sexta-feira, 15 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA! XX & XXI

Edmundo Janot, 11/01/1969, fazendeiro; e
Leôncio Martins Ribeiro, capataz



Inspirados pelos exemplos das revoluções cubana e chinesa, terroristas brasileiros decidiram montar campos de treinamento de guerrilha em áreas rurais, acreditando que dessa forma poderiam dar início à uma revolução popular. Edmundo Janot era proprietário da Fazenda Lagoinha, no município de Cachoeiras de Macacu - RJ, e teve o azar de ter a sua fazenda escolhida como campo de treinamento guerrilheiro. Naturalmente, Edmundo não gostou de ver sua propriedade invadida por guerrilheiros comunistas. E os guerrilheiros chegaram a conclusão que Edmundo era um “estorvo” que precisaria ser afastado.
No dia 11/01/1969 um grupo de guerrilheiros cercou Edmundo e Leôncio (capataz da Fazenda Lagoinha) pegando-os em uma emboscada. Edmundo morreu na hora; a perícia em seu corpo contou mais de uma centena de disparos de revolver e espingarda. Leôncio foi socorrido, mas morreu alguns dias depois em um hospital do Rio de Janeiro.
Em um primeiro momento, parecia que se tratava de mais um crime envolvendo disputas de terras. Porém, após a prisão dos primeiros suspeitos descobriu-se que na verdade a morte de Edmundo e Leôncio fora planejada e executada por guerrilheiros que haviam se instalado nas terras da Fazenda Lagoinha.
Edmundo Janot era engenheiro de formação, mas, havia escolhido a atividade rural como principal ocupação. Edmundo era casado com Aida Martins Janot e tinha vários filhos. Não constam maiores informações sobre Leôncio Martins Ribeiro nos jornais pesquisados.
Autoria: desconhecida. Na época os jornais divulgaram nomes de diversos suspeitos, mas, nada pôde ser confirmado, a não ser a motivação do crime, que foi política.
Nota do autor: O nome de Leôncio Martins Ribeiro não consta das listas de mortes provocadas pela esquerda no Brasil. Provavelmente, esta ausência se deve ao fato de que ele não faleceu no momento da emboscada, mas, alguns dias depois em um Hospital do Rio de Janeiro.
Fontes: Jornal do Brasil, edição 00012 de 22/04/1969, 1º caderno, página 14; Diário de Notícias, edição 14165 de 26/01/1969, 1ª seção, página 16.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).


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