segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Mas, por qual motivo o Bradesco não fez diretamente com o Estado?

Consignado referente a 13º dos servidores estaduais sai hoje. Empréstimos já afetam 69% do funcionalismo



Servidores estaduais ativos e inativos podem, a partir de hoje, pegar o crédito consignado que garantirá o pagamento integral da segunda parcela do 13º salário. Apesar de o governo afirmar que arcará com os juros e as taxas das operações financeiras, funcionários, aposentados e pensionistas temem que o estado não honre os pagamentos, o que, na prática, os deixaria endividados com o Bradesco. Para ter o dinheiro em conta-corrente, cada um terá que fazer um empréstimo pessoal.
— O governo não paga e quer que a gente pegue, em nosso nome, esse empréstimo. Promete depositar o dinheiro na conta com juros. Mas e se isso não acontecer? O banco vai cobrar de nós — disse um policial civil, que não quis ser identificado.
Uma funcionária da Saúde tem o mesmo temor:
— Estou precisando, mas vou fazer o possível para não pegar esse dinheiro. Tenho medo. Quem me garante que o estado vai ter dinheiro para pagar?

Moradora de Vista Alegre, a pensionista Maria da Glória Nascimento, de 62 anos, já tem 13 consignados. Para tentar se livrar das dívidas, ela começou a trabalhar na loja de uma amiga:
— Desde que meu marido morreu, em 2003, as coisas ficaram difíceis. Esse ano foi o pior, já que não tivemos reajuste. E não consigo refinanciar a dívida porque tive 13 parcelas descontadas, mas o banco diz que o estado só repassou 12. Vou acabar tendo que recorrer a mais esse consignado.
Segundo a Secretaria estadual de Planejamento, 69% dos ativos do Executivo, 65% dos inativos e 47% das pensionistas estão endividados com descontos em folha. O levantamento mostra que 294 mil dos 464 mil ativos e inativos têm empréstimos dessa natureza. São 1,38 milhão de contratos, o que dá uma média de 4,7 transações para cada servidor que recorre à modalidade.



No inicio deste imbróglio sobre o 13º dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, vimos o governador dizer que contrataria empréstimo junto a uma instituição financeira (Bradesco) para honrar seu compromisso. Não aconteceu, ao invés disso, orientou os servidores a contratar consignado com a garantia do Estado.


Se o Estado não garantiu empréstimo junto a instituição financeira, como agora se propôs a consignar? Em breve o Bradesco será o recolhedor de todo o salário do funcionalismo deste estado.

O Estado não deposita meu dinheiro, fico sem condições de honrar meus compromissos com cartão de credito. O Banco Bradesco, detentor da folha do Estado e administrador de meu cartão de credito, deixa minha conta negativa no pagamento da fatura, mas o cartão de credito não é liberado. Após deposito de meus vencimentos com atraso, vem os juros e taxas da conta negativa bem como os juros do cartão de credito mais taxas. O Estado negocia com um banco empréstimo para honrar a folha de pagamento, sendo o Bradesco o mais provável. Assim, no fim das contas, nós estamos ajudando ao banco a emprestar este montante ao Estado, que pagará novamente dentro de algum tempo. Alguma duvida de que estamos sendo roubados pelos dois lados?


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