terça-feira, 5 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA VII

Em 19/12/1967, por volta das 12 horas, um Aero Willys azul claro estacionou pouco depois da entrada do Banco Mercantil do Brasil, na esquina das Ruas do Grito e Silva Bueno, no Bairro do Ipiranga, em São Paulo – Capital. De seu interior saltaram quatro homens armados, dois deles aparentando ter menos de 25 anos. 



“O que importa não é a identidade do cadáver, mas seu impacto sobre o público” (Carlos Marighela)

Testemunhas dizem que o grupo estava calmo e nem tomava conhecimento do grande movimento provocado pela semana do natal. Dois dos assaltantes ficaram do lado de fora dando cobertura, os demais já entraram na agência de armas em punho anunciando o assalto. Recolheram NCr$ 3.800,00 que um funcionário da Souza Cruz estava depositando em um caixa. Antes que pudessem roubar outros valores, o gerente da agência Oziris Mota Marcondes que voltava do almoço naquele momento, viu o que ocorria e por instinto tentou deter os assaltantes. Osiris levou um único que entrou pela face esquerda, atravessou todo o crânio e saiu pelo olho direito. Os assaltantes, com a mesma tranqüilidade que entraram no banco saíram. As mesmas testemunhas informaram que ouviram o diálogo que se travou no interior do Aero Willys: “foi você quem atirou?”; a resposta: “sim, apaguei o homem”.

Osiris foi socorrido, mas, morreu ao receber os primeiros socorros no Instituto Paulista de Medicina, para onde foi levado ainda com vida. Os assaltantes fugiram no Aero Willys e foram perseguidos até as cercanias de São Caetano do Sul – SP, onde conseguiram despistar a polícia. Naqueles dias de dezembro de 1967 a polícia paulista percebeu um alarmante aumento nos assaltos contra agências bancárias, todos com as mesmas características: eram realizados por grupos armados, durante o dia e em agências de bairros. O Jornal do Brasil chegou a publicar uma manchete com os seguintes dizeres: “O Festival de Assaltos que Assola o País”.
Somente na década seguinte é que a motivação da misteriosa onda de assaltos começou a ser esclarecida. Tratava-se de crimes cometidos para angariar fundos para financiar as atividades de guerrilha e terrorismo engendradas pelos grupos de esquerda.
Osiris Mota Marcondes tinha 52 anos, era casado. Era gerente da Agência do Banco Mercantil do Brasil. Os jornais pesquisados não divulgaram outras informações sobre a vítima.


Autoria: Henrique Moreno (autor do disparo que vitimou Osiris), Osvaldo Kis dos Santos, Manoel Ferreira Lopes e um quarto elemento que nunca foi identificado.



Fontes: Jornal do Brasil, edição 000221 de 20/12/1967, 1º caderno, página 18, edição 000240 de 12/01/1968, 1º caderno, página 14, edição 00108 de 14/08/1968, caderno B, matéria de capa, edição 00345 de 23/03/1978, 1º caderno, página 8; Revista O Cruzeiro, edição 001 de 06/01/1968, página 18.

Robson Merola de Campos

Nenhum comentário:

Postar um comentário