A
escassez de produtos básicos que assola a Venezuela continua a criar situações
que demonstram a difícil situação econômica do país, onde a inflação calculada
por analistas independentes chega a 270% ao ano. De acordo com uma matéria
publicada pelo diário “Correo del Caroní”, os pacotes de leite em pó chegaram
às prateleiras, mas não são consumidos por seu alto valor. De acordo com o
jornal, do município de Guayana, o preço de um quilo de leite em pó (2.125
bolívares), representaria o equivalente a 22% do salário mínimo, atualmente em
9.648 bolívares.
Segundo
o câmbio oficial, o valor do quilo de leite em pó seria equivalente a R$ 1.269,
e o salário mínimo a R$ 5.760. No entanto, segundo o diário argentino “La
Nación”, a desvalorização da moeda venezuelana faz com que o bolívar valha, no
câmbio paralelo, apenas 1% de sua cotação oficial — o que significaria um preço
de pouco mais de R$ 12 para o leite, e salários mínimos com valor próximo a R$
57.
A crise
também foi tema de um encontro de militantes do Partido Socialista Unido da
Venezuela (PSUV) na tarde de ontem. Em discurso, o governador do estado de
Vargas, Jorge García Carneiro, afirmou que a crise no país é parte de uma
“guerra psicológica”.
— Para
nós, não há escassez. O que há é o amor e a pátria — minimizou.
Claro,
tudo não passa de uma “guerra psicológica”, e quem precisa de leite quando se
tem “amor” pela pátria? Na verdade, os gananciosos empresários, que só pensam
em lucrar, deliberadamente aumentam o preço dos produtos, só para ferrar com os
mais pobres e desestabilizar a grande revolução popular. O mais triste – ainda
que engraçado – é pensar que tem muito aluno imbecilizado que repete exatamente
esse tipo de discurso por aí, inclusive em nossas universidades. Foram
lobotomizados pelos “professores” marxistas, que só não explicam como apenas os
empresários venezuelanos podem ser tão gananciosos, já que o leite é abundante,
barato e acessível nos países capitalistas, supostamente os mais gananciosos de
todos.
Enquanto
a Venezuela se afunda de vez em mais um
experimento fracassado do socialismo, como totalmente previsto pelos liberais,
o governo Dilma finge que subiu o tom com os companheiros de lá. O
chanceler Mauro Vieira receberá nesta sexta-feira (29) a colega venezuelana,
Delcy Rodríguez, para tratar de temas que vêm gerando desconforto na relação
bilateral, segundo a Folha apurou. O encontro com Vieira
ocorrerá a pedido de Caracas. O governo chavista pretende “esclarecer” sua
posição em meio ao acirramento da escalada das tensões deflagrada pela vitória
da oposição na eleição parlamentar de dezembro. Diz a reportagem:
A
visita dos ministros decorre em boa parte da estranheza que os posicionamentos
do Brasil acerca da eleição venezuelana causaram no governo do presidente
Nicolás Maduro.
Antes
do pleito, a presidente Dilma Rousseff havia despachado à Venezuela o assessor
especial do Planalto para temas internacionais, Marco Aurélio Garcia, para entregar
pessoalmente a Maduro uma carta na
qual o Brasil questionava ameaças de Caracas de não respeitar o resultado das
urnas e pedia garantias de segurança para os eleitores.
Dias
depois, o Itamaraty divulgou nota condenando “com firmeza” o assassinato
de um político opositor em
pleno ato de campanha no interior da Venezuela.
“O
governo brasileiro recorda que é da responsabilidade das autoridades
venezuelanas zelar para que o processo eleitoral que culminará com as eleições
no dia 6 de dezembro transcorra de forma limpa e pacífica”, disse a nota.
De
fato, nós “quase” acreditamos que o Marco Aurélio “top top” Garcia foi reclamar
com seus velhos companheiros de luta comunista! Mas calma que a coisa continua:
Fontes
do Itamaraty dizem que a preocupação da Venezuela com a opinião do Brasil e de
outros países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) é “bastante positiva”
por mostrar que o governo venezuelano segue “aberto ao diálogo.”
A
Venezuela também busca reaquecer a relação com o Brasil para minimizar rusgas
causadas pelas grandes dívidas com empresas brasileiras.
As
maiores pendências estão relacionadas a dezenas de contratos bilionários com
construtoras como Odebrecht e Camargo Correa. Valores dos contratos são
mantidos em sigilo, o que leva ONGs locais a militar constantemente por mais
transparência. Muitas obras estão paradas por falta de pagamento.
Outras
empresas afetadas são as do setor aéreo. A Gol tem o equivalente a R$ 351
milhões retidos na Venezuela devido a distorções de câmbio. A empresa já
reduziu a frequência de 28 para 2 voos semanais desde 2014 e estuda cortar a
linha.
A TAM,
que opera a mesma rota uma vez por semana, tem R$ 161 milhões bloqueados no
país.
Traduzindo:
os companheiros destruíram a democracia faz tempo, perseguiram opositores,
fecharam jornais e tomaram canais de televisão, usaram milicianos cubanos para
intimidar os protestos da população, confiscaram ativos de empresas
brasileiras, e enquanto tudo isso ocorria a Venezuela foi convidada para entrar
no Mercosul, ignorando-se a cláusula democrática. Aí o governo Dilma manda uma
cartinha e jura que agiu com firmeza contra os eventuais abusos do governo
tirano, que foi apoiado desde o começo por Lula, Dilma e o PT. E ainda
demonstra esperança, pois os tiranos estão claramente “abertos ao
diálogo”.
Seria
cômico, não fosse trágico. É análogo a um sujeito que convida o estuprador para
sua casa, para tomar um chá das cinco, enquanto defende publicamente que o
estuprador é, no fundo, um grande sujeito, quase um candidato a santo. Aí o
estuprador faz o que sabe fazer, i.e., estupra as mulheres da casa, e o
proprietário emite uma notinha, “cobrando” explicações e dizendo que não se
pode tolerar nada fora das regras. É como se falasse ao estuprador: “Poxa, pega
leve aí, estupra, mas não mata…”
O
governo Dilma é realmente patético! O PT é cúmplice de Maduro, do chavismo, do
socialismo do século XXI, que leva ao mesmo resultado daquele do século XX. E
agora que vê a vaca indo pro brejo, simula um distanciamento que simplesmente
não existe! Como recordar é viver, lá vai:
É muita
cara de pau desses petistas mesmo! Como diz o editorial do GLOBO de hoje, está
cada vez mais claro para todos que o lulopetismo e o chavismo são duas faces da
mesma moeda:
Além do
Brasil, contribui para o resultado negativo latino-americano a Venezuela, pela
exuberância de sua recessão: de 10% no ano passado, e 8% em 2016. Se os dois
países forem retirados dos cálculos, o continente não aparece em recessão. Cai
a média do crescimento, mas ele não fica negativo.
Realiza-se,
então, por ironia, o sonho de bolivarianos que trabalham em Brasília: Venezuela
e Brasil, enfim, juntos. Como exemplos a não serem seguidos. Juntos num
desastre econômico, político e com impiedosos reflexos sociais. É certo que há
diferenças marcantes entre os dois países, e a favor do Brasil. A principal
delas a solidez das instituições republicanas. Estas foram destroçadas pelo
chavismo bolivariano. Haja vista a enorme crise político-institucional em que se
encontra a Venezuela de Nicólas Maduro, ungido pelo próprio Hugo Chávez seu
sucessor: o governo se recusa a aceitar a vitória da aliança oposicionista nas
eleições parlamentares, e para isso usa os aparelhos chavistas que foram
instalados no Judiciário e em todo o Estado.
O
aparelhamento do setor público, incluindo estatais, é lição da cartilha
chavista de tomada do poder sob um simulacro de democracia. O lulopetismo
tentou aplicar a mesma tática no Brasil, mas foi em parte frustrado pelas
instituições.
Mas os dois
países, sob o chavismo e o lulopetismo, comungam ações intervencionistas na
economia. E por isso dividem a responsabilidade em jogar a América Latina na
recessão.
Gostaria
de ter a mesma confiança do jornal em nossas “instituições republicanas”, pois
quando vejo o grau de aparelhamento da máquina estatal, fico bem assustado. Mas
sem dúvida o Brasil resistiu mais aos avanços socialistas, aqui representados
pelo PT. O que não impediu, até agora, que seguíssemos em rumo semelhante. O
estrago da economia já começou em proporção bem alarmante. Com mais 3 anos de
Dilma, se não houver impeachment e isso acontecer mesmo, quem sabe não
chegaremos ao ponto em que o leite é um desejado bem de luxo para poucos?
A carne
o brasileiro já começou a cortar, com a sugestão de que seja substituída por
ovos segundo Lula, o maior responsável pela lambança toda. Pelo visto, nossos
empresários começam a ficar bem gananciosos também, à medida que o “sucesso” da
revolução popular do PT avança. Melhor, por via das dúvidas, começar a estocar
leite em pó…
Rodrigo Constantino

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