quarta-feira, 8 de junho de 2016

PF mexendo na sujeira do Rio de Janeiro

PF cumpre mandados em caso de suspeita de fraude milionária no Complexo de Deodoro.


Vista aérea do Complexo Esportivo de Deodoro, com a pista de BMX à esquerda e o circuito de canoagem slalom à direita

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal acreditam que cerca de R$ 85 milhões foram desviados dos cofres do governo federal com a falsificação de documentos e da contratação de pelo menos uma empresa “laranja” para simular o transporte e o descarte de material residuário das obras que fazem parte da infraestrutura dos Jogos Olímpicos do Rio, tocadas pelo Consórcio Complexo Deodoro, formado pelas empreiteiras Queiroz Galvão e OAS. As obras são parte da infraestrutura para os Jogos Olímpicos de 2016, em execução com recursos do Ministério do Esporte.
Para investigar a suspeita de irregularidades, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal desencadearam nesta terça-feira a operação Bota Fora, com o apoio do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (MTFC) - antiga Controladoria-Geral da União (CGU) - e a Receita Federal.
A partir de fiscalização realizada pela CGU em meados de 2015, foram detectados indícios de falsificação nos registros dos volumes de resíduos das obras de construção civil. Esses resíduos são transportados do local das obras e depois depositados em um bota-fora no município de Duque de Caxias (RJ). A CGU constatou que os volumes de resíduo foram superfaturados pelo Consórcio Complexo Deodoro. Está sendo investigado também se o consórcio construtor não pagou as despesas referentes à tarifa de disposição de resíduos da construção civil no local licenciado.
CINCO MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO
Segundo a Polícia Federal, há fortes indícios de que a simulação de despesa de transporte de resíduos das obras, com a falsificação de documentos públicos, representou um desvio de cerca de R$ 85 milhões dos cofres públicos.
Em março, a 3ª Vara Criminal do Rio havia determinado o bloqueio de R$ 128,5 milhões que seriam pagos pela Caixa Econômica Federal ao consórcio formado por Queiroz Galvão e OAS. O motivo eram discrepâncias encontradas na quantidade de terra movimentada e na distância percorrida por caminhões que levaram o entulho, ambas menores que o estipulado em contrato. A informação havia sido antecipada pela coluna do Ancelmo Gois, no GLOBO.
Foram cumpridos nesta terça cinco mandados de busca e apreensão no município do Rio e em Duque de Caxias, na sede administrativa do Consórcio Complexo Deodoro e na sede de outras empresas ligadas ao esquema e em residências dos investigados.

O GLOBO




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