sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Para entender a prisão de Delcídio Amaral

Numa primeira avaliação podemos imaginar que a prisão de um senador pedida pela PGR, acatada pelo STF e confirmada pelo senado em menos de 24 horas demonstraria que as instituições republicanas estão funcionando.
Ledo engano.

Para entender é preciso ouvir a gravação que motivou essa agilidade toda. Pode ser acessada aqui: Gravação que levou a prisão.
É a peça mais interessante até agora apresentada na operação Lava-jato pois escancara as entranhas da República.
Delcídio Amaral não é um simples senador petista. Era o líder do governo no Senado, um sujeito com trânsito em todos os partidos e instituições, além de ser homem de confiança de Lula.
Na conversa dele com o filho de um réu na Lava-jato que negociava uma delação premiada, onde foi oferecida a possibilidade de fuga do sujeito após a negociação de um Habeas Corpus com integrantes do próprio STF, com ajuda de Michel Temer, Renan Calheiros e de outros figurões da política, da situação e da oposição.
Ele apresenta as consequências negativas da delação e Cerveró implicando André Esteves, Dilma Roussef e outras figuras já citadas. Também o advogado que participou da reunião apresentava a estratégia de tratar as prisões como ato desumano que forçaria os presos a confessarem. E como eles contavam com a decisão do Ministro Fachin de definir as delações como ilegais, destruindo toda a operação Lava-jato.
O Supremo agiu rápido para abafar logo a suspeição sobre o circo montado em Brasília para proteger a quadrilha no poder.
Se de fato as “instituições” estivessem funcionando Dilma Roussef não estaria mais na presidência da República, o registro do PT já estaria cassado e as dezenas de políticos bandidos implicados no Petrolão estariam presos.
Seria necessário usar apenas uma fração da agilidade demonstrada no caso Delcídio....
E a imprensa marrom já vem ao socorro do PT, tentando blindar Dilma de possíveis revelações do senador. A Folha de São Paulo novamente funciona como aparelho do partido, fazendo o serviço sujo, numa matéria assinada pela filha do secretário de comunicação do próprio PT!
A filha de José Américo Dias (foto), secretário nacional de comunicação do partido, é a jornalista da Folha de São Paulo que cobre o partido, em Brasília. Seu nome, Marina Dias. Sua especialidade: matérias positivas para o PT, tipo aquela de Lula praticando academia que ela publicou em primeira mão. E muitas e muitas outras. Procurem no acervo da Folha uma reportagem da sua lavra que seja negativa para o Partido dos Trabalhadores. São raríssimas e quando ocorrem a matéria é dividida com outros repórteres. Aliás, “furos” sobre o PT são a especialidade da repórter, pois dizem, inclusive, que ela é afilhada de Edinho Silva, o secretário de comunicação do governo. Fontes e privilégios não devem faltar.


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