quinta-feira, 11 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA L

Antônio Aparecido Posso Nogueró, 20/02/1970, Sargento da Força Pública de São Paulo


O ex-capitão Carlos Lamarca era um terrorista tão ou mais perigoso que Carlos Marighella. Lamarca se tornou célebre ao roubar um carregamento de armamento e munições do Quartel do 4º Regimento de Quitaúna - SP e desertar dedicando-se exclusivamente à derrubada do governo pela força das armas, implantando núcleos de guerrilha rural e terrorismo urbano no Brasil. 
Em 20/02/1970 um grupo de policiais recebeu informações de que no Sítio Cerejeiras em Atibaia (região montanhosa de São Paulo) funcionava um aparelho terrorista. O delegado mandou que uma equipe formada por dois sargentos e três soldados se dirigissem à casa para averiguar. Lá chegando eles foram recebidos por um velho, que permitiu sua entrada na casa. O velho saiu pela porta dos fundos e retornou logo em seguida pela frente da casa, empunhando um fuzil FAL de uso exclusivo das Forças Armadas e abriu fogo contra o grupo de policiais. O Sargento Antônio Aparecido morreu na hora e o Sargento Edgard Correia da Silva ficou gravemente ferido. Os soldados reagiram e mataram o velho que mais tarde foi identificado como sendo o terrorista Antônio Raimundo Lucena. 
                                 Antônio Raimundo Lucena. 
A viúva de Antônio Raimundo, Damaris de Oliveira Lucena e seu filho Ariston (18 anos) foram presos na ação. Ariston foi reconhecido posteriormente como o motorista da Perua durante o assalto ao Hospital do Exército, em São Paulo. Os dois confirmaram que a casa era freqüentada por Carlos Lamarca e outros terroristas. Essa informação foi confirmada porque diversas armas encontradas na casa foram identificadas pelo seu número de série como aquelas roubadas do Quartel do 4º Regimento. No total foram arrecadados 24 fuzis comuns, quatro metralhadoras INA e 11 fuzis tipo FAL. No sítio foi encontrada ainda grande soma em dinheiro (proveniente dos assaltos praticados pelos grupos terroristas), explosivos de diversos tipos e um torno utilizado na fabricação de bombas.

As investigações revelaram que Antônio Raimundo, conhecido como “Doutor Lucena” era o braço direito de Lamarca, e que a casa era um aparelho usado pelas organizações terroristas VAR-Palmares e ALN – Aliança Libertadora Nacional.
Antônio Aparecido Posso Nogueró ou Antônio Aparecido Ponce Nogueira (segundo alguns periódicos) era Terceiro Sargento da Força Pública de São Paulo. Foi sepultado com honras militares no Cemitério de Atibaia – SP. Na mesma cidade foi também homenageado pelas autoridades municipais que batizaram uma rua do Jardim Brasil com o seu nome.
Autoria: Antônio Raimundo Lucena, da VAR-Palmares.
Fontes: Jornal do Brasil, edição 00272 de 24/02/1970, 1º caderno, página 22; Correio da Manhã, edição 23573 de 21/02/1979, 1º caderno página 7; Tribuna da Imprensa, edição 06033 de 25/02/1970, página 7.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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