Uma
das principais publicações do segmento no mundo, a revista The Economist divulgou nesta
quarta-feira (30) a capa de sua primeira edição de 2016, que tem como principal
assunto o Brasil. Para a revista britânica, a “queda” brasileira irá se
concretizar no ano que está para iniciar, justamente quando o país será a
primeira nação sul-americana a sediar uma Olimpíada.
Os
Jogos Olímpicos são, inclusive, mote para a primeira crítica da The Economist –
uma vez que o país poderia corar a sua consolidação como emergente com o mega
evento. Para a publicação, Dilma Rousseff teve uma longa trajetória de
erros políticos e econômicos que criaram um cenário muito sério, que por sua
vez culminou com a saída de Joaquim Levy menos de um ano após assumir o
Ministério da Fazenda.
O cenário atual brasileiro é, para os investidores, pior
do que o da Rússia, que para 2016 tem uma expectativa de encolhimento da
economia em torno de 3%. “Apenas decisões difíceis podem trazer o Brasil de
volta a seu caminho”, diz a Economist, defendendo reformas na Previdência e na
legislação trabalhista.
O escândalo de corrupção na maior empresa do país, a
Petrobras, deflagrado pela Operação Lava Jato, é para o veículo o elo de
ligação entre os erros políticos e econômicos. O clima, já negativo, ficou
ainda mais hostil após as “trapalhadas” do PT e seus “aliados” – como, por
exemplo, o PMDB, do vice Michel Temer, que enviou uma polêmica carta de
desabafo à presidente recentemente.
Outra medida que denuncia a situação preocupante do país é
a queda da nota de investimento por parte da agência Fitch, poucos meses depois
da Standard & Poor’s fazer o mesmo. Para a Economist, os gastos de
previdência no Brasil também são muito altos: 12% do PIB. “A fatia é maior do
que a praticada no Japão, um país mais rico e mais velho.”
Um ponto positivo na análise da revista é o novo nome na
Fazenda, Nelson Barbosa, pois tem “poder de barganha e suporte político
no PT”. Porém, caso Dilma não implemente mudanças necessárias para voltar a
crescer, o cenário poderá ser de retrocesso.
“A conquista do Brasil foi tirar dezenas de milhões de
pessoas da pobreza. A recessão poderá paralisar ou mesmo reverter este
processo”, diz a Economist, que admite não estar confiante quanto à eventual
reação brasileira. “Neste momento, Dilma Rousseff não parece ter estômago.”

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