sexta-feira, 1 de abril de 2016

Perder ou perder

Nelson Motta, O Globo

Só o desespero pode chamar de “golpe judiciário-parlamentar-midiático” se a maioria do Legislativo, com aprovação do Judiciário, a imprensa livre, a OAB, a Fiesp e 69% da população apoiam o processo legal de impeachment da presidente por crimes de responsabilidade fiscal que quebraram o país. Mas se é judicial-legislativo-midiático-empresarial-jurídico-popular... que golpe de araque é esse? Só faltaram o Exército, a Igreja e a CIA... rsrs.
No sufoco, o senador Humberto Costa até cunhou o oximoro “golpe constitucional”, porque, se é constitucional, não pode ser golpe, e vice-versa.
O STF, com a maioria de seus ministros nomeados por governos petistas, aprovou um rito para o processo de impeachment, em que a presidente terá ampla defesa e poderá, como Bill Clinton, perder na Câmara e ser absolvida no Senado. Mas se for condenada, será golpe? Ou nem pode ser julgada?
Sou contra qualquer forma de golpe, mas também não acredito que um impeachment, mesmo cumprindo todos os processos legais, seja a melhor solução. Pior do que está, não fica, mas temo um governo Temer apoiado pela bandidagem do PMDB e por partidos com mais de cem parlamentares loucos para melar a Lava-Jato em nome de uma conciliação nacional que também pouparia Renan, Cunha e os petistas. Mas como? Ah, eles são muitos, andam em bandos, se alimentam de verbas públicas e se unem quando ameaçados.
Talvez o melhor, ou menos pior para o país, seja a chapa Dilma-Temer ser impugnada pelo TSE, com irrefutáveis provas de doações ilegais, e convocadas novas eleições. Ou Dilma propor ao Congresso: eu renuncio, mas vocês também. E o Congresso, movido por espírito público... rsrs... renuncie e seja completamente renovado nas eleições. Seria uma chance de nascer um novo Brasil zero bala.
Mas, cuidado com seus desejos, eles podem se realizar. No caso, com duas ameaças sinistras: o ódio aos políticos eleger um presidente messiânico e populista, desastroso para o país como Collor e Jânio. E a máxima de Ulysses Guimarães, confirmada pela História: cada novo Congresso é sempre pior do que o anterior.
É perder ou perder.

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