quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

“E AGORA?”

O PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR:
“E AGORA?”

Gen Gilberto Pimentel

Presidente do Clube Militar

Discutir se esses dias de folia foram bons ou ruins é bobagem. Ao lado do futebol, Carnaval é ópio do povo, parafraseando Karl Marx. Para o bem e para o mal, o brasileiro não passa sem eles. Só não podemos é achar que sejam o final dos tempos. A volta ao mundo real é agora.
E parece oportuno recordar o que diz a velha canção de Vinicius de Moraes: “acabou nosso carnaval, ninguém ouve cantar canções…pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê”. Só que naqueles dias, no entendimento do poeta, havia “promessas de luz”. Será que a luz se fez? Bem, deixa pra lá! O que sei é que hoje, o que há diante de nós é uma profunda e quase completa escuridão. Parece não ter fim.
Qualquer pessoa minimamente responsável sabe que o momento não é propriamente para festas. Ao contrário, o que necessitamos é de um grande mutirão, também ético e moral, para fazer frente à quadra mais crítica da história republicana do Brasil.
Quem aqui chegue e não nos conheça, sequer poderia imaginar que há poucos meses sofremos uma das maiores tragédias ecológicas do planeta sem que providências à altura tenham sido tomadas pelo governo; que o país, às vésperas de sediar o evento máximo do mundo esportivo, é o centro das atenções, ameaçado por uma epidemia de proporções arrasadoras; que há um caos generalizado na área de saúde; que o desemprego atinge índices assustadores; que a inflação saiu do controle; que a corrupção foi institucionalizada; que a nossa maior estatal está falida, assaltada pelos próprios dirigentes; que a economia está paralisada; que a crise política se avoluma a cada dia; e que uma enorme parcela de políticos, incluindo os chefes dos poderes constituídos e um ex-presidente da República, estão prestando contas à Justiça.
Enfim, nosso país está incapacitado de mover-se por si só, mas, pior, não está parado, pois como um veículo sem freio que tenha sofrido uma pane durante a subida de uma ladeira, desliza célere e sem controle com seus ocupantes olhar fixo para a retaguarda na expectativa do choque inevitável. É assim mesmo, regredimos e vamos continuar regredindo, olhando para trás. Jogamos no lixo tantas e tantas conquistas. Voltamos às piores companhias na comunidade internacional.
A crise é Brasília, tem nome e endereço. Exatamente a das autoridades constituídas, os donos dos Poderes. Só seguiremos adiante quando o povo entender que é condição fundamental uma faxina geral. Eles têm que pagar pelos crimes cometidos.
Para enxergar alguma nesga de luz, voltemos nossos olhares para os lados de Curitiba. Vamos às ruas para apoiar e incentivar a ação da Justiça que vem de lá. Façamos com que contamine a todos.
E uma vez mais repetindo Vinicius, “quem me dera viver pra ver e brincar outros carnavais com a beleza dos velhos carnavais”

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