domingo, 5 de junho de 2016

O que vai ser do Brasil?

A primeira pergunta, a mais séria do momento, pelas razões que podem envolver o ministro em que o Brasil deposita todas as suas esperanças, é qual o motivo da demissão do secretário-executivo da Fazenda. Se foi para o IRB, foi por demissão, promoção - se for promoção sair do Ministério da Fazenda e ir para o IRB - ou silêncio?
Não se pode admitir que seja verdade que quatro ex-presidentes da República possam estar envolvidos em corrupção na Petrobras -  por eles ou por seus filhos. E com ingenuidade, hipócritas vêm dizer que a corrupção nesta empresa começou agora. Que viva Paulo Francis.

É verdade ou é mentira que um ex-diretor de Furnas tenha tido seu filho, que nunca militou na política, recebendo em sua primeira candidatura a deputado estadual uma votação expressiva em Minas Gerais. E sendo Minas Gerais um estado com mais de 600 municípios em que os candidatos são obrigados a militar, principalmente aqueles que nunca militaram na vida pública. Imediatamente em seguida à eleição, foi ser líder de um governo. E hoje, o procurador-geral da República teve que reencaminhar seus documentos para que fossem melhor lidos por autoridades superiores que, uma semana antes, negaram o procedimento. Agora aceitam dizendo que há fatos novos. Apareceram agora, nessa semana?

As empresas envolvidas em corrupção no metrô de São Paulo, e que também passaram pela Petrobras, estão proibidas ou não de trabalharem com o Brasil?
As crianças têm ou não têm merenda escolar com preço de lanche de meninos ricos?
Há faculdade - ou universidade - ou não envolvida com corrupção? Agora mesmo, em menos de uma semana, se viu movimento bursátil com aumento de 23% das ações, como se não fossem insiders os que compraram antes. E as outras? Quebraram? Tem ou não tem, além de antecedência no crime, autoridade envolvida?
Lava Jato, Proer, Banestado, anões do orçamento, mensalão, privatizações... como disse um recém-ministro empossado: "Melhorou ou piorou depois de todos esses anos?"
E agora, novamente, um filho de autoridade, verdadeiro filho da "pátria", denuncia três importantes políticos que receberam R$ 70 milhões fora do Brasil, e era considerado um "expedito" agente de negócios. Nessa denúncia, além de envolver ex-presidente da República e ex-ministro de Estado, esse filho da "pátria" também envolve um presidente de um Poder, se não bastasse autoridade de um outro Poder já estar denunciado não só na justiça brasileira, como na estrangeira.
Três ministros em 15 dias perderam seus postos por denúncia desse filho da "pátria". Mais de quatro estão envolvidos na Lava Jato. Por uma infelicidade da demagogia, quando da repercussão negativa de que não havia mulheres no governo, nomearam uma em cargo importante, e por desgraça não das mulheres, mas dela mesmo, ela está sendo investigada.
Presidentes de bancos envolvidos em corrupção, mesmo tendo alguns desses executivos de banco denunciado ocupado ou ocupando cargos importantes na área da Fazenda. Empreiteiros, que até pouco tempo se consideravam os mais importantes do mundo, envolvidos em corrupção e também presos. 
Não pode ser verdade que uma das maiores companhias de serviço público, sócia do BNDES, tenha sido roubada por acionista estrangeiro em moeda forte, e nenhum de seus acionistas tomaram qualquer posição em defesa do Brasil e dos minoritários. 
Não pode ser verdade que nada tenha acontecido a dois conselheiros de uma empresa - um ex-ministro do Estado e um ex-ministro do STF - cujo presidente, lunático, afirmava que seria o homem mais rico do mundo, e que acabou dando um prejuízo de bilhões ao país. Dizem que qualquer conselheiro da Petrobras deve ser preso pelas barbaridades que houve na estatal, mas estes conselheiros desta empresa estão soltos.
Não pode ser verdade que a preocupação com um cabeleireiro possa se transformar em manchete de jornal, quando o maior problema do país não são nem os 12% de desempregados que estão na estatística porque foram empregados em algum momento da vida. O grave são os milhões de brasileiros com idade de trabalho que nunca foram empregados, os milhões que nunca puderam estudar e que agora não estão estudando por greves de professores. 
Com a míngua e a falência do serviço público na área de hospitais e a possibilidade real de que as empresas particulares não sobrevivam, quebrando um sistema que ainda tem 50 milhões de brasileiros, o que vai acontecer com a saúde pública no Brasil?
Os estados estão falidos. Um destes estados empenhou há dez anos toda a arrecadação futura, do que imaginava que iria receber, sobre o valor de 100 dólares o barril de petróleo. Hoje, o barril não chega a 50 dólares. Esse estado inadimple com suas contas no exterior. A herança deixada é maldita, mas assim mesmo os segmentos de informação denunciam aquilo que os guardanapos já haviam constatado... E todos eles estão soltos, talvez vivendo com os mesmos gastos que tinham no auge de suas desonestas condições de homens de Estado.
Não pode ser verdade que os estados mais importantes do Brasil tenham seus hospitais sem poder atender doentes, com colégios sem aula e sem poder pagar o que merece um professor ou um medico, que não podem gastar nem com correspondência judicial porque não têm dinheiro para o Correio. 
Não pode ser verdade que as empresas terceirizadas, que dizem não receber há seis meses, nenhum delas tenha pedido concordata ou falência, o que significa que deve ter sido inchado seus contratos nesses oito anos de corrupção que atingiram esses estados. 
E aqueles que fizeram os contratos vivem soltos como viviam no passado, quando roubavam, e alguns deles ainda têm o privilégio de serem contratados a peso de ouro por empresas privadas, que ainda esperam receber do Estado. E eles servem de seus lobistas. 
Os atuais governantes pagam com seu sofrimento por administrarem uma herança maldita. Se fosse só maldita não significaria nada. Mas é uma herança destruída pelos corruptos.
O estupro de uma menina menor torna-se bandeira contra os maus-tratos que sofre a mulher, mas parece que a mulher maltratada só recebe solidariedade se for menor. As maiores de idade não têm a mesma sorte. Apanham, o país vê, mas seus agressores não sofrem qualquer punição.
Onde estão os sociólogos para analisarem o que vai acontecer com o país? Como vai reagir este povo sofrido lendo, ouvindo e vendo nos meios de comunicação esses escândalos estampados como se pertencessem a uma só pessoa? 
Não venham autoridades estrangeiras analisar o Brasil e fazer previsões de mercado. De mercado, o povo só entende sobre preço de comida. De bolsa, a que carregam no ombro. 
O Brasil não pode voltar a ser o país das capitanias hereditárias, onde só mereciam terra os amigos da Corte.

Um comentário:

  1. Isenções Fiscais de mais de R$ 138,6 bilhões pagaria Servidores do Estado por mais de cinco anos

    O Governo do Estado do Rio de Janeiro precisa cancelar as ISENÇÕES FISCAIS DE R$ 138.619.218.639,09 (CENTO E TRINTA E OITO BILHÕES, SEISCENTOS E DEZENOVE MILHÕES, DUZENTOS E DEZOITO MIL, SEISCENTOS E TRINTA E NOVE REAIS E NOVE CENTAVOS) CONCEDIDAS A DIVERSAS EMPRESAS para poder cumprir as suas obrigações, ou seja, pagar seus servidores em dia!

    Outra coisa, os reajustes salariais são obrigatórios, conforme determina o Inciso IV do Artigo 7º da Constituição Federal de 1988 ("São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo..."). O Salário Mínimo Necessário, de acordo com o referido dispositivo constitucional, é de R$ 3.795,24, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. O cálculo é feito mensalmente desde 1994 pelo DIEESE com base em valores da cesta básica. Um Soldado da PMERJ ganha apenas R$ 2.382,89. DEFASAGEM: Salário do SD PM está R$ 1.412,35 abaixo do Salário Mínimo Necessário. Garçom desligado do Palácio do Planalto, onde trabalhava há nove anos, José da Silva Catalão, de 52 anos, recebia um salário líquido de R$ 3.870,00, segundo o Transparência Brasil. Isso explica o quadro de desmotivação dos Policiais Militares do Estado do Rio de Janeiro.

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