Durante a entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff se confundiu, em um momento, e disse que é impossível que “eu me renuncie”, para logo corrigir: “eu me resigne”. Às vésperas de um protesto nas ruas pelo seu afastamento e sob o risco de perder o apoio do PMDB, o que aumentaria seu isolamento político, a presidente reagiu aos que pregam sua saída da Presidência e negou que pretenda renunciar.
"Não estou com cara de quem vai renunciar" afirma Dilma.
— É impossível, quem me conhece, achar que, pela minha trajetória
pessoal, pela minha honradez e pelo respeito que eu tenho pelo povo brasileiro,
eu me renuncie… eu me resigne.
A
presidente disse ainda que faltam argumentos aos que pedem sua saída do cargo.
Para a presidente, solicitar sua renúncia é reconhecer que não existe base para
o pedido de impeachment feito pela oposição. Dilma afirmou também que teria o
“maior orgulho” em ter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu governo
como ministro e criticou o pedido de prisão preventiva de Lula, feito pelo
Ministério Público de São Paulo na quinta-feira, afirmando que “passou de todos
os limites”. Dilma pediu serenidade nas manifestações de domingo.
Quando a renúncia é um ato de grandeza e humildade
No início de 2013,
quando o Papa Bento XVI anunciou sua renúncia, o mundo reagiu
com espanto e surpresa. Naquele momento,
Bento XVI afirmou que deixaria a liderança da Igreja Católica por não se
considerar com vigor para exercer as pesadas obrigações do cargo.
O anúncio foi feito pessoalmente pelo Papa,
durante a celebração marcada para a canonização de três mártires da igreja, no
Vaticano.
Após o forte impacto não só no universo religioso mas em todos
os setores da sociedade,
pela importância e ineditismo da decisão, o mundo começou a assimilar a
renúncia, enxergando nela um ato de grandeza e humildade. A perplexidade
deu lugar ao respeito e à reverência, num reconhecimento à dignidade do gesto.




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