quinta-feira, 30 de junho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA I e II

Recife foi sacudida por três bombas no dia 25/07/1966. Uma explodiu na União Estadual dos Estudantes (UEE) e outra na sede da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), sem, entretanto, causar vítimas. A terceira escreveria uma das páginas mais negras do terrorismo no Brasil.
Precisamente às 8hs40minutos daquele fatídico dia, uma violenta explosão foi ouvida e sentida no saguão principal do Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife - PE. 

Bomba no Aeroporto de Guararapes, corpo do Almirante Nelson Fernandes.

Era a terceira bomba terrorista, que desta vez causou danos materiais e quase duas dezenas de vítimas, inclusive fatais. Naquele preciso momento, deveria desembarcar no Recife o então candidato à Presidência da República Artur da Costa e Silva. 


Uma pequena maleta escura com explosivos fora deixada no saguão do aeroporto ao lado da única banca de revistas existente no local. A maleta fora encontrada pelo funcionário da banca de revistas Amaro Flor da Silva. Francisco Castanharo, gerente da banca, pediu ao Guarda Civil Sebastião Thomáz de Aquino, conhecido como Paraíba, e ex-ídolo da equipe de futebol do Santa Cruz, para levar a maleta para o balcão do DAC, supondo que ela havia sido esquecida por um passageiro distraído. No percurso, a bomba explodiu. Por sorte, “Paraíba” não morreu no atentado, mas, teve a perna direita amputada e escoriações por todo o corpo. 


Morreram na explosão Edson Regis de Carvalho, jornalista e Nelson Gomes Fernandes, Vice-Almirante aposentado da Marinha do Brasil.
Perícia realizada nos fragmentos do explosivo encontrado no Aeroporto dos Guararapes pelo pessoal do IV Exército revelou que o artefato fora acondicionado em tubos metálicos, de aproximadamente 30 centímetros. Em virtude da técnica empregada bem como da complexidade da bomba, os peritos concluíram que ela fora fabricada por um especialista ou alguém com amplos conhecimentos de química, em virtude das proporções exatas dos elementos químicos empregados que garantiram a explosão no momento desejado, ou seja, no horário previsto para o desembarque do Marechal Costa e Silva no aeroporto.
Entretanto, em virtude de problemas técnicos, o candidato Costa e Silva seguiu para Recife de automóvel, proveniente de Fortaleza – CE, o que impediu uma tragédia maior, tendo em vista que no momento da explosão o saguão já se encontrava praticamente vazio. Assim, além das duas vítimas fatais (Edson Regis de Carvalho e Nelson Gomes Fernandes), outras 17 pessoas ficaram feridas com maior ou menor gravidade, entre elas uma criança de apenas seis anos. Outra vítima grave do atentado foi o então Coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva. Além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda. Na época o Coronel Sylvio era Secretário de Segurança Pública de Pernambuco.
Houve grande comoção e todo o país devido à este atentado terrorista. Jornais da época chegaram a duvidar que o atentado fosse obra de brasileiros, afirmando que isso não fazia parte da cultura nacional. Entretanto, as investigações conduzidas posteriormente concluíram que a motivação do atentado era desestabilizar o regime, sendo sua autoria indubitavelmente atribuída a grupos esquerdistas radicais, com a colaboração de estrangeiros.
Edson Régis de Carvalho era jornalista e Secretário de Administração do Governo de Pernambuco. Foi por duas vezes presidente do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco e era Vice-Presidente da Federação Nacional de Jornalistas. Nelson Gomes Fernandes, Vice-Almirante da Marinha Brasileira, Diretor da Companhia Hidrelétrica de São Francisco (CHESF). Era membro ativo do Lions Clube Internacional. Era casado com Vera Fernandes Ramos e deixou os filhos Leila Maria Lino da Costa e João Roberto, de apenas 3 meses.

No Aeroporto dos Guararapes pode ser vista uma placa com os seguintes dizeres:
“Homenagem da cidade do Recife aos que tombaram neste Aeroporto dos Guararapes, no dia 25 de julho de 1966, vitimados pela insensatez de seus semelhantes:
Almirante Nelson Fernandes
Jornalista Edson Régis.
Glorificados pelo sacrifício, seus nomes serão sempre lembrados, recordando aos pósteros o violento e trágico atentado terrorista, praticado à sorrelfa pelos inimigos da Pátria. Recife, 25 de julho de 1967. Um pensamento que se lhes dedique valerá por um preito de saudade.”

Autoria: Segundo o historiador Jacob Gorender, em seu livro “Combate nas Trevas”, baseado em declarações de Jair Ferreira de Sá, dirigente do grupo guerrilheiro denominado Ação Popular (AP), o militante político Raimundo Gonçalves Figueiredo foi um dos executores. O documento oficial da Aeronáutica Informação nº 141 SISA/RJ, datado de 16/03/1970 confirma que Raimundo foi o autor do atentado.

Um comentário:

  1. E a comissão da verdade não falou nada desse atentado! De quem é o interesse de manter esse atentado assim escondido?
    E ainda querem falar do Brilhante Ustra?
    O erro dos Militares foi de deixar essas pragas proliferar como bactérias.

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