segunda-feira, 25 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA. XXXIII

Cidelino Palmeiras do Nascimento, 19/07/1969, motorista de taxi

O Guarda bancário Nilton Batista da Silva estava de vigilância nas proximidades da Agência Muda do Banco Aliança, localizada na Rua Conde de Bonfim, 676-B, no Rio de Janeiro – RJ, quando viu um automóvel Itamaraty (cor bege, placas GB 28-28-49) estacionar na calçada bem próximo à agência. No seu interior estavam sete homens, todos jovens e bem vestidos. Um dos homens saiu do carro e entrou na agência. Nilton desconfiou que se tratava de mais um assalto. Também se dirigiu para a agência e quando se preparava para prender o suspeito foi rendido por outros integrantes do grupo. Eles lhe tomaram o revólver e bateram no seu rosto. Na agência estavam dez funcionários e três clientes. Todos foram rendidos. Enquanto um dos terroristas recolhia o dinheiro, outro usava um spray e escrevia na parede interna do banco a autoria do crime: “VAR-PALMARES”.
Após o assalto, Nilton Batista da Silva, o gerente Telmo Teixeira Belotti, o sub-gerente Enzio Fasani e outro funcionário resolveram perseguir os bandidos. Para isso, pediram ajuda ao motorista de taxi Cidelino Palmeiras do Nascimento (Fusca placas 40-74-95). Na esquina da Rua José Higino com Andrade Neves, outro veículo, um Fusca Bege, que dava cobertura aos terroristas, fez uma manobra brusca e “fechou” o taxi. Uma saraivada de balas foi disparada. O resultado foi trágico: um dos tiros disparados pelos terroristas acertou a testa de Cidelino e interrompeu a perseguição. O motorista perdeu a direção do taxi e o veículo se chocou violentamente contra um muro. Cidelino ainda foi socorrido e ficou internado por vários dias, até sua morte, que ocorreu precisamente às 15 horas do dia 20/07/1969. O sepultamento de Cidelino foi no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.
O roubo rendeu aos terroristas a importância de NCr$ 46.877,08. O automóvel Itamaraty utilizado na ação fora roubado alguns dias antes e foi encontrado horas depois do crime na Rua Silva Guimarães. A polícia apurou que o roubo do Itamaraty fora realizado através de um estratagema, quando uma bonita jovem usando uma peruca loira pediu carona ao proprietário do carro, Alexandre Ferreira Lustrosa. Quando Alexandre parou o carro, dois homens surgiram e o renderam, acertando-o com diversas coronhadas e levando o carro com a loira dentro.
Cidelino (Cildefino, Cildesino ou Sidelsino - segundo alguns periódicos) Palmeiras do Nascimento tinha 28 anos e era solteiro. Os jornais da época que foram pesquisados não trouxeram maiores informações sobre a vítima.
Autoria: inicialmente foram acusados os terroristas Wellington Moreira Diniz, Carlos Minc Baumfeld, Juarez Guimarães Brito, Severino Viana e um estudante chamado Ricardo. Entretanto, de acordo com o Jornal do Brasil (edição 00050) as investigações posteriores revelaram que os autores do assalto e assassinato de Cidelino foram os terroristas Chael Charles Schreier, Adilson Ferreira da Silva, Fernando Borges de Paula Ferreira, Flávio Roberto de Souza, Reinaldo José de Melo, Sônia Eliane Lafóz e o autor dos disparos Darci Rodrigues, todos pertencentes a organização terrorista VAR-Palmares, a qual também pertencia Dilma Rousseff.
Fontes: Tribuna da Imprensa, edição 05846 de 14/07/1969, página 6; Correio da Manhã, edição 23392 de 20/07/1969, 1º caderno, página 6; Jornal do Brasil, edição 00203, de 1º/12/1969, 1º caderno, página 35 e edição 00050 de 28/05/1974, 1º caderno, página 12; Diário de Notícias, edição 14317 de 12/07/1969, 1ª seção, página 10.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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