Por Felipe Pena
Você está sendo enganado, caro leitor. A trapaça
narrativa funciona em três etapas. Na primeira, um sujeito pergunta qual é o
contrário de preto e alguém responde que é branco. Em seguida, ele pergunta
qual é o contrário de claro e alguém responde que é escuro. Por último, o mesmo
indivíduo pergunta qual é o contrário de verde, mas ninguém responde, pois
isso, obviamente, não existe.
Só que não é verdade. O contrário de verde é
maduro, embora você não tenha pensado nisso. O problema é que fomos induzidos a
pensar em termos cromáticos, esquecendo que um raciocínio mais complexo nos
levaria a ver outros lados da questão.
A narrativa do impeachment carrega o mesmo vício.
Quando um jurista é perguntado se o impedimento da presidente é golpe, ele
responde que não, já que o instrumento está previsto na constituição. Ou seja,
é branco, não é preto. Mas se a pergunta vier acompanhada do termo "sem
crime de responsabilidade", a resposta será diferente. Nesse caso, como
tal crime está sujeito a interpretações, pode ser golpe. E há muitos juristas
que acreditam nisso. Ou seja, o contrário de verde existe e é muito provável
que seja a palavra "maduro". É muito provável que seja um golpe.
O golpe, no entanto, não é apenas na presidente. Se
o pensamento da população é conduzido por uma narrativa viciada e massificada,
o golpe é em todos nós, que acabamos caindo em uma espiral de concordância sem
crítica, tratados como boiada, uma simples massa de manobra.
Já faz alguns anos que somos inundados com um
enredo sobre a crise que culpa apenas um partido. É muito provável que ele seja
culpado, mas será o único? Não deveríamos pensar na responsabilidade do Congresso,
dos empresários corruptores e na nossa própria parcela de culpa?
E o que dizer sobre os motivos para o impeachment?
Será que estamos informados sobre as tais pedaladas fiscais? Você, caro leitor,
sabe o que elas significam e por que foram apresentadas como razão para
derrubar a presidente? Você sabe que o processo foi aceito por um presidente da
câmara que é réu no STF? Sabe que, em caso de impeachment, assume o partido que
está há trinta anos no poder e tem diversos envolvidos na operação Lava Jato?
O jornalismo não é o espelho da realidade, como nos
fazem acreditar. O jornalismo ajuda a construir a própria realidade através da
narrativa dos fatos, que se dá pela escolha de linguagens, entrevistados,
ângulos etc. Tais escolhas são feitas por indivíduos que têm preconceitos,
juízos de valor e diversos outros filtros. Inclusive o autor deste texto, de
quem você deve desconfiar em primeiro lugar.
Não vai ter golpe se você fizer uma crítica
constante da informação que recebe.
Não vai ter golpe se você procurar ouvir os
diversos lados da questão.
Não vai ter golpe se você descobrir que o contrário
de verde não é amarelo.
Nem vermelho.
Felipe Pena é jornalista, psicólogo e
escritor. É autor de 15 livros, entre eles o romance Fábrica de Diplomas.
Finalmente
um texto que bem expressa meu modo de pensar, não enquadremos o impeachment
somente pelo aspecto constitucional, mas pela índole dos que o propõem e irão
julgar. Afinal, em todos os delitos que
usam na acusação houve a conivência deles, por ação, omissão e vantagens
recebidas.


NÃO É GOLPE, SÃO CRIMES! CRIME CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA POR ACOBERTAR LADRÃO, INCITAR OU APOIAR A INVASÃO DE PROPRIEDADES ALHEIAS, AS MENTIRAS QUE FORMARAM O ESTELIONATO ELEITORAL, A COMPRA DE PASADENA, A VENDA DAS HIDRELÉTRICAS, O PERDÃO DA DÍVIDA AFRICANA DOS DITADORES, A ENTREGA AO ÍNDIO COCALEIRO DE NOSSO INVESTIMENTO EM TERRAS ESTRANGEIRAS, O DESPERDÍCIO COM A LEI ROUANET, O SUBSÍDIO A GRUPOS PARAMILITARES, FINANCIAMENTO A TERRORISTAS, INCENTIVO A IMORALIDADE, DROGAS, ETC, ETC O GOLPE JÁ FOI DADO HÁ MUITOS ANOS ATRÁS COM A ASSINATURA POR fhc DA CLÁUSULA DE NÃO INTERVENÇÃO MILITAR E O DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO. "PEÓR" MESMO É TAL CLÁUSULA ESTAR SENDO OBEDECIDA AO CUSTO DA PERDA DA SOBERANIA DO BRASIL.
ResponderExcluir