domingo, 24 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA. XXXI e XXXII

Guido Bonni, 22/06/1969 e Natalino Amaro Teixeira, 22/06/1969, ambos Soldados da Força Pública de São Paulo


Havia algo de muito errado com a guarnição da Rádio Patrulha RP-416 naquele 22/06/1969. O último contato feito via rádio com o Posto Policial da Força Pública de Itaquera fora às 2hs15min da madrugada, quando o Soldado Guido Bonni informou que ele e seu companheiro Natalino Amaro Teixeira estavam indo atender um chamado de urgência de uma parturiente. Depois disso, ninguém mais sabia dizer do paradeiro da Rádio Patrulha ou da sua guarnição.
Somente por volta das 11 horas da manhã o mistério foi esclarecido. Um grupo de populares encontrou uma viatura incendiada dentro de um matagal próximo à localidade conhecida como “Líder”. Dentro, havia um corpo carbonizado e há poucos metros de distância, outro corpo, crivado de balas pelas costas. O corpo carbonizado era de Guido Bonni e o corpo baleado pelas costas era de Natalino Amaro Teixeira. Quem os matou levou consigo uma metralhadora INA, um rifle Winchester e os dois revolveres que os soldados portavam.
As características do crime, que teve finalidade de roubar armas dos soldados, levaram as autoridades a concluírem que sua motivação fora política, para armar os inúmeros grupos terroristas que atuavam no Brasil.
Dez viaturas policiais fizeram a escolta dos corpos dos dois soldados mortos, precedidos de oito batedores do DET com as sirenes ligadas. Houve grande comoção durante o percurso que conduziu os soldados mortos no cumprimento do dever até o Cemitério da Saudade em São Miguel Paulista. Lá, eles foram sepultados lado a lado, nos túmulos de números 11 e 12. Uma salva de 21 tiros foi disparada quando os caixões baixaram à sepultura.
Guido Bonni (Bonne ou Boné, segundo alguns periódicos) era Soldado da Força Pública de São Paulo (atual Polícia Militar). Era casado e tinha oito filhos.
Natalino Amaro Teixeira era Soldado da Força Pública de São Paulo (atual Polícia Militar). Era casado e tinha dois filhos menores.
Autoria: Desconhecida. O então Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Hely Lopes Meireles atribuiu a ação a grupos terroristas em atuação na capital naqueles dias. Nas listas dos mortos pela esquerda a ALN (Aliança Libertadora Nacional) é apontada como autora do atentado que vitimou os dois soldados. Entretanto, alguns jornais da época atribuíram o crime à denominada “Gang do Fogo” que era integrada por Benedito Moreira da Silva, Luis Carlos Valadão, Luis Carlos Farias e Salustiano de Souza Guimarães. Alguns destes eram ex-integrantes da Força Pública de São Paulo. A “Gang do Fogo” atuava em assaltos a bancos em São Paulo e Paraná.
Fontes: Jornal do Brasil, edição 00066 de 24/06/1969, 1º caderno, página 22; edição 00067 de 25/06/1969, 1º caderno, página 18; Diário de Notícias, edição 14302 de 25/06/1969, 1ª seção, página 2; Diário da Noite, edição 13655 de 25/06/1969, 1º caderno, página 81 e edição 13679 de 08/07/1970, 2º caderno, página 8; Correio da Manhã, edição 23460 de 08/10/1969, 1º caderno, página 12.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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