terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Desmilitarizar interessa a quem?

Fala-se muito em desmilitarizar as PMs, sem no entanto esclarecer o novo regramento a que estariam submetidos. A Polícia Civil tem forte apelo corporativo, tanto que na época do “Termo Circunstanciado” criaram empecilhos para sua execução pela PM.

O PM, principalmente os praças, só vislumbram se livrar do regulamento disciplinar, esquecendo-se que em toda organização, seja civil ou militar sempre haverá um regramento hierárquico e disciplinar. Os abusos são inerentes ao “mau caratismo”, não a condição corporativa.


Outro ponto é que o efetivo desta “polícia desmilitarizada” seria o mesmo, os vícios, o mau caratismo e abusos não seriam diluídos. O coronel continuaria a ser o “chefe” neste novo modelo e o soldado e demais praças, os subordinados, os executores de ordens. Ou acham que seria diferente?


Temos uma Força “alienígena” agindo no território nacional, é a Força Nacional de Segurança (hierarquia militar), com armamento comprado não sei como e efetivo pertencente às policias estaduais. No caso de desmilitarização, como se manteria esta Força Nacional? Não se esqueçam da Polícia Nacional Bolivariana, estritamente a serviço do governo venezuelano, com varias acusações de mortes contra a sociedade, desaparecimentos e uso de armamento pesado e letal.

Outra ilusão que percorre as mentes de PMs menos esclarecidos é o “ciclo único”, como se fosse possível adentrarem todos numa mesma porta e galgarem a ultima posição hierárquica, o que é impossível. Todo regramento hierárquico funciona como um funil, onde na entrada são muitos e no final saem poucos. 

Enquanto militar, ainda mantemos 30 anos de serviço, licenças especiais e contagem em dobro na passagem para a reserva, enquanto no novo modelo tudo é uma incógnita.

Creio sim num futuro com polícia desmilitarizada, mas somente numa sociedade ordeira, pacifica e civilizada. No momento a situação é instável e, o único intuito com essa desmilitarização é o rompimento do elo das PMs e BMs com o Exercito , que não poderia mais contar com valioso efetivo.



Os Amarildos e figurantes maquiados das manifestações vão sendo instrumentos para justificar esta “desmilitarização”, mas esquecem-se dos “exércitos” nas favelas e seu poderoso armamento, bem como das figuras da esquerda que a todo momento ameaça seus opositores com um tiro de fuzil na cabeça, para depois serem jogados numa “boa cova”.


O Brasil está em guerra contra criminosos comuns e organizados que matam violentamente cerca de 60 mil brasileiros por ano, aproveitando-se da permissividade e da impunidade criada constitucionalmente pelos demagogos e pelos terroristas sobreviventes da luta armada dos anos 60 e 70.

Como, então, afirmar que a Polícia tem que ser desmilitarizada, evitar o combate e ser mais “cidadã”, se o cidadão é a principal vítima dessa guerra? Como, em plena guerra, mudar o protagonismo dos Policiais, passando-os de combatentes a serviço da lei e da ordem para vítimas preferenciais da criminalidade?
(General Paulo Chagas)

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