão maçônica, Sofia Walder cuspiu numa hóstia e Diana Vaughan se negou a fazer o mesmo por não acreditar que Deus estivesse naquele pão místico. Contra sua expulsão da Loja, interferiu Asmodeu sob a forma de uma cauda de leão, que vergastou os que estavam contra Diana. A imprensa, o público e o clero regozijaram-se quando Diana Vaugham, após finalmente vencer Sofia Walder, se converte ao catolicismo, tornando-se ferrenha inimiga do luciferismo e da Maçonaria. O grande impostor torna-se então uma celebridade mundial, tendo sido, inclusive, condecorado pelo Papa Leão XIII com a Ordem do Santo Sepulcro, embora os personagens que criara nunca tivessem aparecido em público, o que começou a despertar desconfianças em uns e a certeza da impostura em outros, conquanto para a Igreja os ataques fossem convenientes.
Para encurtar esta sórdida história, após sofrer pesados ataques da imprensa, Taxil anunciou, em 25 de fevereiro de 1897, que Diana Vaughan compareceria em público em 19 de abril na Sociedade Geográfica de Paris para fazer uma conferência. No dia marcado, com a sala tomada por jornalistas, eclesiásticos e leigos, comparece Taxil em lugar de Diana para, já rico com suas imposturas às custas dos tolos, pronunciar um dos mais cínicos e descarados, se bem que esclarecedores, discursos já ouvidos: (1) Que a única Diana Vaughan que conhecera era uma moça, sua datilógrafa, a quem pagava 150 francos por mês; (2) Que durante doze anos sua intenção sempre fora a de estudar a fundo a Igreja Católica, com o auxílio de uma série de mistificadores que lhe revelariam os segredos dos espíritos e dos corações na hierarquia sacerdotal, tendo sido bem sucedido além de suas mais audaciosas esperanças; (3) Que depois de sua pretensa conversão ao catolicismo, o meio de alcançar seus fins lhe tinha sido sugerido no fato da Igreja ver na Maçonaria o seu mais perigoso adversário, e que numerosos católicos, encabeçados pelo papa, acreditavam que o demônio era o chefe daquela associação anticlerical; (4) Que os cardeais e a Cúria de Roma, com conhecimento de causa e de má fé, tinham patrocinado os escritos publicados sob o seu nome, sob o nome Dr. Bataille e Diana Vaugham; (5) Que o Vaticano conhecia a natureza fraudulenta de suas pretensas revelações, mas estava satisfeitíssimo por poder utilizá-las para entreter entre os fiéis uma crença proveitosa para a Igreja; (6) Que o bispo de Charleston, cidade que dissera ser a sede do Papado Maçônico, tinha escrito ao papa que as histórias relativas àquela cidade eram falsas, mas que Leão XIII impusera silêncio àquele prelado; (7) Que Leão XIII impusera igual silêncio ao vigário apostólico de Gibraltar, que tinha afirmado não existir lá os subterrâneos onde seriam celebrados os ritos infames que descrevera.
Desde então, na Europa e nos Estados Unidos, passou-se a fazer com que os candidatos montassem em um bode, saindo em público pelas ruas da cidade, para escarnecer da Igreja – por ter participado da farsa – e de todos aqueles que nela acreditaram, surgindo daí a figura do bode na Maçonaria. Essas brincadeiras começaram a chocar os que as assistiam e passou-se então a realizá-las em ambientes fechados, longe das vistas do público, geralmente substituindo o animal por mecanismos especialmente montados sobre rodas de bicicletas. O guidom era substituído por cabeças de bode esculpidas ou empalhadas e o candidato segurava nos chifres para dirigir o estranho “veículo”, sob aplausos dos que a tudo assistiam. Nos Estados Unidos ainda se faz uso dessa prática, como verificamos em um site americano, em que um profano pergunta a respeito do bode na Maçonaria e recebe três respostas, todas em conformidade com o que expusemos. (Tradução livre) PERGUNTA: “Nos rituais maçônicos há um processo conhecido como montar o bode que ninguém conhece o que significa?”) RESPOSTAS: (1) “Eu não sei o propósito do ritual, mas o "bode" não é um bode real. É um cruzamento entre uma bicicleta e um cavalo de brinquedo que tem uma cabeça de bode no guidão”; (2) “Uma série de mitos e mentiras bizarras têm sido divulgadas sobre a Maçonaria, e nós, por vezes, fazemos troça com essas coisas”; e (3) “Montar o bode" é a nossa própria visão humorada sobre um tal mito perpetuado por Taxil (envolvendo adoração ao bode ou sacrifício ou algo assim absurdo) e é um jargão tolo aplicado ao processo de passar por Graus. Um humor tipicamente masculino, em verdade um tanto bruto e inapropriado, mas nem por isso engraçado (e inofensivo)”.
Como se vê, Leo Taxil foi tão prejudicial à Maçonaria a ponto dos Maçons brasileiros terem feito inúmeras interpretações mirabolantes sobre o bode, entre as quais a de que simbolizaria a discrição maçônica. E por que não a galinha ou o burro, que não podendo falar, são tão discretos quanto o bode? Esse falso simbolismo, disseminado por alguns autores nacionais é provavelmente proveniente da antiga prática judaica em que, no Dia da Expiação dos Pecados, enxotava-se um borde para o deserto, levando consigo os pecados do povo. Na literatura Maçônica estrangeira não se encontram essas intrpretações. E haja camiseta, boné, caneca e chaveiro com a figura do bode, comercializados por Maçons para Maçons. O bode na Maçonaria nada representa, foi uma mera gozação que os Maçons no passado fizeram com a Igreja Católica por ter participado da farsa de Taxil e com todos aqueles que nela acreditaram. Todavia, se querem dar algum significado ao bode, que seja o seguinte: “escárnio a todos aqueles que acreditam que os Maçons praticam ritos satânicos e que existe bode na Maçonaria”. Finalizando, aí vai a capa de um dos livros de Taxil, com a figura de Baphomet.

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