sábado, 9 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA! XIII

Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen, 01/07/1968, Major do Exército Alemão

O Major alemão Maximilian Von Westernhagen era veterano da 2ª Guerra Mundial e sabia que estava em perigo. Um sexto sentido latente, militar, o alertava para isso. Mas não fazia a menor idéia do motivo. Estava no Rio de Janeiro cursando a Escola de Comando do Estado-Maior do Exército. Não tinha qualquer ligação com os serviços de segurança que eram encarregados de combater as ações de subversão. Por diversas vezes comentara com amigos que estava sendo seguido, por várias pessoas. Justamente por isso, já estava se preparando para retornar à Alemanha. O bombeiro hidráulico Paulo de Souza Araújo que estivera, poucos dias antes, fazendo reparos na casa do Major Westernhagen confirmou isso à polícia em seu depoimento durante as investigações.

Na tarde de 01/07/1968 o Major Westernhagen vestido à paisana e desarmado, estava chegando no seu apartamento, localizado na Rua Araucária, 66, apartamento 101, Bairro Jardim Botânico quando foi cercado por desconhecidos. O grupo disparou mais de vinte tiros contra o Major Westernhagen, que morreu na hora. Depois de atirarem os assassinos levaram a maleta com documentos (do seu curso) que o Major conduzia consigo, mas, deixaram sua carteira com dinheiro intocada. O grupo fugiu em um Volkswagen cor gelo que esperava a 200 metros do local.


A perícia feita no corpo da vítima revelou que ele levou três tiros nas costas, quatro no peito, um na boca e um na testa, com projéteis de dois calibres diferentes: .22 e 7,65 (de pistola). Havia, portanto, pelo menos dois executores. A polícia não tinha dúvidas que o crime fora minuciosamente planejado.


          Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen

Dois dias depois, os jornais da época já divulgavam que o Major alemão havia sido morto por engano. Ele fora confundido com o Major Gary Prado, do Exército boliviano, e suposto matador do guerrilheiro cubano Che Guevara. O Major Gary Prado também fazia o curso da ECEME e não tinha características físicas de sul-americano o que favoreceu a confusão por parte dos executores.
Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen morreu em 01/07/1968. Era Major do Exército Alemão e era casado com Gisela Westernhagen e tinha duas filhas: Catherine (15 anos) e Carolina (8 anos).

Autoria: Severino Viana Collon (Callou ou Calou), João Lucas Alves (ex-sargento da Aeronáutica) e uma terceira pessoa que jamais foi identificada. Os dois primeiros pertenciam ao Comando de Libertação Nacional (COLINA).
Fontes: Correio da Manhã, edição 23076 de 03/07/1968, 1º caderno, página 10; Jornal do Brasil, edição 00071 de 02/07/1968, 1º caderno, página 18 e edição 00186 de 13/11/1968, 1º caderno, página 14.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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