quinta-feira, 14 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA" XVIII

Estanislau Ignácio Correia, 07/11/1968, construtor
                                   YOSHITAME FUJIMORE, Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
Estanislau era descrito por quem o conhecia como um homem calmo, devotado à família e ao seu trabalho. Em 07/11/1968, ele foi à casa de seu sócio Duarte Alves de Oliveira, localizada na Rua Norberto Carlos de Souza Aranha, Alto de Pinheiros, em São Paulo Capital para buscar o dinheiro (cerca de NCr$ 20.000,00) para pagar seus empregados. Ao sair da casa de seu sócio, foi abordado por dois indivíduos, que após rápida luta corporal o mataram com vários tiros de revólver calibre .32. Eles roubaram a perua Chevrolet de propriedade de Estanislau bem como a maleta com o dinheiro. A perua foi abandonada a cerca de 500 metros do local do crime. A esposa e a empregada do sócio de Estanislau informaram à polícia que os dois assassinos não aparentavam ter mais que 25 anos e estavam bem vestidos.
Somente em junho de 1969, após a prisão dos dois assassinos (o ex-sargento Pedro Lobo Oliveira e Oswaldo dos Santos) e a conclusão de um inquérito que apresentou uma lista de 68 pessoas envolvidas em atividades subversivas é que o assassinato do empreiteiro foi esclarecido e seus autores devidamente apontados. Pedro, Oswaldo e outros dois elementos foram surpreendidos pela polícia no final de junho de 1969 em um sítio de Itapecerica da Serra quando pintavam um caminhão com as cores do Exército Brasileiro. Posteriormente descobriu-se que a intenção dos terroristas era utilizar o veículo em uma ação contra o Quartel do 4º Regimento de Infantaria em Quitaúna.
Estanislau Ignácio Correia era empreiteiro e tinha 38 anos quando foi assassinado. Era casado e era pai de quatro filhos. Seus amigos diziam que ele adorava a sua família e o seu trabalho.
Autoria: Ioshitame Fugimore (deu cobertura ao assassinato), Oswaldo Antônio dos Santos e Pedro Lobo Oliveira, todos integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).


Fontes: Correio da Manhã, edição 23372 de 27/06/1969, 1º caderno, página 6; Diário da Noite, edição 13261 de 11/11/1968, 2º caderno, página 14, edição 13263 de 13/11/1968, página 17 e edição 13657 de 27/06/1969, 1º caderno, página 9.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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