terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Chavistas acirram confronto e hostilizam líder da oposição

Na véspera da posse da nova legislatura opositora, o novo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, o opositor Henry Ramos Allup, foi impedido nesta segunda (4) de entrar no prédio administrativo do Parlamento e teve de ser escoltado por policiais para não ser agredido.
Em meio a uma escalada de hostilidades governistas que prenunciam extrema tensão na cerimônia desta terça-feira (5), chavistas também saquearam equipamentos do canal de TV parlamentar, cujo sinal foi tirado do ar.


                             Grupo chavista vaia opositor Ramos Allup e bate em seu carro, que teve se ser escoltado

Ramos Allup foi barrado no início da tarde, quando tentava ingressar nas dependências da sede administrativa para, segundo ele, emitir documentos relativos à sua declaração de imposto de renda como deputado, cargo que exerce desde 2010.
Funcionários chavistas fecharam as portas do prédio, e o chefe de segurança anunciou a Ramos Allup que não lhe permitiria acesso.
“Se eu tivesse argumentado que era meu direito constitucional, [o chefe de segurança] teria sacado uma pistola. Então, com muita prudência, me retirei do local”, relatou o deputado, que chamou a reação de “primitiva.”
Ao se retirar, ele foi cercado e insultado por manifestantes, obrigando agentes da Guarda Nacional Bolivariana a intervir para levá-lo até seu carro. Um grupo bateu no veículo com as mãos.
O episódio acirra temores de confronto entre simpatizantes da aliança opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática) que tomarão as ruas para celebrar a posse e grupos civis armados pelo chavismo que prometem mobilização para resistir à “Assembleia burguesa.”
Tensões também são alimentadas pelo anúncio da MUD de que vai ignorar decisão da Justiça que invalidou a eleição de três deputados antichavistas.

O Tribunal Superior de Justiça (corte suprema) acatou pedido do governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) para impugnar resultados das urnas no Estado de Amazonas, sob alegação de compra de votos. A medida também suspendeu a proclamação de um deputado do PSUV. A corte não disse se haverá novas eleições locais.
A MUD diz que a manobra visa a torpedear sua supermaioria obtida na eleição de 6 de dezembro. Caso perca três deputados, a aliança ficaria com 109 das 167 cadeiras, o que implicaria o fim da maioria de dois terços, que permite emendar a Constituição, aprovar Constituinte ou destituir altos funcionários.
A oposição fez apelo aos militares para que garantam a ordem constitucional.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, disse que as Forças Armadas são respeitosas do Estado de Direito, mas também “profundamente bolivarianas e revolucionárias.”

OUTRAS MANOBRAS
Manobras do governo para esvaziar poderes da nova legislatura também incluem a substituição, no apagar das luzes do atual Parlamento, de 13 dos 32 magistrados do TSJ, num claro esforço para blindar o Executivo nos embates contra o Legislativo.
Os novos magistrados, cuja nomeação dificilmente será revertida, ficarão no cargo por 12 anos. Eles foram apontados após os antecessores serem aposentados mais de um ano antes do prazo.
O governo criou, ainda, um Parlamento Comunal, que poderá se reunir quando quiser na Assembleia e aprovar leis “em favor do povo”.

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