Talvez o
amigo não saiba, mas as grandes editoras pagam às livrarias pelos melhores
locais de exposição de seus livros nas vitrinas e balcões das lojas.
Por isso caso queira se surpreender, fugindo dos vorazes
best-sellers de vários tons, tem de ir lá para o fundo, nas prateleiras mais
baixas, aquelas em que se têm de sentar no chão (nem os simpáticos banquinhos
as grandes redes de livraria oferecem mais) para escacaviar os livros
espremidos uns contras os outros.
Foi assim que deparei com Foi-se o martelo - A história do
comunismo contada em piadas, de Ben Lewis, na seção “Comunicação”, talvez pelo
fato de o autor ser jornalista da emissora britânica BBC.
Mas qual seria a relação de importância das piadas de comunistas
com a revolução bolchevique e suas consequências?
O livro é um tratado sobre o piadismo como arma utilizada pelos dissidentes em todo o Bloco Soviético - e também usada em defesa do sistema: o “humor positivo”, a favor do regime, incentivado pelos dirigentes comunistas.
O livro é um tratado sobre o piadismo como arma utilizada pelos dissidentes em todo o Bloco Soviético - e também usada em defesa do sistema: o “humor positivo”, a favor do regime, incentivado pelos dirigentes comunistas.
Para Lewis, “o comunista é o único sistema político a ter criado
um filão próprio e internacional de comédia”. E o autor se propõe a uma tarefa
ambiciosa: encontrar uma prova que vincule “o hábito de contar piadas à
derrocada do sistema” soviético, o que ele vai tentar fazer nas 430 páginas do
livro.
Mas não se assustem os eventuais interessados: o livro tem a
fluidez dos bons textos jornalísticos e, quem quiser pular as partes mais
teóricas, terá garantidas boas risadas das piadas que permeiam
todas as páginas.
todas as páginas.
E, por vezes um sorriso amargo, pois o ditador soviético Stalin
também apreciava o senso de humor, que ele exercitava contra os subordinados,
como, ao passar por um deles nos corredores do Kremlin, dizendo: “Mas eu pensei
que já tivesse mandado fuzilar você”. O que fez o pobre homem passar várias
noites sem dormir.
Por vezes, depois da “brincadeira”, a ameaça se cumpria.
Uma revisora, na Romênia sob Nicolae Ceausesco, contou a Lewis
que a principal tarefa dela era verificar se o nome do ditador saía
corretamente no jornal: uma ligeira alteração para “Nicholai” podia acabar em
prisão, pois significa “pinto pequeno”. Como diria o Macaco Simão: piada
pronta.
E mais piadas.
Eufórico, um amigo diz a outro ter conseguido emprego em Moscou,
no topo da sino de Ivan, o Grande. Ficar lá em cima esperando para dar as
badaladas da Revolução Mundial. “Deve ser tedioso”, argumenta o outro. “É, mas
é um trabalho para a vida inteira”.
Na URSS, um secretário escuta gargalhadas no gabinete de um juiz. Entra e pergunta o que está acontecendo:
- Acabei de ouvir a melhor piada da minha via.
- Então, me conte.
- Não posso, acabei de condenar uma pessoa a cinco anos de trabalhos forçados por fazer isso.
A pena padrão por contar piadas de comunistas era de cinco anos
na União Soviética. Lewis coletou vários casos de pessoas que foram presas
apenas por ouvi-las. A polícia chegava a um caso e outro por meio de denúncias.
O autor não conseguiu uma estatística precisa sobre a quantidade
de pessoas enviadas ao Gulag por contar piadas, mas calcula que tenham sido
milhões, nos quase 80 anos de regime comunista.
Gulag
No Gulag, um prisioneiro, condenado a 15 anos, reclama que é inocente. Seu companheiro de infortúnio: “É mentira, os inocentes são condenados a apenas cinco anos”.
Cachimbo
Militantes da Geórgia visitam Stalin. Quando a delegação sai, ele não encontra seu cachimbo. Chama o chefe da polícia Laurenti Béria e manda atrás dos homens. Algum tempo depois o ditador encontra o cachimbo embaixo da mesa e avisa Béria. “Tarde demais, camarada Stalin, metade da delegação confessou o crime e a outra metade morreu no interrogatório”.
No Gulag, um prisioneiro, condenado a 15 anos, reclama que é inocente. Seu companheiro de infortúnio: “É mentira, os inocentes são condenados a apenas cinco anos”.
Cachimbo
Militantes da Geórgia visitam Stalin. Quando a delegação sai, ele não encontra seu cachimbo. Chama o chefe da polícia Laurenti Béria e manda atrás dos homens. Algum tempo depois o ditador encontra o cachimbo embaixo da mesa e avisa Béria. “Tarde demais, camarada Stalin, metade da delegação confessou o crime e a outra metade morreu no interrogatório”.
Link: Piadas Comunistas
Uma realidade que se repete.
No Brasil o dia a
dia está recheado de piadas PTistas e seus derivados, e o que é pior, os personagens
deste cenário prestes a ruir tornaram-se as próprias piadas, como se humoristas
fossem.
Em breve certamente vai aparecer um diretor
que, inspirado neste período tragicômico de nossa história, montará um
espetáculo de humor com vários comediantes representando os papeis de figuras
bem conhecidas por nós.





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