Na véspera da posse da nova legislatura opositora,
o novo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, o opositor Henry Ramos Allup, foi
impedido nesta segunda (4) de entrar no prédio administrativo do Parlamento e
teve de ser escoltado por policiais para não ser agredido.
Em meio a uma escalada de hostilidades governistas que prenunciam extrema
tensão na cerimônia desta terça-feira (5), chavistas também saquearam
equipamentos do canal de TV parlamentar, cujo sinal foi tirado do ar.
Grupo chavista vaia opositor Ramos Allup e bate em seu carro, que teve se ser escoltado
Ramos Allup foi barrado no início da tarde, quando tentava
ingressar nas dependências da sede administrativa para, segundo ele, emitir
documentos relativos à sua declaração de imposto de renda como deputado, cargo
que exerce desde 2010.
Funcionários chavistas
fecharam as portas do prédio, e o chefe de segurança anunciou a Ramos Allup que
não lhe permitiria acesso.
“Se eu tivesse argumentado que
era meu direito constitucional, [o chefe de segurança] teria sacado uma
pistola. Então, com muita prudência, me retirei do local”, relatou o deputado,
que chamou a reação de “primitiva.”
Ao se retirar, ele foi cercado
e insultado por manifestantes, obrigando agentes da Guarda Nacional Bolivariana
a intervir para levá-lo até seu carro. Um grupo bateu no veículo com as mãos.
O episódio acirra temores de
confronto entre simpatizantes da aliança opositora MUD (Mesa da Unidade
Democrática) que tomarão as ruas para celebrar a posse e grupos civis armados
pelo chavismo que prometem mobilização para resistir à “Assembleia burguesa.”
Tensões também são alimentadas
pelo anúncio da MUD de que vai ignorar decisão da Justiça que invalidou a
eleição de três deputados antichavistas.
O Tribunal Superior de Justiça
(corte suprema) acatou pedido do governista PSUV (Partido Socialista Unido da
Venezuela) para impugnar resultados das urnas no Estado de Amazonas, sob
alegação de compra de votos. A medida também suspendeu a proclamação de um
deputado do PSUV. A corte não disse se haverá novas eleições locais.
A MUD diz que a manobra visa a
torpedear sua supermaioria obtida na eleição de 6 de dezembro. Caso perca três
deputados, a aliança ficaria com 109 das 167 cadeiras, o que implicaria o fim
da maioria de dois terços, que permite emendar a Constituição, aprovar
Constituinte ou destituir altos funcionários.
A oposição fez apelo aos
militares para que garantam a ordem constitucional.
O ministro da Defesa, Vladimir
Padrino López, disse que as Forças Armadas são respeitosas do Estado de
Direito, mas também “profundamente bolivarianas e revolucionárias.”
OUTRAS
MANOBRAS
Manobras do governo para
esvaziar poderes da nova legislatura também incluem a substituição, no apagar
das luzes do atual Parlamento, de 13 dos 32 magistrados do TSJ, num claro
esforço para blindar o Executivo nos embates contra o Legislativo.
Os novos magistrados, cuja
nomeação dificilmente será revertida, ficarão no cargo por 12 anos. Eles foram
apontados após os antecessores serem aposentados mais de um ano antes do prazo.
O governo criou, ainda, um
Parlamento Comunal, que poderá se reunir quando quiser na Assembleia e aprovar
leis “em favor do povo”.
Link: Mais

É TEM GENTE PRA TUDO MESMO...
ResponderExcluir