quinta-feira, 14 de julho de 2016

Nem PMERJ nem Força Nacional, ambos acuados.


DENÚNCIA DE POLICIAIS MILITARES

Estou trabalhando aqui no rio, para a Olimpíada! Vim para o contingente da Força Nacional!
Queríamos denunciar o abuso que está acontecendo. Estamos trabalhando mais de 60 horas semanais, numa escala de 12 por 24. Onde essas 24 horas de folga se tornam 16, pois temos que estar prontos duas horas antes do início do serviço, e quando largamos o serviço levamos quase duas horas para chegar no local de descanso! 




Descanso esse que foi fornecido pela caixa, uns apartamentos, no meio de uma favela, ontem nos falta água para tomar banho, onde não podemos ter fogão para fazer comida, temos que ficar fazendo engenhocas para comer! Temos apenas uma farda, e não podemos nem ter um varal na rua para que ela seja lava e seca. 
Sem contar o serviço de 12 horas que é em pé, com um fuzil na mão, onde não podemos nem descansar! Temos tempo contato para comer, e se quisermos por acaso tirar um cochilo, esse cochilo é no chão duro! Como segue na foto que vou te mandar!
Quando estou de serviço das 7 às 19. Me acordo às 4 da manhã para as 5 estar pronto. Chego no meu local de trabalho e fico até as 19. Onde só chego no local onde seria meu conforto de descanso, quase 21 horas!
Sem contar que as diárias prometidas não estão sendo pagas, muito menos a diária que seria dobrada como também foi prometido. Estamos com menos de 3500 homens e mulheres aqui, em condições sub-humanas. Estamos dormindo em colchão de ar, que tivemos que comprar pois não nos forneceram beliches nem colchões. Falta quase um mês para a Olimpíada, mais da metade do efetivo inclusive os 200 quem vieram de Santa Catarina estão pensando em abandonar o barco, nessas condições ficaremos doentes, e não conseguiremos prestar um serviço de excelência que nos é cobrado!
Estamos sendo cobrados ao extremo, e o nosso comando nos ameaça, pois perdeu o controle da sua tropa! 
Tropa está que esta adoecendo e pedindo o socorro.


Matéria Jornal EXTRA


Militar da Força Nacional com um galão de água mineral no conjunto habitacional onde estão alojados na Zona Oeste do Rio

Os agentes da Força Nacional que participarão do esquema de segurança da Olimpíada — um aparato que prevê o combate a ações criminosas e até a terroristas — estão tendo de se submeter às ordens da milícia na Zona Oeste do Rio. Segundo agentes denunciaram ao EXTRA, os 3.500 PMs, policiais civis e bombeiros de vários estados do Brasil não podem circular armados pela Gardênia Azul e foram impedidos até de instalar internet nos apartamentos onde estão alojados, no condomínio Vila Carioca, do “Minha casa, minha vida”, no bairro do Anil.


Homens da Força Nacional estão impedidos de andar com a identidade policial na área da milícia

Como a milícia explora o sinal a cabo na região e, de acordo com os agentes, as operadoras de internet fixa são impedidas de atuar na área pelos paramilitares, a saída é que cada policial use a própria internet móvel, pagando do próprio bolso.

O Ministério da Justiça informou, por meio de nota, que vai apurar as informações e encaminhá-las à Polícia Federal, à Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

O Vila Carioca, ainda não inaugurado, começou a ser ocupado pela Força Nacional em maio. Os agentes que concordaram em conversar com o EXTRA, sob a condição de anonimato, estão no Rio há cerca de 15 dias. Contam ter recebido as orientações sobre as restrições impostas pela milícia de seus coordenadores — policiais militares, policiais civis e bombeiros têm coordenações separadas — dentro do próprio conjunto habitacional, assim que os grupos chegavam ao Vila Carioca. As determinações eram passadas sempre a grupos de poucos agentes por vez.
— A gente já cansou de ver gente armada na Gardênia — contou um dos militares da Força Nacional.
Além da arma, a orientação aos agentes é que não andem com a identidade policial. Segundo dizem os agentes, a Gardênia Azul é uma “área branca”, ou seja, sem risco para os policiais, já que estão levando lucro para a comunidade ao comprar produtos. O atraso no pagamento de diárias, as escalas de trabalho as más condições de alojamento levaram agentes a fazerem, nesta terça-feira, um panelaço dentro do condomínio. Eles ameaçam deixar o Rio e voltar para seus estados de origem. Mais de 700 policiais participaram de uma reunião com o comando da Força Nacional no Rio, pedindo mudanças.
Não é só a banda larga que tem de sair do salário de cada agente. Como os apartamentos foram disponibilizados sem mobília para servir de alojamento, os policiais e bombeiros fizeram “vaquinhas” para equipar as residências . Foram gastos aproximadamente R$ 3,2 mil por apartamento para instalar lâmpadas, televisores , geladeiras e beliches .


São seis agentes por cada um dos apartamentos, distribuídos em cinco blocos do conjunto habitacional. Para comprar uma televisão de 14 polegadas, um dos militares contou ter pago R$ 600.
Já as geladeiras foram alugadas, em média a R$ 650 cada. Segundo os militares, não há água potável no conjunto habitacional.
— Estou aqui há 15 dias e já comprei mais de quatro galões. Fora isso já gastei com lâmpada até chuveiro. Pior é que minha diária ainda não saiu — disse um militar, que pediu para não ter seu nome divulgado.
A falta de estrutura virou sinônimo de lucro para os ambulantes da Gardênia. Ontem, uma Kombi e um caminhão venderam quase todo estoque de água mineral na porta do conjunto.
— Vendo 80 galões de água mineral por dia. Cada um sai por R$ 5 — disse um comerciante, que pediu para não ter seu nome divulgado
O Ministério da Justiça e Cidadania afirmou que “não existe tolerância com atividades criminosas” e que irá apurar a denúncia de que milícias estão interferindo no trabalho da Força Nacional.

                            Na foto, cama improvisada em outro apartamento ocupado pelos militares 

O ministério informou que a estrutura de segurança das instalações olímpicas está Garantida, assim como as diárias dos profissionais da Força Nacional que atuarão nos jogos. Se houver necessidade, afirmou o ministério, já existem 4.500 policiais inativos inscritos que podem ser aproveitados na Olimpíada.
Sobre as apertadas escala de serviço, o secretário de segurança para grandes eventos, delegado Andrei Augusto, disse ao "RJTV", da Rede Globo, que elas serão revistas.

EXTRA


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