Roger Agnelli,
ex-presidente da Vale, morre em queda de avião em SP.
Avião do empresário caiu após decolagem neste sábado (19) em São Paulo.
Sua mulher e dois filhos também morreram no acidente.
Na carta enviada a Dilma, Agnelli cita a “tentativa de ameaçar o direito minerário de Carajás, o que o próprio DNPM anulou por total ilegalidade”. No mesmo dia em que funcionários da Vale entregavam o documento no Planalto, Agnelli se reunia com Lobão. Gestava-se ali mais uma surpresa desagradável para ele e para a Vale: logo após o encontro, Lobão disse à imprensa que a Vale admitia finalmente a dívida.
ÉPOCA apurou que Agnelli ficou constrangido com a declaração. Ele dissera apenas que a Vale mantinha ações na Justiça contra a cobrança que considerava indevida, mas acataria eventuais decisões opostas. Agnelli entendeu que a iniciativa de Lobão era mais uma arma do governo para tirá-lo do cargo.
No fim, Agnelli caiu. Menos de 15 dias depois da carta e da reunião com Lobão, os acionistas da mineradora tornaram pública a decisão de substituí-lo. O governo interfere na gestão da mineradora por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, juntos, detêm 60,5% do bloco de controle da Vale.
A campanha contra Agnelli foi deflagrada no início de março por determinação de Dilma. Sem cerimônias, o Planalto despachou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, a Osasco, em São Paulo, para convencer o Bradesco, principal sócio privado da companhia, a aceitar a substituição de Agnelli. Em outra frente, o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, pressionou publicamente a mineradora a pagar R$ 5 bilhões de royalties pela exploração do solo no país, soma além dos valores que a Vale recolhe regularmente todo ano. A empresa contesta o débito na Justiça.
É nesse contexto que entra Parauapebas. Do total da suposta dívida dos royalties, R$ 800 milhões caberiam ao município paraense, administrado desde 2005 pelo petista Darci José Lermen. Enquanto cobra a fatura da Vale, Lermen enfrenta o escrutínio do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará e do Ministério Público Estadual. Os dois órgãos querem saber onde foram aplicados os R$ 700 milhões que a cidade já recebeu da mineradora nos últimos anos.
Avião do empresário caiu após decolagem neste sábado (19) em São Paulo.
Sua mulher e dois filhos também morreram no acidente.
Na carta enviada a Dilma, Agnelli cita a “tentativa de ameaçar o direito minerário de Carajás, o que o próprio DNPM anulou por total ilegalidade”. No mesmo dia em que funcionários da Vale entregavam o documento no Planalto, Agnelli se reunia com Lobão. Gestava-se ali mais uma surpresa desagradável para ele e para a Vale: logo após o encontro, Lobão disse à imprensa que a Vale admitia finalmente a dívida.
ÉPOCA apurou que Agnelli ficou constrangido com a declaração. Ele dissera apenas que a Vale mantinha ações na Justiça contra a cobrança que considerava indevida, mas acataria eventuais decisões opostas. Agnelli entendeu que a iniciativa de Lobão era mais uma arma do governo para tirá-lo do cargo.
No fim, Agnelli caiu. Menos de 15 dias depois da carta e da reunião com Lobão, os acionistas da mineradora tornaram pública a decisão de substituí-lo. O governo interfere na gestão da mineradora por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, juntos, detêm 60,5% do bloco de controle da Vale.
A campanha contra Agnelli foi deflagrada no início de março por determinação de Dilma. Sem cerimônias, o Planalto despachou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, a Osasco, em São Paulo, para convencer o Bradesco, principal sócio privado da companhia, a aceitar a substituição de Agnelli. Em outra frente, o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, pressionou publicamente a mineradora a pagar R$ 5 bilhões de royalties pela exploração do solo no país, soma além dos valores que a Vale recolhe regularmente todo ano. A empresa contesta o débito na Justiça.
É nesse contexto que entra Parauapebas. Do total da suposta dívida dos royalties, R$ 800 milhões caberiam ao município paraense, administrado desde 2005 pelo petista Darci José Lermen. Enquanto cobra a fatura da Vale, Lermen enfrenta o escrutínio do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará e do Ministério Público Estadual. Os dois órgãos querem saber onde foram aplicados os R$ 700 milhões que a cidade já recebeu da mineradora nos últimos anos.
Antes de cair o ex dirigente da VALE alertou a presidente sobre a estranha atuação de consultores ligados ao PT que faturam milhões com royalties. E eles continuam lá.
Hudson Corrêa, de Parauapebas (PA) e Leonardo Souza
época
DENÚNCIA
Trechos da carta de três páginas enviada por Roger Agnelli (foto acima) a Dilma, alertanto a presidente sobre as “altas quantias” recebidas por consultores, alguns deles alvos de investigações criminais
Trechos da carta de três páginas enviada por Roger Agnelli (foto acima) a Dilma, alertanto a presidente sobre as “altas quantias” recebidas por consultores, alguns deles alvos de investigações criminais
O município de Parauapebas, no
sudeste do Pará, abriga a maior mina de ferro a céu aberto do mundo, a jazida
de Carajás, explorada pela Vale. Pela riqueza mineral, a cidade recebeu R$ 700
milhões de royalties da mineradora nos últimos cinco anos. Trata-se de uma
compensação pela exploração do solo. Apesar dos repasses milionários,
Parauapebas é cercada por favelas, cujos barracos se expandem por uma sequência
de morros. Bairros próximos ao centro têm esgoto a céu aberto e ruas sem
asfalto, muitas com pedaços de madeira e sucata para evitar que motoristas
desavisados atolem na lama.
Comandado pelo PT, o município
integra um capítulo até aqui não revelado da campanha para tirar o executivo
Roger Agnelli da presidência da Vale. Há nesse episódio suspeitas de desvio de
milhões de reais de recursos públicos. É dinheiro pago pela mineradora, que
entrou no caixa da prefeitura e que deveria ser aplicado na melhoria das
condições de vida da população. De acordo com investigações de dois órgãos de
fiscalização, esse dinheiro aparentemente foi parar em lugar impróprio.
Fortes indícios do caso chegaram à
mesa da presidente Dilma Rousseff, numa carta assinada por Agnelli em 14 de
março. No texto, Agnelli alerta que a disputa em torno dos royalties estava
inserida em um “contexto político” e que havia “investigações criminais em
andamento” sobre o suposto esquema da prefeitura de Parauapebas. As
assessorias da Vale e da Presidência da República confirmaram o envio e o
recebimento da carta. A Vale informou, contudo, que não comentaria o teor do
documento. O Palácio do Planalto afirmou que a cobrança dos royalties é feita
pelas prefeituras e que a carta foi encaminhada ao Ministério de Minas e
Energia.
A campanha contra Agnelli foi
deflagrada no início de março por determinação de Dilma. Sem cerimônias, o
Planalto despachou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, a Osasco, em São
Paulo, para convencer o Bradesco, principal sócio privado da companhia, a
aceitar a substituição de Agnelli. Em outra frente, o ministro Edison Lobão, de
Minas e Energia, pressionou publicamente a mineradora a pagar R$ 5 bilhões de
royalties pela exploração do solo no país, soma além dos valores que a Vale
recolhe regularmente todo ano. A empresa contesta o débito na Justiça.
Acidente aéreo matou dois executivos do Bradesco e dois pilotos. O avião, que saiu de Brasília com destino a São Paulo, caiu perto da cidade de Guarda-Mor, na região noroeste de Minas Gerais.
É nesse contexto que entra
Parauapebas. Do total da suposta dívida dos royalties, R$ 800 milhões caberiam
ao município paraense, administrado desde 2005 pelo petista Darci José Lermen.
Enquanto cobra a fatura da Vale, Lermen enfrenta o escrutínio do Tribunal de
Contas dos Municípios do Pará e do Ministério Público Estadual. Os dois órgãos
querem saber onde foram aplicados os R$ 700 milhões que a cidade já recebeu da
mineradora nos últimos anos.
A investigação envolve um contrato
mantido por Lermen, desde 2006, com o advogado Jader Alberto Pazinato, filiado
ao PR, partido da base aliada do governo. O escritório de Pazinato fica em
Balneário Camboriú, em Santa Catarina, a mais de 3.000 quilômetros de distância
do Pará. Pelo acordo, a que ÉPOCA teve acesso, Pazinato fica com R$ 20 de cada
R$ 100 depositados nos cofres da prefeitura referentes a impostos e royalties
da Vale. Desde 2007, ele já embolsou cerca de R$ 9 milhões, segundo o TCM. O
Tribunal apura a legalidade do contrato, assinado sem licitação.
Há interesse de
terceiros envolvidos, como consultores (...) pedindo altas comissões (...)
razão pela qual a disputa adquire tal contexto político
ROGER AGNELLI, ex-presidente da Vale, na carta enviada em março para a presidente Dilma
ROGER AGNELLI, ex-presidente da Vale, na carta enviada em março para a presidente Dilma
Uma das tarefas de
Pazinato é atuar na Justiça contra a Vale. Além da cobrança política feita pelo
Planalto, o governo federal processou a mineradora para receber o valor que
considera ser seu de direito. Nessas ações, as prefeituras podem atuar como
assistentes do Departamento Nacional de Mineração (DNPM), encarregado de
encabeçar os processos. Foi nessa brecha que o prefeito Lermen encaixou o
escritório de Pazinato. O TCM não detalha a que se referem exatamente os
valores recebidos por Pazinato até agora – se aos royalties em disputa ou aos
pagamentos regulares feitos pela mineradora.
Como qualquer bom profissional
liberal, Pazinato busca diversificar sua atuação. Para isso, conta com o apoio
da Associação dos Municípios Mineradores do Brasil (Amib), cujo vice-presidente
é Lermen. O presidente é outro petista, o prefeito de Congonhas, em Minas
Gerais, Anderson Cabido. Pazinato presta assessoria jurídica à associação, mas
não consegue oferecer seus serviços aos municípios mineiros. Lá, o Tribunal de
Contas local proíbe contratos dessa natureza com municípios.
O prefeito Cabido diz
acreditar que o embate pelos royalties foi “a gota d’água” para a queda de
Agnelli. A cronologia dos fatos combina com a afirmação. No início de
fevereiro, Lobão recebeu por escrito, da Amib, a reivindicação para que a Vale
aceitasse pagar a mais pelos royalties. No fim daquele mês, a superintendência
do DNPM no Pará, órgão subordinado a Lobão, abriu processo para cassar a
concessão da Vale na mina de Carajás, com base nas multas lançadas em 2008 e
2009.
As penalidades haviam sido
aplicadas sob o argumento de que a Vale não pagara o valor correto de royalties
aos municípios. As mineradoras e o DNPM divergem sobre a forma de cálculo
desses recursos. De um lado, as mineradoras entendem que, do valor a ser
recolhido, podem ser descontados impostos e custos operacionais, como o
transporte do minério. De outro, o DNPM afirma que não há previsão legal para
esses abatimentos. No fim, a direção nacional do DNPM arquivou o processo de
cassação da concessão. Mas o desgaste já estava consumado.
Na carta enviada a Dilma,
Agnelli cita a “tentativa de ameaçar o direito minerário de Carajás, o que o
próprio DNPM anulou por total ilegalidade”. No mesmo dia em que funcionários da
Vale entregavam o documento no Planalto, Agnelli se reunia com Lobão.
Gestava-se ali mais uma surpresa desagradável para ele e para a Vale: logo após
o encontro, Lobão disse à imprensa que a Vale admitia finalmente a dívida.
ÉPOCA apurou que Agnelli ficou
constrangido com a declaração. Ele dissera apenas que a Vale mantinha ações na
Justiça contra a cobrança que considerava indevida, mas acataria eventuais
decisões opostas. Agnelli entendeu que a iniciativa de Lobão era mais uma arma
do governo para tirá-lo do cargo.
No fim, Agnelli caiu. Menos de
15 dias depois da carta e da reunião com Lobão, os acionistas da mineradora
tornaram pública a decisão de substituí-lo. O governo interfere na gestão da
mineradora por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e
da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, juntos,
detêm 60,5% do bloco de controle da Vale.
Moradores de
Parauapebas pediram um inquérito para saber onde são aplicados os royalties
pagos pela Vale
Em Parauapebas, ainda
resta uma ponta sem desfecho. Danyllo Pompeu Colares, promotor de justiça do
Pará, diz que moradores pediram abertura de um inquérito civil para apurar onde
são aplicados os royalties depositados na conta do município. Colares afirma
que, cinco meses após o início da investigação, a prefeitura nada esclareceu.
O investimento público que
mais chama a atenção de quem chega à cidade é o prédio da prefeitura,
inaugurado em dezembro de 2009. Com quatro andares, no alto de um morro, custou
cerca de R$ 12 milhões, segundo o prefeito. Lermen afirma que faz investimentos
maciços na infraestrutura da cidade (construção de escolas, estradas,
saneamento e hospitais), mas que os recursos não são suficientes diante do
crescimento populacional. “Quando assumi a prefeitura (em
2005) , a
cidade tinha 90 mil habitantes. Hoje, recebi a informação de agentes
comunitários de que são 200 mil pessoas”, diz. Oficialmente, de acordo com o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Parauapebas tem 154 mil
moradores. Lojas comerciais, como concessionárias de veículos, se expandem na
cidade, que também vai ganhar um shopping, ainda em construção.
Lermen não vê desperdício do
dinheiro dos royalties e defende o contrato com Pazinato. “Precisávamos de um
escritório especializado para fazer frente à Vale. Somos o único município que
tem obtido vitória na Justiça para receber (os royalties) . Não é um contrato ruim para o
município”, afirma. Ele nega qualquer relação política com Pazinato. Diz que os
valores pagos ao escritório “são pautados pela execução dos serviços” e ganhos
da prefeitura.
O advogado Carlos Alberto
Pereira, que trabalha com Pazinato, diz que seu colega não tem nenhuma ligação
partidária: “Ele nunca participou de reunião política. Trabalho com ele há dez
anos. Ele disse nem se lembrar de ter assinado ficha de filiação”. Segundo
Pereira, a forma de contratação do escritório pela prefeitura é amparada por
decisão do Supremo Tribunal Federal.
A explicação não convence
Wellington Alves Valente, ex-procurador de Parauapebas. Na função, Valente era
responsável por defender os interesses da prefeitura na Justiça. “Pazinato
pegou o bonde andando”, diz. Valente afirma ter sido o responsável por levantar
os débitos atribuídos à Vale a partir de 2001. Segundo ele, Pazinato encontrou
o serviço pronto. Além disso, haveria outro agravante. Parauapebas tem um
quadro fixo de procuradores municipais. Eles são advogados concursados e
poderiam perfeitamente tocar ações sem necessidade de contratação de um
escritório particular.
Nos próximos dias, o mandato
de Agnelli na Vale se encerra. Apesar da demissão, ele entra para a história da
empresa como responsável por uma gestão de sucesso.
Na semana passada, foram
anunciados os resultados da Vale no primeiro trimestre deste ano. A mineradora
lucrou R$ 11,21 bilhões, 292% acima do que ganhou no mesmo período de 2010. O
recorde, influenciado pelo aumento de preço do minério de ferro, é 13% maior
que o último trimestre do ano passado. Caberá agora a seu substituto, o
executivo Murilo Ferreira, escolhido por Dilma, decidir como vai lidar com o
governo na discussão sobre os royalties.
Vila sem esgoto em
Parauapebas, no Pará, cidade que recebe muitos royalties, mas tem péssimos indicadores. De acordo com o contrato (no alto), o advogado Pazinato (no destaque, fotografado num jatinho) fica com 20% da
arrecadação.







HASTA CUANDO BRASIL SOPORTAREMOS
ResponderExcluirHASTA CUANDO
ResponderExcluirAhora le tocará a Moro como lo hicieron con Nissman en Argentina?
ResponderExcluirSERÁ QUEIMAS DE ARQUIVOS !
ResponderExcluirALGUMA DUVIDA ???
ResponderExcluirDUVIDA???
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