terça-feira, 23 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA LIX

Bertolino Ferreira da Silva, 14/09/1970, segurança patrimonial
Atentado Aeroporto de Guararapes

Com o acirramento ao combate aos grupos terroristas que atuavam no Brasil, muitos integrantes da luta armada resolveram criar uma organização mais ampla, reunindo membros de diversas facções. Este grupo foi denominado de “Frente” e aglutinava terroristas oriundos da ALN, MRT, MRS, VPR e outros.
Em 14/09/1970 integrantes da “Frente” realizaram um assalto contra o carro que transportava valores para a empresa Brinks, no Bairro Paraíso, em São Paulo – Capital. Na ação, foi morto a tiros o segurança Bertolino Ferreira da Silva.
Somente no ano de 1972, começou a ser esclarecida e a existência e a forma de atuação desta nova organização terrorista, com a identificação de seus membros. A “Frente” foi ainda responsável por diversas outras ações terroristas, tais como, assalto ao Banco Bradesco em 24/07/1969 quando morreu o Soldado Aparecido de Oliveira, assassinato do empresário Arthur Bolilessen em 15/04/1971, e outros crimes. Em 1973, trinta e sete membros desta organização terrorista foram identificados e levados a julgamento. 
Devido à gravidade dos crimes cometidos, foi pedida a pena de morte para cinco terroristas. Entretanto, o Brasil nunca aplicou a pena de morte contra qualquer terrorista que participou da luta armada.
Bertolino Ferreira da Silva era segurança patrimonial da Empresa de Transporte de Valores Brinks. Os jornais pesquisados na época não trouxeram maiores informações sobre essa vítima.
Autoria: integrantes da “Frente” oriundos dos grupos terroristas ALN e MRT.
Fontes: Diário da Noite, edição 14273 de 09/06/1972, página 2; edição 14591 de 19/06/1973, página 8; Jornal do Brasil, edição 00073 de 20/06/1973, 1º caderno, página 18.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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