sábado, 13 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA LI

Newton de Oliveira Nascimento, 11/03/1970, Soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro

No dia 11/03/1970 uma equipe da Polícia Militar do Rio de Janeiro, composta pelos soldados Willian de Oliveira, Newton de Oliveira e Aurelino de Souza, fazia patrulhamento de rotina pela Zona Sul da capital, quando se depararam com o Ford Corcel placas GB 19-85-90 transitando pela Rua Mundo Novo. A equipe de policiais estranhou a aparente pouca idade do motorista e mandou que eles parassem o carro. Os ocupantes do Corcel foram identificados como Jorge Raimundo Júnior, Mário de Souza Prata e Rômulo Noronha de Albuquerque. Como o condutor do veículo não tinha habilitação, os policiais resolveram apreender o veículo e conduzir o grupo para a Delegacia. Newton ficou encarregado de levar Mário de Souza Prata no Corcel. Entretanto, no percurso, Mário sacou uma arma que tinha escondido e disparou um único tiro na testa do Soldado Newton, que morreu na hora. Mário fugiu do local do crime.
                             Mário de Souza Prata, assassino.

Posteriormente Jorge e Rômulo, os outros dois terroristas, confessaram uma série de crimes cometidos, como assaltos aos Bancos Bordalo Penha, Banco da Bahia, Banco Crédito Territorial e ainda contra a Fábrica de Munição de Andaraí e roubos de diversos automóveis. Mário de Souza Prata, autor do disparo que matou o Soldado Newton, morreu em troca de tiros com a polícia, ao reagir a voz de prisão, em 03/04/1971, no Bairro de Campos Grande, Rio de Janeiro.
Newton de Oliveira Nascimento era Soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Foi promovido postumamente ao posto de 3º Sargento. Era casado com Luci Souza Nascimento e deixou duas filhas menores de quatro e dois anos de idade.
Autoria: Mário de Souza Prata, integrante do MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro).
Fontes: Correio da Manhã, edição 23591 de 14/03/1970, página 18, edição 23969 de 04/06/1971, 1º caderno, página 6; Diário de Notícias, edição 14638 de 21/07/1970, 1ª seção, página 2; Tribuna da Imprensa, edição 06334 de 20 a 23/02/1971, página 3.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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