segunda-feira, 6 de junho de 2016

O "Haiti" também é aqui

Apresentador relata, em artigo, o sofrimento que viu no país mais pobre das Américas


    Luciano Huck faz selfie com crianças haitianas, durante sua visita ao país. 


Ele estava completamente nu. Não tinha mais do que 4 anos. E nu, brincava no meio do esgoto, descalço, na companhia de três ou quatro porcos que faziam o mesmo.

Crianças carentes BRASILEIRAS,moradoras Na Favela de Manguinhos, RJ

O cheiro de tudo aquilo era indescritível, nunca havia inalado nada parecido. Algumas poucas cabras também circulavam por ali. Curiosamente, ratos e urubus não. Como não tinham “donos”, os exemplares dessas aves devoradoras de lixo e os roedores da região já foram comidos pela população.




                     Ratos para sobreviver à seca no Piauí

Estou sob um mosquiteiro, num confortável alojamento do Brabat 23, o 23º Batalhão do Exército Brasileiro. Onde? Em Porto Príncipe, capital do Haiti.
Vim para ver e tentar entender o que o Brasil está fazendo aqui. E senti orgulho. Confesso que foi a única coisa que me trouxe algum sentimento positivo nesses últimos dias. 

Depois de tudo o que vi hoje, em Cité Soleil, uma favela com mais de 300 mil habitantes à beira do maravilhoso mar turquesa do Caribe, acho que definitivamente a Humanidade não deu certo. Falhamos.

            Favelas em palafitas, comuns no Nordeste Brasileiro

Criança brinca em campo para desabrigados pelo terremoto em Porto Príncipe: população haitiana ainda espera pela reconstrução do país.


Já entrei e vivi experiências riquíssimas em favelas encravadas em todas as regiões do Brasil; Norte, Nordeste, Sul, Sudeste… mas nunca vi nada sequer parecido com o que vi e vivi hoje no Haiti.

Não??? É melhor olhar melhor à sua volta, está bem mais perto do que pensa!
                                    Favela em São paulo

                         Favela do Moinho em São Paulo

Se em 2010, depois do terrível terremoto que matou mais de 200 mil haitianos, você fez alguma doação destinada à reconstrução do país caribenho, muito provavelmente seu dinheiro foi roubado. Porque aqui nada foi reconstruído. Começando pela dignidade humana.

O sentimento é de que deveríamos dar um restart no mundo. Começar de novo.

O comandante das tropas de paz da ONU no Haiti, o general brasileiro Carlos dos Santos Cruz, denunciou a corrupção com recursos internacionais e alerta que um mecanismo de controle precisa ser colocado em funcionamento para evitar os desvios. 

Não podemos acreditar que fronteiras geopolíticas justifiquem a miséria absoluta, nem aqui nem logo ali. Que aquele menino cresça naquele ambiente, naquela sujeira, naquela miséria e que não possamos fazer nada por ele. Que mais uma vez a política só cuide de alguns. Ou pra ser mais preciso, do bolso de alguns.
Faltam lideranças com pensamentos de fato modernos, de fato inclusivos, de fato transformadores. 

                                    Atendimento hospitalar no Brasil


Sistema de transplantes no Brasil sofre com falta de transporte aéreo

Não há em sistemas da FAB registros de recusas a pedidos de transporte de autoridades. Já as negativas para transporte de órgãos aumentaram, entre 2013 e 2015, de 52,7% a 77,5% dos pedidos feitos. Para 153 “nãos”, a instituição disse apenas 68 “sims”.

O diálogo entre uma enfermeira da central de regulação de transplantes do DF e uma funcionária da Central Nacional de Transplantes (CNT), que havia solicitado a um militar da FAB, sem sucesso, transporte para buscar o coração no interior de Minas. A servidora contou: “Ele até falou: ‘Essa semana cês pediram três vezes’. E eu falei: ‘Pois é, e três vezes fui eu.’ E três vezes...”
A enfermeira completou: “E as três vezes foi a recusa. Coração só pode ser com FAB. Sem FAB não tem coração.”


Operação militar no Haiti custa R$ 1,3 bi em 10 anos.


Aqui como lá, no Haiti, os problemas são os mesmos. A população sofre com a corrupção. Os ratos e urubus que comem fornecem as mesmas proteínas da sobrevivência onde políticos abastados se enriquecem às custas da miséria de seu povo.
Mas cadê a coragem de se fazer uma reportagem sobre isso aqui no Brasil? Até a ajuda do Exercito Brasileiro nesta missão de “paz” tem se tornado insuficiente diante da voracidade dos políticos que aqui e lá consomem as vidas da população.


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