sexta-feira, 1 de julho de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA!

Paulo Macena, 13/11/1964, vigia do Cine Bruni - Flamengo
                                       O filme do dia. Sacrifício sem glória.
Era para ser apenas mais um dia normal no Cine Bruni-Flamengo (Rio de Janeiro - RJ) naquele 12/11/1964, que exibia o filme “Sacrifício sem glória”. Entretanto, uma bomba explodiu na sala de espera do cinema ferindo gravemente seis funcionários do estabelecimento e um espectador. Todos foram internados no Hospital Souza Aguiar.
Posteriormente, o gerente do cinema, Manoel Barbosa de Souza, informou às autoridades que o artefato havia sido encontrado pregado junto a uma poltrona dentro da sala de exibição no final da sessão das 14 às 16 horas por um casal de espectadores, sendo que o funcionário Vicente José teria exibido aquele objeto que se parecia com uma lanterna a um soldado do Exército que não teria dado importância ao achado. O artefato fora deixado então em meio às folhagens que ficavam junto ao bebedouro que havia no hall de entrada do cinema. Por volta das 23 horas, após a última sessão, vários funcionários do cinema passaram a examinar o artefato, deixando-o cair ao chão, quando houve a detonação.
A violência da explosão foi tamanha que foi ouvida em um raio de um quilômetro do local. Houve tumulto generalizado e moradores do prédio onde estava localizado o cinema afirmaram às autoridades que acharam que o prédio estava desabando, devido às ondas de choque provocadas pela explosão. Em consequência direta da explosão ficaram feridos todas as pessoas que estavam nas proximidades do local no momento: Vicente José da Silva, Joaquim José da Silva, Geraldo Lima Carvalho (todos com estilhaços pelo corpo); Luis Carlos Rodrigues de Oliveira (fratura da perna direita e estilhaços), Newton de Jesus (ferimentos na perna direita), João José da Silva (ferimentos gravíssimos pelo tórax) e Paulo Macena (esmagamento da perna direita – amputada; e fratura da perna esquerda). No dia seguinte, onze horas após a amputação de sua perna, o vigia Paulo Macena não resistiu e veio a óbito. Era o primeiro morto em conseqüência de ato terrorista em solo nacional após 31/03/1964.
Paulo Macena tinha 24 anos de idade. Era Vigia no Cine Bruni-Flamengo no Rio de Janeiro – RJ.
Autoria: desconhecida. Atribuída a grupos de esquerda em represália à Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a UBES.



Nenhum comentário:

Postar um comentário