quarta-feira, 20 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA! XXVII

José de Carvalho, 08/05/1969, investigador de polícia


O investigador da Polícia Civil José de Carvalho estava com o Delegado Hélio Pontes, em patrulha pela Avenida General Francisco Glicério, em Suzano – SP, naquela manhã de 07/05/1969. José Carvalho iria sair de férias no dia seguinte. Esta avenida, que era a principal artéria de Suzano – SP, possuía sete agências bancárias e era sempre bem guarnecida de policiais. Mas, o Delegado Hélio Pontes gostava de verificar pessoalmente a segurança do local, e por isso, sempre que podia, fazia a ronda por ali. Mas, aquela não foi uma manhã como todas as outras.
Yassonobo Sakan, dono de uma joalheria, ao ver a aproximação da viatura policial, avisou que um assalto estava em andamento em um banco próximo dali. Os policiais aceleraram o veículo até a Agência do Banco Brasileiro de Descontos. Foram recebidos à bala pelos terroristas. Jogaram-se ao chão, atrás de um veículo. José de Carvalho nem teve tempo de sacar a sua arma: foi atingido por um terrorista que estava em outro veículo com um tiro na boca. Faleceu no dia seguinte, no hospital. No tiroteio ficaram feridos também Antonio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini. Os terroristas fugiram em um Volkswagen vermelho, que enguiçou algumas ruas depois. De arma em punho eles roubaram outro veículo, uma Kombi, e fugiram. Levaram cerca de NCr$ 20 mil.
José de Carvalho era investigador da Polícia Civil. Era casado e tinha filhos menores. Foi enterrado em Mogi das Cruzes, à pedido de sua família. Durante seu enterro, policiais civis dispararam suas armas para o alto em homenagem ao colega que tombou no cumprimento do dever.
Autoria: Participaram desta ação os seguintes terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN): Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Takao Amano (ferido na coxa com um tiro e operado em um aparelho médico por Boanerges de Souza Massa, médico da ALN), Ney da Costa Falcão, Manoel Cyrilo de Oliveira Neto e João Batista Zeferino Sales Vani.
Fontes: Diário da Noite, edição 13614 de 08/05/1969, matéria de capa e página 8; edição 13.638, de 05/06/1969, matéria de capa e  edição 13639 de 06/06/1969, página 2; Correio da Manhã, edição 23333 de 11/05/1969, 1º caderno, página 6.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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