quinta-feira, 9 de junho de 2016

Data Magna da Marinha, “Não podemos ser seduzidos pela crença na perenidade da paz…”

Comandante da MARINHA, Data MAGNA. Ordem do dia versa sobre a CONFIANÇA da população nas Forças Armadas e defesa da SOBERANIA NACIONAL.



Em 11 de junho de 1865, às margens do rio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai -- situado na província de Corrientes, na Argentina --, o almirante Barroso deu a ordem às forças navais brasileiras sob seu comando para que explodissem os navios de guerra paraguaios, vencendo assim aquela batalha naval que tinha de um lado os paraguaios e do outro os brasileiros. Sem conexão com o mar, o Paraguai queria controlar os rios da bacia do Prata, pois por ali poderia fazer com que seus navios de transporte de pessoas e de mercadorias chegassem ao Oceano Atlântico. Se conseguissem o intento, teriam conquistado, também, o Rio Grande do Sul e o Uruguai, podendo, a partir daí, fazer comércio com outros países e receber, inclusive, armas da Europa. A frota brasileira era composta por nove navios de guerra e a paraguaia, por oito navios de guerra. Cerca de 2.500 militares brasileiros combateram na Batalha do Riachuelo.


Engalana-se a Marinha, mais uma vez, para lembrar e celebrar o dia 11 de junho de 1865, um domingo que entraria na história brasileira pela contribuição decisiva da Esquadra à vitória na Guerra da Tríplice Aliança. Meus comandados! Transcorridos 151 anos da Batalha Naval do Riachuelo, seguimos, Marinheiros e Fuzileiros Navais, empenhados em fazer com que os brasileiros nunca se esqueçam dos acontecimentos daquele dia, e reflitam sobre algumas lições tiradas do conflito, as quais permanecem especialmente relevantes nos tempos difíceis em que vivemos.
A primeira delas nos ensina que a Nação pode vir a pagar um alto preço pelo alheamento aos temas de Defesa. Havia no Império, quando da eclosão dos combates, um amortecimento da percepção das ameaças, ajudando a explicar o porquê nossa Esquadra possuía carências e inadequação de meios para se opor aos inimigos de então. Governantes e governados pouco acreditavam na possibilidade de uma nova guerra. Hoje, a realidade mundial é muito distinta, mas igualmente insegura! Aos tradicionais atores estatais, somam-se ameaças transnacionais materializadas pelo terrorismo catastrófico; pelo crime organizado na forma do narcotráfico, do tráfico humano e da pirataria; pela guerra cibernética; e pelas crescentes discussões jurídicas quanto aos níveis de soberania em espaços marítimos.
Em todos os casos, por suas características de fronteira porosa e de ambiente cujos níveis de fiscalização e de cooperação internacional podem ser considerados insipientes, os mares ganham protagonismo. A defesa de nossos interesses marítimos requer, desde o tempo de paz, a precisa interpretação de que é fundamental preparar-se para o emprego real, por meio de um Poder Naval moderno, capacitado e crível, com respaldo nas aspirações da sociedade.

Não podemos ser seduzidos pela crença na perenidade da paz. A constante vigilância é o preço da liberdade! Outro importante ensinamento reside na transcendência moral do Almirante Barroso e de seus comandados, sustentáculo do que foi a nobreza das ações desenroladas naquela manhã.

                       Guarda-Marinha Greenhalgh 

O experiente Almirante, testado em diversos combates, arrebatou seus subordinados pela liderança, competência e valentia nos momentos cruciais do COMANDANTE DA MARINHA. A bordo de cada um dos nossos meios afloraram atitudes de fervor patriótico para superar a desvantagem inicial na contenda. Exemplar foi o empenho do jovem Guarda-Marinha Greenhalgh que, para garantir que o pavilhão nacional não caísse em mãos inimigas, tombou no convés da canhoneira Parnaíba abraçado a ele, a verdadeira mortalha de um herói. Ou, ainda, o bravo Marinheiro Marcílio Dias, que abandonou seu rodízio raiado para, em abordagem corpo a corpo, enfrentar e superar vários inimigos, vindo a falecer vítima dos golpes recebidos.
Naquela manhã, em toda parte que se olhava, a reação da Esquadra impressionava pelo ânimo na vitória. A Jequitinhonha, presa a um banco de areia e sob fogo cerrado, jamais se entregou; a Mearim, arremessando-se em socorro à Parnaíba; a Belmonte, encalhada para não afundar em decorrência de rombos em seu casco, continuou combatendo. O dia se encerraria com 102 valentes brasileiros mortos na defesa de nossos ideais! A herança daquele 11 de junho não faculta, aos marinheiros de hoje, a possibilidade de adotarmos um comportamento distinto do que tiveram aqueles heróis.
Ao reafirmarmos o compromisso com a defesa da soberania e dos princípios constitucionais, reforçamos a compreensão da relevância de nossa presença na Amazônia Azul, nos Rios da Amazônia Verde e do Pantanal, na Antártica, nas águas do Líbano e nas ruas de Porto Príncipe.
Da mesma forma, os valores éticos e princípios vivenciados em Riachuelo, e que permeiam nosso diuturno labor, alicerçam a grande confiança que a sociedade brasileira, em nós, deposita.
Este é o compromisso com Riachuelo! Este é o sentimento a nos assegurar que as mortes naquele combate não foram em vão! Esta é a herança institucional que tanto custou aos nossos antecessores e que nos permitirá, com serenidade e com patriotismo, superar quaisquer intempéries e manter o rumo em nossa perene contribuição para o país! É, também, esse espírito que nos permite reconhecer aqueles que conosco compartilham o amor pelo Brasil e pelo mar, aos quais homenageamos com a mais alta honraria da Força, a Ordem do Mérito Naval! A cada um dos agraciados, os meus respeitosos cumprimentos! Viva a Marinha! Tudo pela Pátria!




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