sábado, 20 de agosto de 2016

OS MORTOS QUE O BRASIL NÃO CHORA LVI

Izidoro Zambauti, Segurança Patrimonial
Uma funcionária da segurança das Lojas Mappin de São Paulo – Capital desconfiou que uma das clientes que estavam na loja naquele dia (14/07/1970) pudesse estar furtando algo. Como procedimento padrão, chamou a cliente para acompanhá-la até o sétimo andar da loja. O chefe da segurança, Izidoro Zambauti acompanhou as duas mulheres ao sétimo andar. Lá, depois de verificar o conteúdo da sacola de compras, Izidoro pediu que Nádia lhe mostrasse o conteúdo de sua bolsa. Esta, ao abri-la, sacou um revolver Taurus .38 e disparou um tiro na virilha de Izidoro que ficou gravemente ferido. Outros funcionários acorreram ao local e dominaram a agressora, conseguindo prendê-la.
Nádia foi levada para o 1º Distrito Policial. Naquele local, tentou agredir o Delegado de Polícia e um investigador. Disse que tinha 24 anos de idade e que fora internada aos três anos para se tratar de uma doença nervosa.
Posteriormente as investigações revelaram que a assaltante estava usando documentos falsos, e seu verdadeiro nome era Ana Bursztyn. Ela era integrante do Grupo Terrorista Vanguarda Popular Revolucionária.
Nota do autor: não foi possível determinar, através da pesquisa realizada nos jornais da época, se Izidoro faleceu em decorrência dos ferimentos recebidos durante o assalto à Loja Mappin. Alguns periódicos divulgaram que ele estava em estado gravíssimo; outros que ele já estava fora de perigo. Seu nome aparece grafado de inúmeras formas diferentes. Entretanto, julguei por bem manter a sua história nesta série, tendo em vista a relevância para os fatos aqui narrados.
Izidoro Zambauti (Zambolti) era chefe da segurança das Lojas Mappin de São Paulo – Capital. Era oficial aposentado da Polícia Militar de São Paulo – SP. Tinha 46 anos de idade, era casado e tinha dois filhos.
Autoria: Ana Bursztyn, integrante da Vanguarda Popular Revolucionária. Ana usou documentação falsa em nome de Nádia Zanzini.

 Fontes: Jornal do Brasil, edição 00085 de 15/07/1970, 1º caderno, página 20; edição 00108 de 11/08/1970, 1º caderno, página 16; edição 00287 de 12/03/1971, 1º caderno, página 24; Correio da Manhã, edição 23695 de 15/07/1970, matéria de capa e página 11; edição 23696 de 16/07/1970, 1º caderno, página 11; edição 23697 de 17/07/1970, 1º caderno, página 11.
Esclarecimento do autor: este artigo integra uma série intitulada “Os Mortos Que o Brasil Não Chora” e é resultado de minuciosa pesquisa em jornais, revistas e periódicos publicados na época em que os fatos aconteceram. São aproximadamente 120 vítimas. Alguns eram integrantes de Forças de Segurança, outros civis – alguns sem qualquer conexão com um ou outro lado – e os demais eram membros da esquerda que foram “justiçados” (executados) por seus próprios companheiros. A cada publicação contarei a história de um episódio ou de uma vítima. Procurei obedecer a ordem cronológica dos acontecimentos. Todos os artigos já publicados estão disponíveis no site do grupo Ternuma (www.ternuma.com.br) e na página pessoal do autor no Facebook (https://www.facebook.com/robson.meroladecampos).

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