segunda-feira, 4 de julho de 2016

Lei Rouanet virou o paraíso de ladrões e picaretas


A corrupção generalizada que penetrou nas entranhas do nosso País e que certamente não irá desaparecer a não ser a longuíssimo prazo ganhou um tom “artístico” nos últimos dias.  Tornada mais intensa graça à avalanche de denúncias, delações premiadas e outras barbaridades que já são comuns no noticiário diário, a desonestidade brasileira finalmente começou a ser desbarata em um universo que começou com uma ótima ideia, mas que apodreceu com o passar do tempo: a Lei Rouanet.
Junto com a Controladoria Geral da União, a Polícia Federal vem realizando nos últimos dias uma série de operações em São Paulo, Rio e Brasília para desbaratar várias quadrilhas especializadas em fraudar a Lei que foi criada para que empresas pudessem investir em projetos culturais por intermédio de incentivos fiscais. Já tem muita gente presa – com bloqueios de bens e seqüestro de imóveis e carros de luxo - e milhares de documentos já foram apreendidos no Ministério da Cultura e nas sedes de dezenas de empresas, com mandatos judiciais e tudo. Quem for condenado vai receber a pena devida para peculato, estelionato, crime contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa. Tá bom ou quer mais?
Segundo a Polícia Federal, já foram identificadas fraudes que atingem um total de R$ 150 milhões desde 2001 e que já dá pra afirmar que tal valor pode subir a R$ 180 milhões. Um absurdo completo! No meio deste cataclisma de desonestidade, há até o caso de um casamento – sim, acredite: um casamento!!! – que foi bancado com a grana obtida de modo ilícito por intermédio da Lei Rouanet. Dá até vontade de rir, tamanha é a vontade de chorar…
Estava na cara que o oportunismo desonesto que atingiu o Brasil com força intergaláctica chegaria mais cedo ou mais tarde no meio artístico. As propostas da tal lei começaram a ficar mais deterioradas à medida que grandes empresas começaram a patrocinar um monte de eventos e empreitadas de gente famosa que não precisava de dinheiro para isso. Obviamente, na hora em que a Operação Lava-Jato chegou na Petrobrás, a “caixa de Pandora”da corrupção e do estelionato cultural foi aberta.

Não foram poucas as maneiras utilizadas para que tais fraudes ocorressem, indo do corriqueiro superfaturamento – algo tão comum no Brasil como as baratas – até a apresentação de notas fiscais fictícias e, pasmem, projetos duplicados! Para piorar ainda mais o quadro, mais impressionante do que constatar as irregularidades foi descobrir que muitos artistas – alguns BEM famosos – também estão envolvidos na obtenção de muita “grana extra” em eventos corporativos, shows em festas de grandes empresas para funcionários, clientes e patrocinadores. Torço para que a relação de todos esses larápios seja divulgada com todo o alarde possível, incluindo os maiores beneficiários destas tramóias e os responsáveis pela aprovação e  liberação de verbas para tais “projetos”, além daqueles que deveriam fiscalizar a prestação de contas de tudo o que foi aprovado de maneira irregular.
É assim que podemos abrir um caminho alternativo para o Brasil. Precisamos nos reanimar para que as próximas gerações não sejam desestimuladas a persistir em valores morais de honestidade, respeito e transparência. Caso contrário, em mais algumas décadas o espírito estelionatário do brasileiro vai pulverizar qualquer traço de civilidade.
Por enquanto, o Brasil está envelopado com uma mortalha de corrupção e se tornou uma nação tão miserável quanto uma foto em preto e branco desbotada, jogada em um terreno baldio úmido, esverdeado e fedorento.


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