domingo, 10 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA! XIV

Eduardo Custódio de Souza, 07/09/1968, Soldado da Força Pública de São Paulo

Eduardo Custódio de Souza era soldado da Força Pública (atual Polícia Militar de São Paulo) e nunca poderia imaginar quando saiu de sua casa na véspera do dia da Independência do Brasil do ano de 1968 que jamais voltaria a ver a sua família. Estava de serviço como sentinela do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) quando foi alvejado com uma rajada de tiros de sua própria metralhadora, que foi levada pelos seus assassinos.

A Polícia fez diversas conjecturas sobre os motivos do assassinato do Soldado Souza. Entretanto, somente um novo crime bastante semelhante que aconteceu quinze dias depois, quando outra sentinela (Antônio Carlos Jaffet) também foi abatida a tiros na madrugada, fez com que todas as hipóteses convergissem para um só ponto: o crime fora praticado por uma organização terrorista. As dúvidas só persistiam sobre as intenções por trás do crime: se era para roubar apenas a arma da sentinela; se visavam também roubar mais armas ou munições e ainda se havia a intenção do grupo de libertar outros terroristas que estavam detidos no DOPS naquele dia.

A investigação dos dois crimes (Eduardo Custódio e Antônio Carlos Jaffet) confirmou diversas similaridades: os dois crimes foram cometidos de madrugada, em finais de semana, contra sentinelas que estavam sozinhas no seu turno e visavam roubar armamento, especialmente metralhadoras. Justamente por isso a polícia concluiu que era ação de grupos terroristas.

Eduardo Custódio de Souza era soldado da antiga Força Pública do Estado de São Paulo (atual Polícia Militar). Foi assassinado com uma rajada de tiros no peito em 07/09/1968. Os jornais da época, que foram pesquisados, não trouxeram maiores informações sobre a vítima.
Autoria: desconhecida. Atribuída a terroristas tendo em vista o modus operandi e a similaridade com outros crimes elucidados.


Fontes: Correio da Manhã, edição 23145 de 21/09/1968, 1º caderno, página 10; Jornal do Brasil, edição 000142 de 22/09/1968, 1º caderno, página 21; Diário de Notícia, edição 14061, página não identificada.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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