sexta-feira, 29 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA. XXXIV

Aparecido Santos de Oliveira, 24/07/1969, Soldado da Força Pública de São Paulo (atual Polícia Militar)
Chael Charles Schreier, terrorista VAR Palmares

No dia 24/07/1969 doze homens ocupando dois automóveis (um Itamaraty, cor gelo, placas 36-76-39 e outro não identificado) realizaram um audacioso assalto à agência do Banco Bradesco, localizado na Rua Turiaçu, 1202, Bairro Perdizes, em São Paulo – SP. Parte do grupo invadiu a agência, enquanto o restante ficou na rua dando cobertura à ação. O assalto rendeu apenas NCr$ 7 mil aos assaltantes, pois eles não conseguiram abrir o cofre, limitando-se a recolher o dinheiro que estava nas gavetas dos caixas. 
Do lado de fora da agência o Soldado da Força Pública Aparecido Santos de Oliveira estranhou a movimentação e resolveu averiguar. Nem chegou a sacar sua arma: foi alvejado com um tiro. Já no solo, outro terrorista abriu fogo contra Aparecido. No total, Aparecido foi baleado oito vezes. Ele chegou a ser socorrido e levado para o Hospital São Camilo, mas, morreu antes de ser operado.
Segundo a polícia informou, funcionários do banco reconheceram a fotografia de dois terroristas como participantes da ação. Porém, seus nomes não foram divulgados para não atrapalhar as investigações, alarmando os terroristas.
Um detalhe chamou a atenção dos bancários: um dos terroristas ficou por conta de cronometrar o tempo. Este homem, que não tirava o olho do relógio, em dado momento gritou: “cinco minutos, terminou a operação!” Este fato indicou à polícia o alto grau de organização e disciplina dos terroristas que participaram da ação.
Um dos terroristas que participou desta ação foi Domingos Quintino dos Santos, 36 anos, casado e pai de seis filhos. Após a sua prisão, em meados de 1970, Domingos contou à polícia que era lavrador em Monte Aprazível (interior de São Paulo) e fora aliciado para atuar na luta armada por Devanir José de Carvalho, com a promessa de melhorar de vida. Recebia NCr$ 40,00 semanais para participar das ações terroristas. Além disso, Devanir havia prometido para Domingos terras em Mato Grosso quando fosse implantada a Ditadura do Proletariado no Brasil.
Aparecido Santos de Oliveira era o Soldado nº 39.468 do 16º Batalhão da Força Pública de São Paulo. Ele tinha apenas 20 anos de idade e era solteiro.
Autoria: Participaram da ação terroristas de diversas organizações de esquerda. Pelo Grupo de Expropriação e Operação: Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Raimundo Gonçalves de Figueiredo, Ney Jansen Ferreira Júnior, José Couto Leal.
Pelo Grupo do Gaúcho: Plínio Petersen Pereira, Domingos Quintino dos Santos, Chaouky Abara. Pela VAR-Palmares: Chael Charles Schreier, Roberto Chagas e Silva, Carmem Monteiro dos Santos Jacomini e Eduardo Leite.
Fontes: Diário da Noite, edição 13680 de 24/07/1969, matéria de capa e edição 14591 de 19/06/1973, página 8; Correio da Manhã, edição 23395 de 24/07/1969, 1º caderno, página 6; e edição 23460 de 08/10/1969, 1º caderno, página 12; Jornal do Brasil, edição 00008 de 17/04/1971, 1º caderno, página 7.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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