segunda-feira, 4 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA VI

A notícia da morte de Zé Dico foi publicada como “ato de justiça social” na primeira edição do jornal O Guerrilheiro, em abril de 1968.

José Gonçalves Conceição era conhecido como “Zé Dico” na região de Presidente Epitácio - SP, às margens do Rio Paraná, no oeste paulista. “Zé Dico” era fazendeiro e tinha a seu soldo, segundo noticiavam os jornais daquela época, diversos pistoleiros ou jagunços. “Zé Dico” era proprietário da Fazenda Bandeirantes, de 470 alqueires, e pretendia estender seus domínios para outras áreas da região. Justamente por isso acabou entrando em choque com posseiros na região denominada Poção do Jacó.
Carlos Marighella, que era o fundador e comandante da ALN (Aliança Libertadora Nacional) determinou que Edmur Péricles de Camargo, apelidado de Gauchão, se deslocasse até a região do conflito agrário e resolvesse a questão do conflito entre o fazendeiro “Zé Dico” e os posseiros. Em uma primeira tentativa Edmur não obteve sucesso. Retornou a São Paulo, mas não conseguiu fazer contato com Marighella. Joaquim Câmara Ferreira, conhecido como Toledo, ou “o Velho” determinou então que Edmur voltasse até Presidente Epitácio e resolvesse a questão de qualquer maneira, inclusive matando o fazendeiro “Zé Dico” se fosse necessário. Foi exatamente o que Edmur fez. “Zé Dico” foi trancado em um quarto da sua casa, torturado e morto com vários tiros. O filho do fazendeiro tentou socorrer o pai, mas foi expulso da casa. Nesse momento, Edmur também baleou o filho de “Zé Dico” com dois tiros nas costas.
José Gonçalves Conceição ou José da Conceição Gonçalves (os jornais da época divulgavam o nome dele com as duas grafias), conhecido como “Zé Dico”, era fazendeiro em Presidente Epitácio – SP. Foi assassinado em 24/11/67. Sabe-se que ele tinha um filho que foi baleado quando de seu assassinato. Os jornais pesquisados não divulgaram maiores informações sobre a vítima.

Autoria: Edmur Péricles de Camargo, vulgo Gauchão, braço direito de Carlos Marighella, e integrante da ALN – Aliança Libertadora Nacional.
Fontes: Correio da Manhã, edição 22763 de 21/06/1967, 1º caderno, página 5, edição 22762, 1º caderno, página 8, edição 22838 de 16/09/1967, 1º caderno, página 7 e edição 23619 de 16/04/1970, 1º caderno, página 7; Diário de Pernambuco, edição 0009 de 12/01/1971, 1º caderno, página 2; Jornal do Brasil, edição 00279 de 14/01/1979, página 4.

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