DILMA PENSA
GOVERNAR UM PAÍS DE DEVOTOS CRENTES E
DESMEMORIADOS – POR DORA KRAMER.
Num dos mais
duros artigos já publicados na imprensa brasileira em desfavor de Dilma
Rousseff, a Jornalista Dora Kramer escreve no jornal o Estado de São Paulo
deste domingo, 03 de janeiro. Arrasa por completo um artigo assinado pela
presidente e publicado na Folha, dia 01 de janeiro. Dora Kramer, coloca em
dúvida, inclusive, sua sanidade mental de Dilma que pode estar “imaginando” que
o povo brasileiro é composto por uma turba de idiotas e ignorantes…
Diz Dora: “ Já
no primeiro dia de 2016, a presidente da República perdeu mais uma vez a
oportunidade de falar a sério com a sociedade brasileira e, com isso, recuperar
algum crédito diante do Brasil e do mundo. Em artigo assinado na Folha de S.
Paulo, Dilma Rousseff persistiu nas justificativas falsa para a crise, insistiu
em distorcer a realidade e continuou a se posicionar como se governasse um país
de devotos crentes e desmemoriados”.
… Da
retrospectiva enganosa da presidente da República passa às perspectivas.
Já
no primeiro dia de 2016, a presidente da República perdeu mais uma vez a
oportunidade de falar a sério com a sociedade brasileira e, com isso, recuperar
algum crédito diante do Brasil e do mundo. Em artigo assinado na Folha de S.
Paulo, Dilma Rousseff persistiu nas justificativas falsas para a crise,
insistiu em distorcer a realidade e continuou se posicionando como se
governasse um país de devotos crentes e desmemoriados.
No
enunciado do balanço de 2015, a presidente propõe uma reflexão sobre “erros e
acertos” do ano, indicando a disposição de rever suas responsabilidades “com
humildade e perspectiva histórica” a fim de superar dificuldades e contrariar
as previsões de que dias piores virão.
Os
dois parágrafos iniciais injetam no leitor a esperança de que a presidente da
República tenha se dado conta dos males causados por suas decisões e que vá
finalmente rever atitudes colocando o dever de estadista acima de suas crenças,
características de temperamento e conveniências partidárias.
A
leitura completa do longo texto, no entanto, se encarrega de desmontar a mais
otimista das expectativas. A começar pela referência a “acertos” na tentativa
de amenizar a dimensão dos erros. Quais acertos? Na ausência de algum de efeito
substantivo, restam a Dilma números que compuseram o roteiro do filme já visto
na campanha eleitoral.
A
“humildade” prometida na revisão de suas responsabilidades na crise econômica
cai por terra quando a presidente atribui, de novo, a situação a fatores
externos combinados com a necessidade de, internamente, alterar a rota na
condução da economia. Mudança esta, sabemos todos, imposta pelo desastre
iniciado quando da substituição dos assentados pressupostos da estabilidade
pelo populismo aliado ao voluntarismo ideológico.
Na
abordagem da crise na política, a presidente obedece ao mesmo critério de
agressão aos fatos. De acordo com sua narrativa, “a instabilidade política se
aprofundou por uma conduta muitas vezes imatura de setores da oposição que não
aceitaram o resultado das urnas”.
Note-se,
a culpa é da oposição que exatamente por aceitar o resultado da eleição, seguiu
a vontade do eleitor e se opôs ao governo. A crise, na versão da presidente,
nada tem a ver com seus atritos e equívocos permanentes na relação com o
Congresso e partidos aliados, aqui em destaque a tentativa amadora de dar
rasteiras nos profissionais do PMDB.
Da
retrospectiva enganosa a presidente da República passa às perspectivas
falaciosas. Começa prometendo uma reforma da Previdência a partir do diálogo
com empresários e trabalhadores, mercadoria que não tem condições de entregar.
Pelo simples motivo de que as partes falam linguagens opostas no tema e o
governo não sabe, não pode ou não quer arbitrar questão alguma.
A
retomada das atividades do setor produtivo mediante reformas estruturais
necessárias será, na palavra da presidente, possível por intermédio de debates
no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Um fórum inútil desde o
início do primeiro governo Lula.
No
quesito promessa vã, a presidente reafirma disposição de completar a “reforma
administrativa” iniciada em 2015. Aos números da referida reforma: dos três mil
cargos comissionados a serem cortados, foram extintos 346; da redução de
ministérios, apenas sete secretarias das 30 prometidas tiveram suas atividades
encerradas; da economia prevista de R$ 200 milhões, o governo realizou bem
menos de 10%: R$ 16 milhões.
A
presidente conclui dizendo que “todos esses sinais” dão a ela a certeza de que
2016 será melhor. Convicção da qual o País não tem motivo para compartilhar.



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