sexta-feira, 15 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA XIX

Alzira Baltazar de Almeida, 07/01/1969, estudante


Alzira tinha toda uma vida pela frente. Com apenas 17 anos jamais imaginaria que um simples passeio pela Rua Real Grandeza, Bairro de Botafogo (Rio de Janeiro), resultaria na sua própria morte. Quando passava precisamente defronte ao número 113 daquela rua, uma carga de dinamite que estava dentro de um Volkswagen interrompeu a vida e os sonhos de Alzira. A explosão provocou ainda lesões corporais em Iracilda Messias, amiga de Alzira e que estava passeando com ela. Outras seis pessoas também ficaram feridas no atentado. Este fora o segundo atentado daquele dia; o primeiro fora contra a 9ª Delegacia de Polícia, no Catete. Por volta das 22hs20min os ocupantes de um Volkswagen, cor gelo, sem placas jogaram uma banana de dinamite debaixo de uma viatura policial que estava estacionada defronte a 9ª DP. Minutos depois o Fusca era abandonado diante no local onde explodiria na Rua Real Grandeza.
Desde o primeiro momento não havia qualquer dúvida de que se tratava de um atentado terrorista. O Juiz Werber Martins Batista, da 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça da Guanabara, designado para analisar o inquérito, declinou da sua competência para a Justiça Militar, fundamentando sua decisão por considerar que se tratava de um delito contra a segurança nacional.
As investigações apontaram que no interior do Volkswagen foram colocados pelo menos 30 quilos de dinamite, tendo em vista que o automóvel ficara reduzido a um monte de ferragens retorcidas. Dois automóveis que estavam estacionados paralelamente ao Fusca foram consumidos pelas chamas. Diversas edificações da região foram danificadas com a força da explosão. Destroços do veículo foram encontrados a dezenas de metros do local.
Alzira Baltazar de Almeida era estudante e tinha 17 anos. Morava na Estrada da Gávea, Rio de Janeiro. Era filha de Pedro Baltazar, que reconheceu o corpo mutilado da filha após a explosão.
Autoria: desconhecida. Na época, os jornais atribuíam a autoria à chamada “Gangue da Metralhadora” composta por terroristas de influência chinesa. Porém a autoria jamais foi apontada com certeza.
Fontes: Correio da Manhã, edição 23454 de 01/01/1969, 1º caderno, página 14; Diário de Notícias, edição 14149 de 09/01/1969, matéria de capa e página 18; A Luta Democrática, edição 04594 de 09/01/1969, página 2;
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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