O ano do grande Sérgio Moro, que provoca rostos
em pânico no Congresso.
Arnaldo Jabor
O ano da mandioca, o ano do vento engarrafado,
dos pastéis de vento, o ano da mulher sapiens, o ano da incompetência
arrogante, o ano em que tudo o que era sólido desmanchou no ar, o ano em que a
República ficou com dois poderes em luta — o Executivo chantageado por dois
elementos suspeitos de crime no Legislativo —, o ano da “segunda vinda” do
Cristo Bolívar, invadindo a América Latina pela janela da Venezuela (um
malandro que até o Marx chamava de “personagem medíocre e grotesco”), o ano do
bigode do Maduro e do Chávez virado em passarinho, cantando-lhe nos ouvidos, o
ano do pixuleco, o ano das propinas, das gorjetas, dos mimos, dos brindes, dos
óbolos, dos esbulhos, o ano dos recordes: nunca no mundo alguém tinha levado
US$ 90 milhões de “cervejinha”, o ano da cumbuca, da mão grande, o ano em que
vimos que o país está pior do que pensávamos, o ano do povo ou obeso ou
faminto, o ano dos milhões de analfabetos e de eruditos burros nas
universidades pregando stalinismo para jovens indefesos, ano dos heroicos tesoureiros
presos, o ano do olho mortinho do Cerveró, da barriga do Ricardo Pessoa, do
sorriso estoico do Marcelo Odebrecht, da barba de esquerda do Vaccari, o ano
das manifestações abstratas, o ano dos bonecos flutuantes de Lula, Dilma e
Cunha, o ano em que filhos e próximos amigos de Lula estão caindo enquanto ele
pinta o cabelo de acaju, o ano dos cabelos lindos e brancos do Delcídio do
Amaral e também o ano do cabelo negro do Lobão, esse perigoso elemento servo do
Sarney, que roubou o nome da pobre cidade do Maranhão Ribeirãozinho e se
autonomeou município, o ano do amigão Bumlai, que Lula renegará três vezes,
como fez com Dirceu, o ano das negações, do nada, do “não sei”, do “jamais
roubei”, o ano dos “guerreiros do povo brasileiro” em cana, o ano da carne
enlatada na Suíça pelo Cunha, mercador de bois e vacas raladas e ano das provas
que nada provam, o ano da mentira como verdade ou o contrário: a verdade é tão
escrota que parece mentira, o ano das desculpas esfarrapadas, o ano do triunfo
de um grande precursor: Maluf, o Criador que deu o salto qualitativo da
escrotidão nacional, o ano da metáfora de lama caindo sobre o país, maior
tragédia ecológica da nossa história, que derramou 62 milhões de metros cúbicos
de bosta eterna (o que não deixa de ser mais um belo recorde nosso...), o ano
do mosquito, o ano da saúde doente, o ano das prefeitas prostitutas, o ano do
Lamborghini da Dinda que nos deu saudades do Fiat Elba — o calhambeque que
expulsou o Collor —, o ano do ex-país do futuro e em que não conseguimos ser o
país do presente, o ano da irresponsabilidade fiscal oficial, do PIB zero, das
bicicletas e pedaladas, o ano da “nova matriz psicótica” que vem aí e que fará
tudo ao contrário do que deveria ser feito, por pirraça ideológica e burrice, o
ano da burrice que (não esqueçamos) é “uma força da natureza”, o ano da volta
da pior estagflação que será um novo recorde (viva!) do risco Brasil crescendo
e do crescimento caindo, o ano do auge da rejeição popular, o ano das desculpas
do caixa 2, o ano do triste fim de Joaquim Levy, que foi convocado para Dilma
fingir que o obedecia, o ano da ascensão do Nelson Barbosa, dono de uma nova
ideologia: o “lulo-capitalismo” — com uma estrelinha vermelha no peito fingindo
de “liberal”, o ano de um ajuste fiscal que jamais será feito porque os
sindicatos preferem o desemprego dos operários a mexer em direitos dos pelegos,
o ano do MST financiado pelo governo, o ano dos 39 ministérios, o ano da
certezas teimosas, o ano do dólar disparado, fazendo-nos torcer para o país se
fu#&* e o dólar subir mais, o ano em que o PMDB roubou a cartilha do PSDB e
os tucanos ficaram sem projeto, o ano do grande Sérgio Moro, que provoca rostos
em pânico no Congresso, caras de fuinhas, de furões com medo, de cangurus
pálidos, de tamanduás trêmulos, uma exposição de bichos covardes, uma feira
agropecuária ali na Câmara, usando palavras solenes: “Minha honra”, “aleivosias
contra mim”, “minhas mãos limpas!”, todos querendo ostentar pureza, angelitude,
candor, com palavras encobrindo o despudor, a secular engrenagem latrinária que
funciona abaixo dos esgotos, abaixo dos cientistas políticos, o ano dos
intestinos da pátria ao vivo, os aumentos de patrimônio, os carrões, os iates,
as casas com piscinas em forma de vaginas, as surubas lobistas no Lago Sul, os
“fins justificando os meios” — dólares dentro de maletas pretas com a estrela
vermelha do PT, o ano das calúnias, injúrias e difamações, da euforia de
advogados enriquecendo e das promessas a Jesus para proteger os congressistas
salteadores, as mandingas, os despachos, as galinhas mortas na encruzilhada e
as esposas histéricas não comidas e sem amor, o uísque caindo mal, as
diarreias, as flatulências fétidas, os arrotos nervosos, os vômitos, o ano em
que finalmente vemos a cara suja do Brasil, o ano do Temer com sua cara de
mordomo de filme inglês de terror (apud ACM), em quem Dilma não confia, nem
ninguém, o ano do cuspe, o ano da porrada na Câmara e nas esquinas, o ano dos
palavrões, o ano da “merda” e da “puta que pariu”, o ano da inveja, o ano das
bundas, das periguetes, dos nudes, o ano das selfies, o ano dos babacas, o ano da
vaca louca, o ano da cachorra no ar, o ano da beira do abismo, o ano da
cracolândia, e, principalmente, o ano do satânico dr. Cunha, a prova máxima da
decadência pública, com a cara mostrando-lhe a alma e vice-versa, o ano da
marcha a ré, o ano dos ladrões “revolucionários”, o ano das alianças sujas, o
ano das ilusões perdidas, o ano do renascimento do Supremo Tribunal Federal , o
único orgulho brasileiro, com a PF e o MPF bombando, o ano que vai começar mais
uma vez e vai terminar mais uma vez daqui a um ano, deixando sempre a sensação
de esperança fracassada, até que comece um novo ano trazendo novas expectativas
sempre frustradas, até começar um novo ano.

Mas depois de tudo isso, bposso AFIRMAR COM CERTEZA ABSOLUTA QUE FOI O MELHOR ANO DE TODOS OS TEMPOS para
ResponderExcluirO Brasil, pois.........FOI
O ano que finalmente se DESCOBRIU,,TODA A LAMA QUE SEMPRE CORREU DEBAIXO DO pano nas instituições brasileiras, desde o Brasil colônia, e finalmente colocadas suas entranhas, ao conhecimento público da nação. Agora sim É MAIS FACIL LIMPAR, POIS SE CONHECE SUA ETIOLOGIA. É só APARECER MAIS UM MORO, MAIS UM SÓ, PARA QUE ESSE PRIMEIRO MORO NÃO SE SINTA SÓ........ E a limpeza geral possa SER FINALMENTE FEITA. Salve 2015.! O melhor ano de todos os tempos NO BRASIL, E QUE VENHA O CONCERTO EM 2016,
Para a felicidade de TODOS OS BRASILEIROS.