Rodrigo Constantino
O ano de 2016 começou muito bem, após o impeachment da
presidente Dilma. O novo presidente Michel Temer fechou um acordo com o
PSDB, e Arminio Fraga assumiu a Fazenda, com Gustavo Franco no comando do Banco
Central. Na mesma linha da Argentina de Macri, o Brasil
começou a desfazer algumas das imensas trapalhadas socialistas, colocando o
país novamente na rota do crescimento.
Bastou o choque de credibilidade perante os investidores e
empresários para que os indicadores começassem a melhorar.Empresas retiraram
os projetos de investimento da gaveta, sacudiram a poeira e foram ao trabalho,
apesar de o ambiente ainda ser muito hostil aos negócios no Brasil. Estavam
apostando no futuro, nas mudanças anunciadas, na qualidade dos novos técnicos.
O Ibovespa, após perder mais de
dois terços de valor real na era Dilma, recuperou-se com uma alta de 70% no
ano. Eram os ativos nacionais se valorizando, permitindo maior
captação de recursos para investimentos produtivos. A
inflação regressou para o centro da meta, de 4,5% ao ano. A
atividade econômica, que caíra quase 4% em 2015 e
estava prevista para cair mais uns 3% em 2016, caso Dilma continuasse no poder,acabou
zerada no ano, com o terreno pronto para um crescimento razoável já em
2017.
Longe do ideal liberal e agindo mais por necessidade do que
convicção, como foi no Plano Real, a nova coalização de centro partiu para
reformas importantes, como a previdenciária, e retomou o plano de
privatizações. A mais importante foi, sem dúvida,a
Petrobras, o que acabou com a farra do “petrolão” e
salvou a empresa de uma iminente falência.
O resultado foi incrível, como tinha sido antes na Vale, na
Embraer, na Telebras. Mais empregos foram gerados, mais
impostos foram recolhidos, pois mais lucro havia sido produzido por sócios
interessados na sobrevivência da empresa sem muletas estatais. Os
trabalhadores eficientes foram recompensados, e os que viviam apenas
encostados na era estatal foram demitidos. Meritocracia
era o novo lema. O Brasil deixaria de ter a gasolina mais
cara do mundo em poucos anos.
A Operação Lava-Jato seguiu seu curso, e houve uma grande festa
nacional quando o ex-presidente Lula foi preso. Milhões
de pessoas saíram pacificamente às ruas para celebrar, famílias lotavam as
principais avenidas, e o “exército de Stédile” nada pôde fazer. Os
militantes da CUT, da UNE e do MST, sem mortadela e sem tetas estatais
para mamar, abandonaram o PT. O clima era de união, não de intolerância, como
aquele fomentado pela esquerda radical.
A derrota do PT tinha reacendido a chama da esperança nos
brasileiros. O governo tampão não era perfeito, estava longe do ideal,
de algo realmente novo. Mas era infinitamente melhor do que o lulopetismo, o
que não é difícil. Não havia aquele DNA totalitário, a incompetência somada à
arrogância, o fator ideológico dominando cada decisão. O Mercosul finalmente
expulsou a Venezuela por não atender à cláusula democrática, e o foco passou a
ser em acordos bilaterais de livre comércio.
A entrada da Fox News Brasil mexeu com a imprensa, pois
os liberais e conservadores tinham mais voz agora, e o viés de esquerda da
grande mídia ficava mais evidente para o público, antes refém de uma hegemonia
“progressista”. Chico Buarque, defensor
da ditadura cubana e do PT, descobriu não ser uma unanimidade, e vários
pensadores cantaram “Cálice” para
o sambista, terminando com um “apesar de você, amanhã há de ser
outro dia”. A festa era contagiante e bemhumorada,
sem espaço para o típico rancor socialista.
Ia tudo muito bem, quando uma dor de cabeça bateu forte.
Ressaca? Talvez, mas o consumo de álcool não fora tão grande assim. Levei
automaticamente a mão à cabeça, contraindo os músculos faciais. E abri os
olhos, dando de cara com a claridade. Era dia
1º, e horror dos horrores: Dilma ainda era a presidente do Brasil. O duro
choque de realidade chegou a machucar, a doer.
A economia ainda estava nas mãos da turma inflacionista da
Unicamp, e Nelson Barbosa era o ministro. A destruição
do Brasil continuaria em alta velocidade. A segregação do povo em “nós contra
eles” continuaria com força total. A hipocrisia dos artistas e “intelectuais”
que pregam mais “tolerância” enquanto aplaudem as ditaduras venezuelana e
cubana, que perseguem seus opositores, continuaria impune.
Pobre país, ainda tomado por essa gente inescrupulosa, incompetente
e corrupta. Acordar do sonho foi o verdadeiro pesadelo. Caberá a nós,
brasileiros decentes, lutar para transformar o sonho em realidade...


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