Gen Clovis Purper Bandeira
Editor de Opinião do Clube Militar
Ao iniciar a redação deste
despretensioso artigo, quase cometo um ato falho, levado pelo hábito de desejar
aos amigos, nesta época, um próspero Ano Novo.
Seria, no entanto, muito cinismo deixar de considerar as péssimas perspectivas
que nos reserva o ano de 2016, possivelmente pior do que o ano negro de 2015.
Além da baixíssima probabilidade de melhorar a vida do povo brasileiro adotando
políticas de mais do mesmo, o que já não deu certo no Brasil nem em lugar
algum, o ano vindouro ainda será prejudicado por vários aspectos que
dificultarão nossa vida.
Estamos em recesso, como ocorre sempre no final e no início do ano. Esse
recesso, que deveria durar, no máximo, até a metade de janeiro, será prolongado
sem reclamações até o início de fevereiro, quando teremos o Carnaval – festa
que, em algumas regiões, se prolonga por duas ou três semanas.
Depois das festas de Momo começa o ano para valer, inclusive o ano escolar e
político.
Será novamente
interrompido pelas Olimpíadas Rio 2016, que se prolongarão de 5 a 21 de agosto,
seguidas dos Jogos Paralímpicos (não mais paraolímpicos, como sugere o bom
senso), de 07 a 18 de setembro. No Rio de Janeiro, principalmente, para
facilitar o trânsito das delegações e dos profissionais da imprensa e turistas,
muitos desses dias serão feriados.
Além disso, o mês de
setembro também será palco das campanhas eleitorais para as eleições municipais
de 2016, quando todos os municípios brasileiros elegerão prefeitos,
vice-prefeitos e vereadores. Comícios, passeatas, mobilizações, espera-se que
pacíficas, ocuparão corações e mentes dos brasileiros, que também estarão
acompanhando as competições paralímpicas.
Dia 2 de outubro,
primeiro domingo do mês, eleições gerais, em todos os municípios do país. Nas
capitais estaduais e em mais 86 cidades com mais de 200.000 habitantes, há a
possibilidade de um segundo turno das eleições, previsto para o dia 30 de
outubro. Onde houver segundo turno, durante o mês de outubro intensificar-se-á
o esforço dos candidatos na busca dos votos.
Em meio a tantas
atividades fora do comum, a agenda política prosseguirá em andamento, com a
luta para impeachment,
cassação, demissão ou o que seja da Presidente da República e dos presidentes
da Câmara e do Senado federais.
A economia, durante
todo o tempo, nos proporcionará sustos e perdas de toda a ordem, através da
inflação, desemprego, déficits e perdas de grau de investimento, crises de
crédito e cambiais, apesar da mudança de alguns atores do cenário econômico,
sem mudanças estruturais que acendam qualquer esperança quanto à qualidade de
vida nacional em 2016.
Por tudo isso, se
fosse pessimista deveria desejar felicidade para 2019, quando assumiria um novo
Presidente da República, eleito em 2018 para suceder Dilma, que se arrastaria
na presidência até o fim de seu mandato.
Como otimista
incorrigível, apesar de todas as tendências e expectativas em contrário, ouso
esperar que as causas principais de nossa agonia nacional sejam removidas em
2016, o que me permite desejar a todos um Feliz Ano Novo de 2017. E que 2016
nos seja leve e breve.

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