sábado, 11 de junho de 2016

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É desconhecimento, memória fraca ou conveniência classificar de golpe o que na realidade foi apenas a interrupção de um processo revolucionário de tomada do poder pelos comunistas, iniciado antes de 1960 e intensificado no governo Jango.

Vejamos a constatação dessa afirmação pelas declarações de militantes da esquerda, que participaram ativamente na luta armada, de jornalistas, professores de História e de sociologia. O historiador
 Jacob Gorender, do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), organização que participou ativamente da luta armada , em seu livro Combate nas Trevas, intitula o capítulo 8 de “Pré-revolução e golpe preventivo”.


“Nos primeiros meses de 1964 esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse.”
(GORENDER, Jacob. Combate nas Trevas. 5ª edição, 1998).

Sob o título “Cuba Apoiou Guerrilha já no Governo Jânio”, Mário Magalhães, da sucursal do Rio, do jornal Folha de São Paulo, edição de 08/04/2001, publicou o seguinte:
“Desde o início (1959), os cubanos estavam convictos de que  luta armada era o caminho da Revolução”, diz o historiador Jacob Gorender.

                                                          Daniel Aarão  Reis
Daniel Aarão Reis Filho, ex-guerrilheiro  do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8)  declarou em entrevista  publicada em O Globo de 23/09/2001:
“As ações armadas da esquerda brasileira não devem ser  mitificadas. Nem para um lado nem para outro.


Eu não compartilho da lenda de que no final dos anos 60 e no início dos 70 (inclusive eu) fomos o braço armado de uma resistência democrática. Acho isso um mito surgido durante a campanha da anistia. Ao longo do processo de radicalização iniciado em 1961, o projeto das organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial. Pretendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentassem como instrumento da resistência democrática.”
Observação do site www.averdadesufocada.com: em 15 de junho de 70, Daniel Aarão Reis Filho, professor titular de História Contemporânea da UFF, foi um dos quarenta presos banidos para a Argélia, em troca do embaixador da Alemanha, por exigência das organizações terroristas que praticaram  o sequestro - Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e Aliança Libertadora Nacional (ALN).

                                 Luís Carlos Prestes

O Globo - 01.09.2002, pág. 12 B)
“Livro revelou que PCB planejava dar golpe em 1964”
“... Malina confirma no livro que o “partidão”, com o apoio de Luís Carlos Prestes, chegou a planejar um golpe em 1964, antes da tomada do poder pelos militares. “O último secretário” dá conta ainda de que havia uma organização militar clandestina dentro do PCB desde a Revolução de 30...”
( Salomão Malina - secretário-geral do PCB)
Observação do site:
Complementamos a  citação acima com dados retirados do site da Cãmara dos Deputados do Rio de Janeiro
http://spl.camara.rj.gov.br/spldocs/pl/2006/pl0745_2006_006013.pdf
(...)Em maio de 1992, Malina lançou com sucesso o livro ‘O último secretário’, em que relata sua experiência como último secretário-geral do antigo Partido Comunista Brasileiro, o PCB, agremiação em que ele militava desde a juventude e que em 1992 adotou o nome de Partido Popular Socialista, PPS. Ele havia assumido o posto no lugar de Giocondo Dias, que faleceu em 1987.Malina confirmava no livro que publicou sobre o Golpe de 64, que o ‘partidão’, com o apoio de Luiz Carlos Prestes, chegou a planejar um golpe em 1964, antes da tomada do poder pelos militares. ‘O último secretário’ dá conta ainda de que havia uma organização militar clandestina dentro do PCB desde a Revolução de 30 e também traz informações biográficas(...).

Globo publicou a reportagem abaixo, da qual transcrevo trechos:
“Falava-se em cortar cabeças; essas palavras não eram metáforas”
Aydano André Motta, Chico Otávio e Cláudia Lamego
“Um dogma precioso aos adversários da ditadura militar iniciada a 31 de março de 1964 está em xeque. Novos estudos realizados por especialistas no período - alguns deles integrantes dos grupos de oposição ao regime autoritário - propõem uma mudança explosiva, que semeia fúria nos defensores de outras correntes: chamar de resistência democrática a luta da esquerda armada na fase mais dura do regime está errado, historicamente falando.
Falava-se em cortar cabeças, essas palavras não eram metáforas.  Se as esquerdas tomassem o poder haveria, provavelmente, a resistência das direitas e poderia acontecer um confronto de grandes proporções no Brasil - atesta Daniel Aarão Reis, professor de História da UFF e ex-guerrilheiro do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). - Pior, haveria o que há sempre nesses processos e no coroamento deles: fuzilamento e cabeças cortadas.”
“Ninguém estava pensando em reempossar João Goulart”
“Denise Rollemberg, mestre em História Social da UFF, destaca que o objetivo da esquerda era a ditadura do proletariado e que a democracia era considerada um conceito burguês.” “Não se resistiu pela democracia, pela retomada do status quo pré-golpe. Ninguém estava pensando em reconstituir o sistema partidário ou reempossar João Goulart no cargo de presidente” diz Denise.
“A professora explica - e Aarão Reis concorda - que a expressão -  sequer surgiu no fim dos anos 60, início das batalhas entre militares e terroristas.”
“A descoberta da democracia pela esquerda se dá apenas no exílio, com a leitura de filósofos e pensadores como o italiano Antonio Gramsci...”.
“Outro participante da luta, o professor de História da UFRJ, Renato Lemos, acha que é responsabilidade ética, social, política e histórica da esquerda assumir suas idéias e ações durante a ditadura.”
“Cada vez mais se procura despolitizar a opção de luta armada numa tentativa de autocrítica por não termos sido democratas.
Nossa atitude foi tão válida quanto qualquer outra. Havia outros caminhos, sim. Poderíamos tentar lutar dentro do MDB, mas achávamos que a democracia já tinha dado o que tinha de dar”, confirma Lemos.”
Aarão Reis discorda:
“As esquerdas radicais se lançaram na luta contra a ditadura, não porque a gente queria uma democracia, mas para instaurar o socialismo no País, por meio de uma ditadura revolucionária, como existia na China e em Cuba. Mas, evidentemente, elas falavam em resistência, palavra muito mais simpática, mobilizadora, aglutinadora.
Isso é um ensinamento que vem dos clássicos sobre a guerra.” 
Professor de Sociologia da Unicamp, Marcelo Ridente argumenta que o termo “resistência” só pode ser usado se for descolado do adjetivo “democrática.”
“Houve grupos que planejaram a ação armada ainda antes do golpe de 1964, caso do pessoal ligado ao Francisco Julião, das 
Ligas Camponesas. Depois de 1964, buscava-se não só derrubar a ditadura, mas também caminhar decisivamente rumo ao socialismo.”
Professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, autor do aclamado Como eles agiam, sobre o funcionamento do regime, Carlos Fico chama de ficção a ideia de resistência democrática. Ele também ataca a crença de que a luta armada foi uma escolha motivada pela imposição do AI-5. “A opção de pegar em armas é anterior ao ato institucional. Alguns grupos de  esquerda defenderam a radicalização antes de 1968 - garante ele.”

Em 31/03/2004, o jornal O Estado de S. Paulo publicou a entrevista abaixo da qual transcrevo um trecho:
“Derrotados escreveram a História”
Estado - O que levou os militares ao movimento de 1964?
Ruy Mesquita - Acho fundamental, para que se possa fazer uma análise objetiva e fria, sobre a chamada revolução de 64 - que na realidade não foi uma revolução, foi uma contra-revolução; não foi um golpe, foi um contragolpe -, situá-la no tempo político internacional. No começo dos anos 60, com a vitória de Fidel Castro e com a sua entrada no jogo do bloco soviético, o foco principal da guerra fria passou a ser a América Central, o centro geográfico das Américas. A tal ponto que ali nasceu a primeira e talvez única ameaça concreta e iminente de uma guerra nuclear, quando em 62 houve a crise dos mísseis nucleares que os russos instalaram clandestinamente no território cubano. O risco era real. Diz-se que a história é sempre escrita pelos vencedores.
A história do golpe de 64 foi escrita pelos derrotados.”
Tais manifestações e pronunciamentos falam por si. Não há qualquer sustentação na história ou nos documentos da esquerda que comprove ter havido um “golpe da direita” ou um “golpe militar”. Tais conceitos fazem parte da mesma orquestração em que se inclui a falácia de que a esquerda revolucionária pós 1964 lutava contra a “ditadura”. Não tenho ideia de quem urdiu essas mentiras, mas com muita convicção afirmo que tudo faz parte de um processo para desmoralizar o movimento de 31 de março de 1964 e de mitificar os “heróis” das esquerdas. Houve, realmente, uma Contra-Revolução: um duro golpe contra as pretensões de comunização do Brasil.(...)


Trecho do livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil , de Leandro Narloch
"A guerrilha provocou o endurecimento do regime militar

É muito repetida a ideia de que os grupos de esquerda decidiram partir para a luta armada porque essa era a única resposta possível à rigidez da ditadura . Na verdade, antes de os militares derrubarem o presidente João Goulart, já havia guerrilheiros planejando ações e se preparando para elas.
Em 1959, quando Fidel Castro chegou ao poder em Cuba, mostrou ao mundo que era possível vencer os governos de direita por meio de uma guerrilha pequena e organizada.
Esse exemplo avivou os sonhos dos guerrilheiros da América Latina. O próprio Fidel convocava os militantes e dava apoio tático para que eles estendessem a luta armada da Sierra Maestra até os Andes. Em 1961, o deputado pernambucano Francisco Julião foi se encontrar com Fidel - voltou de Cuba com o lema "reforma agrária na lei ou na marra".  Um esquema cubano de apoio à guerrilha no Brasil se tornou público em novembro de 1962, quando um Boeing 707 da Varig caiu no Peru. O avião  levava  o correio oficial de Cuba. Entre a correspondência, havia três documentos que revelavam  a dificuldade que um agente enfrentava para organizar a guerrilha no Brasil."
Observação do site: www.averdadesufocada.com.  este livro, desde que foi lançado em 2009, permanece entre os dez mais vendidos  no Brasil








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