Dentro da estrutura da FAB (Força
Aérea Brasileira) existe, em Brasília, um grupo chamado GTE (Grupo de
Transporte Especial), que é o responsável pelo transporte aéreo do Presidente
da República, Ministros e demais autoridades. Fora o avião presidencial, essa
frota dispõe de 15 aviões, desde jatos executivos até aviões com capacidade de,
aproximadamente, 50 passageiros. Alguns modelos tiveram seus interiores
modificados e transformados em salas VIPs, garantindo o máximo de conforto para
seus usuários.
Em geral, o custo dessas aeronaves
para deslocar autoridades chega a custar 20 a 50 vezes mais do que o valor das
passagens aéreas em voos comerciais, mesmo considerando viagens em primeira
classe. No caso de viajar somente um ou dois passageiros, o valor por
passageiro fica astronômico. Um avião pequeno custa, aproximadamente, R$ 150
mil para ir de Brasília ao Rio de Janeiro; se forem 03 passageiros, significa
um custo de R$ 50 mil por passageiro. A conta da gastança é simples.
Um levantamento efetuado de janeiro a
setembro do ano passado mostrou um total de 2.206 voos para atender aos
políticos, o que dá mais de 08 voos por dia. É um desperdício imenso de
dinheiro público, enquanto o povo não tem moradia decente, saneamento básico,
segurança, saúde, transporte, etc..
Por outro lado, a FAB efetuou somente
42 missões de transporte de pacientes e órgãos para transplantes nesse mesmo
período, causando sérios problemas à população. Só o Ministério das Cidades fez
187 viagens; o deputado Eduardo Cunha usou a FAB por 110 vezes, e assim por
diante. Em contraponto, no início do ano um menino de 12 anos não conseguiu
receber um transplante de coração e morreu em Brasília pela falta de aeronave
para transportar um órgão que estava disponível em Itajubá, no estado de Minas
Gerais.
A FAB simplesmente alegou que não
podia atender ao pedido de transporte por “questões operacionais”. Uma frase
simples que causou a morte de uma criança. Vale lembrar que existe um decreto
de 2002 que disciplina o uso de aviões da FAB e diz que seus jatos podem ser
requisitados quando houver motivo de emergência médica, o que obviamente não
foi considerado nesse caso.
Renan Calheiros usou jato da FAB para
ir de Maceió até Porto Seguro para assistir ao casamento do senador Eduardo
Braga. Sua assessoria disse, na época, que Renan participou do compromisso como
presidente do Senado e que tem direito ao uso de aeronave oficial, mesmo que a
viagem não seja oficial. Existem casos de políticos que viajaram para ver jogos
da seleção, casos em que foram para Fernando de Noronha, mas que usaram aviões
da FAB por questões de segurança e por aí vai.
O fato é que o desperdício do nosso
dinheiro continua enorme, apesar dos discursos de muitos “representantes do
povo”. Para todos os lados que olharmos com atenção, vamos verificar essa
prática. Até quando? Essa é a pergunta que continua sem uma resposta. Bem,
agora é Carnaval e não podemos nos preocupar com esses detalhes. Devemos nos
preocupar com os blocos carnavalescos, com as marchinhas de alto padrão e com o
desfile das escolas de samba. Até quando?
Por Célio Pezza, colunista e escritor




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