terça-feira, 10 de maio de 2016

Nada de mordomias, só o merecido chute na bunda.


O Senado deverá afastar Dilma Rousseff da Presidência da República por até 180 dias, período em que será julgado o processo de impeachment. Apesar de, já na quinta-feira 12, não ser mais a chefe da Nação, Dilma quer continuar usufruindo das benesses do poder. Nos últimos dias, ela dedicou parte de seu tempo preparando uma lista de exigências endereçadas a Renan Calheiros, presidente do Senado e responsável por atender ou não aos pedidos. Eles não são poucos. Dilma vai solicitar, para uso pessoal, uma frota de dez automóveis oficiais e cinco motos, além de helicópteros e aviões da FAB para viagens no Brasil e no exterior (os custos com hospedagem, combustível e tripulação serão, portanto, bancados pelos contribuintes). Não é só. 

A petista exige uma equipe de 20 assessores diretos, e uma verba para alugar uma casa de luxo em Brasília para abrigar o que chama de “governo paralelo”. Dilma já declarou a pessoas próximas que, por ora, não vai arredar pé do Palácio do Alvorada, a residência oficial da Presidência, enquanto o Senado não concluir o julgamento do impeachment. Significa que terá, ao seu dispor, os cerca de 80 funcionários do Palácio, entre cozinheiros, jardineiros, motoristas e seguranças. Ela também está incomodada com o corte do salário pela metade, conforme prevê a legislação. Em um encontro recente com Renan, Dilma pediu que os rendimentos sejam mantidos integralmente. Em 1992, afastado pelo impeachment, o ex-presidente Fernando Collor fez reivindicações semelhantes. Todas recusadas.

Pedidos de Collor provocam indignação no Congresso

Brasília – Uma lista descabida e pretensiosa. Assim, a maior parte dos políticos no Congresso reagiu aos pedidos de Fernando Collor para viver seu período de presidente afastado respondendo a processo. Todos se opuseram a ideia do Presidente Itamar Franco de enviar uma medida provisória sobre o assunto para o Congresso.
- Isso não é assunto do Congresso – disse o líder do PMDB no Senado, Humberto Lucena (PB) – É um problema administrativo do governo. Mas esta lista é um exagero. O presidente afastado tem direito a residência, a segurança, um automóvel e seus vencimentos. E só.
- Que se conceda o mínimo para que ele possa viver com dignidade – concordou Genebaldo Corrêa (BA).
O presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, indignou-se:
- Se o governo quer dar casa para o Collor, então que conceda um espaço na Casa de Detenção. Ele cometeu o que cometeu e agora vem pedir mordomias? Ele que vá pedir para o PC.
- O Collor é apenas mais um cidadão da Republica. Não tem direito a nada. Eu, se fosse o Presidente, diria ao Collor que ele não pode conceder nada – disse o deputado Roberto Cardoso Alves (PTB SP).
- O rapaz perdeu – comentou o deputado Roberto Freire (PPS PE) – Não tem direito a mais nada. Deve ir para sua casa e começar a se preocupar com a sua defesa.
O Senador Mário Covas questionou:
- Se não há Lei para tratar do assunto, então que se use o bom senso. Ele é presidente afastado.
Como pode achar que tem direito a passagens internacionais ou helicóptero do governo?
- Ele não pediu nada disso. É mentira. O presidente não quer nada – afirmou Odacir Soares.

A história se repete e, como antes, os pedidos devem ser negados. Nada de mordomias, seguindo-se o mesmo critério de Lula por ocasião do impeachment de Collor.

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