E agora,
Excelentíssimos Senhores Generais?
A vida na
caserna é repleta de jargões. Obviamente isso não ocorre
apenas no
meio militar, mas em todo lugar que reúne uma classe de pessoas que labutam em
prol de um objetivo comum. Isso contribui para criar afinidades e padrões de comportamento.
Lembro-me dos momentos vividos no ambiente acadêmico (bons tempos aqueles!) e a
linguagem própria do meio militar já se fazia corrente no nosso cotidiano.
Estudar era “meter o gagá”, "cepar"; um assunto de relevância, com grande possibilidade
de ser alvo de uma prova, era “bizu”; a luminária individual era “gagazeira”;
desequilibrar emocionalmente era “aloprar”; e entre tantos outros jargões, o
indivíduo que revelava medo ou temor era “encagaçado”; o destemido era
denominado “mafrudo”; o indeciso ou mesmo omisso era “bundão”.
Na aurora
da mocidade observávamos nossos superiores e, de acordo com suas atitudes
diante das diversas situações, classificávamos cada um de “encagaçado”,
“mafrudo” ou “bundão”.
Fazíamos
dos “mafrudos” nosso espelho, ridicularizávamos os “encagaçados” e jamais desejaríamos
ser, no futuro, como os “bundões”.
Já
amadurecidos, percebemos que fomos cruéis nos julgamentos de nossos superiores.
Por vezes pareciam ser o que representavam nossos jargões, entretanto o que
percebíamos como medo, destemor ou indecisão era, na realidade, uma avaliação mais
prudente levada a efeito por alguém que enxergava além do campo de visão da
nossa impetuosa juventude.
Dentro
dos rigores da disciplina, do elevado espírito de sacrifício, do permanente
exercício de amor à Pátria, da obstinada manutenção de valores cívicos e morais
nossa formação nos fez pessoas diferentes de muitos brasileiros que já
exercitavam a famigerada “lei de Gerson”, pois, para estes, o que importava era
levar vantagem em tudo.
Parece
que os militares pouco a pouco permitiram que o processo de globalização (moral)
invadisse os quartéis e começasse a destroçar os alicerces daqueles valores
construídos e exercidos por tão valorosos personagens da nossa História.
Assistimos,
impassivelmente, nossos vultos históricos serem substituídos por simples
animais, nas nossas cédulas de dinheiro; assistimos à paulatina ocupação da
Amazônia, por entidades estrangeiras, sob a égide de preservação do ambiente;
permitimos que nossos índios se distinguissem como nação indígena e não como um
segmento do miscigenado povo que forma a nação brasileira; indiferentes, vimos
a proliferação de ONG’s que se agigantam ocupando o lugar do poder público,
desviando recursos com finalidades duvidosas; admitimos participar de missões
de paz na Nicarágua, em Angola, no Haiti e outras partes do mundo, enquanto a
verdadeira guerra se desenrola dentro de nosso próprio território, com
indiscutível vitória do poder paralelo que rasga leis e normas, usufrui de
direitos brandindo armas sofisticadas, matando, roubando e impondo suas
esdrúxulas condições à sociedade indefesa; assistimos jovens, ainda com cheiro
de fraldas, instigados pela oposição, hoje no poder, a depor um presidente que
fez o mundo ver que existia um Brasil e assumiu responsabilidades porque não
deu a si o direito de dizer “eu não sabia, eu não sei de nada”... Ah! E os
generais? Onde estavam os guardiões desta terra enquanto tudo isso acontecia?
Tenho a impressão que já estavam globalizados, corrompidos pelo frenesi do
poder, incapazes de se divorciarem da luxúria.
Agora
sim, amadurecidos, com o olhar alcançando o que nossa juventude não permitia alcançar
e conhecendo o significado de prudência, vemos que existe uma tênue linha que
delimita a fronteira entre a disciplina e a covardia, então podemos classificar
melhor nossos generais e ver que, embora em outra escala, ainda existem
“encagaçados”, “mafrudos” e “bundões”.
Onde
estão nossos valter Pires, leônidas gonçalves, thaumaturgos soteros, pedrozos, helenos e
outros poucos “mafrudos”? Esses manifestavam seus pensamentos, colocando os
interesses do País acima de seus próprios interesses e vários deles foram sumariamente afastados e lançados ao ostracismo. Sei muito bem do que estou
falando porque fui duas vezes alvo de punição por apontar falhas, erros e falar
o que não se desejava ouvir. Muitos daqueles que agiram de forma omissa ou
indiferente continuam na pauta de promoções e designação de cargos importantes,
porque calados eles não atrapalham.
Assim, o
poder corrupto anestesia o cão de guarda da Nação e este não vê que o povo
ficou cognitivamente indefeso e que os programas sociais são equivocados:
– O
Programa Bolsa-família tem a finalidade de tirar a criança do trabalho para que
ela possa estudar e ser cidadão melhor sucedido que o seu genitor, mas como não
se fiscaliza a presença da criança na escola e nem se melhora o ensino básico,
essa criança será um adulto igual ou pior que o seu genitor – mas dá voto;
– O
Pro-Uni permite que o cidadão faça estudo de nível superior em entidade
privada, com subsídio federal, porque é mais fácil o ingresso nessa entidade do
que numa universidade federal onde o cidadão, por falta de conhecimento básico,
não tem capacidade de ingressar, então, o governo, em lugar de investir no
fortalecimento da base de conhecimento, facilita a formação de um profissional
sem requisitos mínimos que, com raríssimas exceções, será um profissional de
competência duvidosa, daí nosso inexpressivo índice na área de pesquisas e
patentes – mas dá voto.
No último
pleito eleitoral para Presidente da República, assistimos à tolerância de todos
os poderes constituídos – visivelmente corrompidos – ao emprego da “máquina do
governo” na maior campanha eleitoral (repleta de atos ilícitos) da história do
nosso País.
Dia 31 de
outubro de 2010, um dia triste para aqueles que viram seus esposos, filhos,
pais, parentes e amigos tombarem sem vida em defesa da democracia e hoje
assistem a seus algozes desfrutarem do sabor da vitória. Vem por aí uma série
de leis, normas, cartilhas, projetos e mais o que valha, para usurpar o que
muito cidadão demorou a vida inteira para construir, tudo em nome da
distribuição de renda e justiça social.
Convém
frisar que, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, a Presidenta(?) eleita
governará nosso País com uma inédita maioria no Congresso Nacional e estarão em
pauta direitos humanos, propriedade privada (rural – propriedade máxima de mil
hectares e urbana – não deverá haver imóvel desabitado), reforma previdenciária
profunda e outras ações que possam retirar do cidadão suadas conquistas do
passado.
Tudo isso
poderia ter sido evitado se, na sua maioria, os guardiões da Pátria não tivessem
poupado suas manifestações que, sabiamente, seriam bem argumentadas.
E agora,
Excelentíssimos Senhores Generais, vão se espelhar nos “mafrudos” ou continuar
perfilados entre os “bundões”?
Emidio
Alves Filho – TCel R1 Cav
Campo
Grande-MS, 31 de outubro de 2010
Esta
carta já tem cinco anos, mas ainda é atual em situação pior
BRASIL...!
Acima de tudo...!!!







BOMBEIROS JÁ COMEÇAM FALAR QUE VÃO PARAR GERAL SE PAGAMENTO NÃO FOR PAGO ATÉ 12/01.
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