domingo, 31 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA XXXVI

Manoel Conceição dos Santos era um sujeito perigoso. Ele atuava desde o ano de 1962 no Vale do Pindaré, Maranhão. Aquela localidade era pobre e por isso mesmo Manoel a escolheu para suas atividades subversivas, considerando que seria natural canalizar a insatisfação popular para uma revolução armada. Manoel era violento e gostava de ser reconhecido como tal. Era integrante do grupo terrorista AP – Ação Popular e chegou a fazer curso de guerrilha ministrado no Nordeste. Justamente por isso, e apesar de ser semianalfabeto alcançou cargo de chefia na organização terrorista. Arregimentou diversas pessoas, principalmente se aproveitando dos conflitos agrários que havia na região. Dividiu seu grupo de liderados em pequenas células, que espalharam o terror no sertão maranhense.


No dia 31/08/1969 um grupo de policiais militares cercou Manoel para prender-lhe e levá-lo às barras da justiça. Manoel respondeu a tiros e abateu o Soldado Mauro Celso Rodrigues, conseguindo naquela ocasião escapar da Justiça.
Depois da morte do Soldado Mauro, Manoel foi para a China, onde fez um curso de guerrilha e doutrinação ideológica na Academia Militar de Pequim. Voltou ao Brasil ainda mais perigoso e atuante.
Somente em meados de 1972, Manoel foi finalmente preso. A sua saída de circulação incomodou os movimentos terroristas que iniciaram uma campanha imediata no exterior afirmando que Manoel havia sido torturado e morto pela “ditadura militar”. A Anistia Internacional “comprou” a ideia, e sem se preocupar em elucidar o sumiço de Manoel, deu início a uma campanha difamatória contra o Brasil no exterior. Nossas embaixadas na Europa receberam milhares de cartas em tom calunioso. A partir de agosto de 1972 a Rádio República da Albânia começou uma série de programas diários que homenageavam postumamente Manoel, a quem consideravam exemplo de coragem e liderança para os comunistas de todo o mundo.

Entretanto, em 20/09/1972 o “morto” Manoel foi apresentado vivo e bem de saúde, perante a Auditoria Militar da 10ª CJM para responder pelos crimes que cometeu. Os jornais da época foram impiedosos com Manoel e a farsa da Anistia Internacional. Manoel foi chamado de “morto-vivo” e muitos jornalistas se lembraram que morto estava era sua vítima, Mauro Celso Rodrigues, enquanto o terrorista gozava boa saúde.
Mauro Celso Rodrigues era policial militar da PM do Maranhão. Infelizmente, os jornais pesquisados não trouxeram quaisquer outras informações sobre a vítima.
Autoria: Manoel Conceição dos Santos, integrante da AP – Ação Popular.

Fontes: Jornal do Brasil, edição 00233 de 27/11/1973, 1º caderno, página 16; Diário de Notícias, edição 15310, de 22/09/1972, página 8; Diário de Pernambuco, edição 00224 de 21/09/1972, matéria de capa; Correio da Manhã, edição 24371 de 22/09/1972, 1º caderno, página 14; Revista O Cruzeiro, edição 0021 de 15/08/1980, página 37.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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