segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Como o Brasil desmoronou?

Por Por Laura BONILLA

O que aconteceu com o Brasil? Como em apenas cinco anos esta potência emergente que prometia se tornar um gigantesco mercado para os países ricos e um país modelo para a região desmoronou?

O gigante latino-americano parece hoje à deriva, com a presidente Dilma Rousseff de mãos atadas pela ameaça real de um impeachment, tentando sobreviver a um tsunami desencadeado por um mega-escândalo de corrupção na Petrobras e pela pior recessão econômica em décadas.
"A imagem do Brasil é a pior possível, a de um país sem rumo, à deriva, sem comando, onde o capitão desapareceu", disse à AFP o analista político independente André César.
O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff aceito na quarta-feira por seu maior inimigo político, o poderoso líder da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, afasta a imagem da potência dos BRICS, que em 2010 registrava um crescimento espetacular de 7,5%.
Adeus otimismo
Agora, a apenas oito meses da realização no Rio de Janeiro dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, em agosto de 2016, o clima no país não é de otimismo, mas de desconfiança e incredulidade: o déficit fiscal cresce, o país perde 200.000 empregos todos os meses, a inflação se aproxima de 10%, a recessão econômica piora e segundo as previsões durará até o fim de 2016, convertendo-se na mais longa em 85 anos.
Não ajuda a queda dos preços das commodities, das quais o Brasil é um dos maiores exportadores do mundo, como o minério de ferro, consequência do menor apetite chinês. O Mundial de futebol de 2014 também não contribuiu para o país encher seus cofres, pelo contrário, o obrigou a assumir gastos extras para conseguir terminar seus estádios a tempo.
Mas os especialistas garantem que grande parte da crise deve-se a um excesso de gastos que se acumula há anos e à mega-fraude da Petrobras, que tem dezenas de poderosos políticos governistas e da coalizão atrás das grades, assim como alguns dos empresários e banqueiros mais poderosos do país.
Devido à crise política, às contas públicas no vermelho e à incerteza, o país perdeu o grau de investimento nas mãos da Standard and Poor's, enquanto Fitch e Moody's ameaçam seguir seus passos.
A Bolsa de São Paulo subia nesta quinta-feira mais de 4%, satisfeita com a notícia do impeachment da presidente.
"O setor privado tem zero confiança em seu governo e não está investindo nada no país, isso contribui para a recessão", alertou o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.
Primeira vítima: o ajuste fiscal
A crise política, com uma feroz guerra desencadeada entre o governo e o Congresso, é considerada a pior em quase um quarto de século, desde que o presidente Fernando Collor renunciou em 1992 em meio a um julgamento político contra ele por corrupção.
Neste momento, Dilma "não pode aprovar nada no Congresso, tem governabilidade zero", opinou, por sua vez, o cientista político Fleischer.
Para que comece o julgamento político no plenário do Senado, o pedido de impeachment deve ser aprovado por dois terços dos deputados, ou seja, 342 de um total de 513. Depois serão exigidos 54 dos 81 votos dos senadores para destituir a presidente.
O fiel da balança desta batalha que pode se arrastar por meses será provavelmente o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que integra a coalizão de governo, tem a maior força no Congresso e ao qual pertencem ironicamente tanto o vice-presidente Michel Temer quanto Cunha.
Mas não tão rápido, adverte Alberto Almeida, diretor do Instituto Análise.
"O mais provável é que o impeachment não ocorra. O governo leva vantagem, porque precisa de apenas um terço dos votos do plenário da Câmara para bloqueá-lo (172). E provavelmente tem estes votos, tem mais que estes", disse.

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